INFORME FOLHA
Vírus da vingança
Está cada vez mais difícil descobrir as intenções do Ministério da Agricultura neste episódio da aftosa no Paraná. Um leitor da Folha, produtor na região de Paranavaí, arriscou um palpite: ''É vingança. Das mais virulentas! Lembra que o governador Requião, nos ataques à soja transgênica, acusava Roberto Rodrigues de ''funcionário'' de uma multinacional? Pois agora RR está dando o troco.''
''Eles se merecem?''
O ministro ouvia todas as críticas sem reagir. Engoliu ofensas morais. Agora teria chegado a vez de se vingar. É o que desconfia o leitor, um dos muitos prejudicados pelas trapalhadas do governo na questão da aftosa em Mato Grosso do Sul e Paraná. São apenas hipóteses. Mas, cabe perguntar: o Paraná merece arcar com as consequências da briga entre os dois políticos? ''Se eles se merecem, é problema deles'', diz o leitor.
Estratégia
Sindicalistas fizeram um barulho na prefeitura de Londrina para ''comemorar'' o aniversário do prefeito Nedson Micheleti (PT). Deram com a cara na porta. Um dia antes, avisaram no site do Sindserv que levariam um bolo para Nedson. E pensaram que ele ficaria esperando?
Dinheiro do IPVA
A discussão das alíquotas do IPVA na Assembléia Legislativa costuma render novo fôlego aos embates contra o pedágio no Paraná, um dos alvos preferidos dos palacianos. Nas ruas, é comum ver pessoas reclamando que ''pagam IPVA e também pagam pedágio para o mesmo fim''. Mas, ao contrário do que muitos motoristas pensam, o dinheiro arrecadado com o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores não tem destino carimbado para a conservação de estradas. Conforme a Secretaria da Fazenda, o montante vai para o caixa do Estado, a chamada ''conta tesouro'', de onde saem recursos para diversos tipos de pagamentos. Metade do volume arrecadado fica com o município onde o carro foi emplacado e metade com o Estado.
Ebulição 1
Até que demorou. O Banco do Brasil já abriu contas para o funcionalismo do Paraná e o banco paulista Itaú estava quieto, mas a nota oficial publicada ontem na imprensa revela que a transferência das contas não será assim tão tranquila. O Itaú alega que não foi comunicado oficialmente da decisão de Requião trocando em miúdos, essa reclamação pode ser interpretada como quebra unilateral de contrato. O governador Roberto Requião (PMDB) diz que o banco privado não vai atropelar os interesses do Estado. Mas, no centro do tiroteio, estão ações da valiosa Copel, usadas como caução numa operação envolvendo o Banestado. Aí está a parte delicada da questão.
Ebulição 2
O Itaú pagou R$ 1,6 bilhão pelo Banestado, um banco que consumiu R$ 5 bilhões para ser saneado e deixou uma dívida pendente por trinta anos para os paranaenses pagarem. Por esse e outros motivos, o governo Requião entende que o Banestado foi dado de presente. E agora está levando a cabo a idéia de passar o dinheiro movimentado pelo Estado para bancos públicos BB e Caixa Econômica Federal.
Saudades da terra
Ou o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) anda com muita saudade do Estado ou não quer perder nenhuma oportunidade de marcar presença. Sexta-feira passada participou de evento da Associação Comercial do Paraná e nesta sexta pode prestigiar um jantar com bancários, em Curitiba.
Vazamento
A força-tarefa do Ministério Público Federal que investiga a remessa ilegal de dinheiro através das contas CC5 encaminhou um requerimento à Procuradoria Geral da República solicitando investigação, pelo Ministério da Justiça, sobre o vazamento para a imprensa de informações sigilosas sobre o Trade Link Bank, encaminhadas aos procuradores e à Polícia Federal pela Promotoria de Nova York.
Publicado
Segundo o MPF, no dia 13 novembro foram divulgados dados sigilosos sobre remessas de dinheiro para Angola. Os procuradores que atuam no caso ficaram surpresos com o vazamento dessas informações, veiculadas pela imprensa antes mesmo de os dados chegarem à Procuradoria da República no Paraná o que ocorreu no dia 14. Mas no início do mês a imprensa nacional já abordava informações remetidas ao Brasil por autoridades norte-americanas.
Canal prejudicado
O MPF argumenta que vazamentos de informações como essas, relacionadas a documentos cobertos por compromisso internacional de confidencialidade, prejudicam a cooperação direta internacional, estabelecida entre o MPF e a PF e o District Attorney of New York.
Na pele
A CPMI dos Correios sentiu na pele o quanto o vazamento de informações pode atrapalhar. Uma viagem a Nova York, para buscar informações, não aconteceu como previsto porque os americanos ficaram com medo de vazamentos.
Estadual ou Federal?
O governo do Estado vai brigar na Justiça para que o aumento do pedágio seja julgado pelos tribunais estaduais. Na última segunda-feira, as ações do governo que questionam o reajuste de até 18,5% pleiteado pelas concessionárias de pedágio foram remetidas para a Justiça Federal. O governo havia ingressado com ações na Justiça Estadual, alegando que as empresas registram lucros acima do previsto, mas as juízas entenderam que a competência é federal. O governo vai recorrer.
Perguntinha
Começa com o Itaú mais uma guerra por quebra de contrato?
Maria Duarte e equipe
politicacwb folhadelondrina.com.br





