Só faltava esta
''Pressões de grupos privados de outros Estados podem estar impedindo que o Ministério da Agricultura declare que não há aftosa no Paraná''. Vamos com calma porque não se trata de denúncia, ainda. Apenas uma suspeita, levantada pelo presidente do Sindicarnes, Péricles Salazar (veja matéria na Folha Economia). Acontece que depois de tantas trapalhadas do Ministério da Agricultura, tendo à frente o empresário Roberto Rodrigues, não se deve duvidar de nada mais.

Prejuízos
O Sindicato das Indústrias de Carne do Paraná (Sindicarne) entrou com dois mandados de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e na Justiça Federal pedindo a revogação imediata de todas as barreiras sanitárias impostas pelo governo federal contra os produtos paranaenses. Os equívocos do Mapa já causam prejuízos de R$ 100 milhões aos produtores.

Falta de respeito
Na hora de anunciar a suspeita de aftosa no Paraná o ministro foi rápido. Em geral, autoridades ponderam, quando se trata de questões tão sérias e só falam com dados concretos. Ele não, foi rapidinho à cena. Ele e o governo do Estado. Agora, na hora de fazer justiça aos produtores, Rodrigues fica protelando. Por que tanta indiferença?

A suspeita
A suspeita levantada pelo presidente do Sindicarne deixa o Ministério da Agricultura em situação complicada. Mal refeito do impacto da aftosa em Mato Grosso do Sul (episódio que expôs toda fragilidade e negligência do Brasil no controle de uma doença de interesse econômico) vem outro problema. Não vai dar em nada. Mas a dúvida incomoda.

Desfiando o rosário
O programa do PT paranaense que vai ao ar na segunda-feira terá como tônica a cartilha que o partido montou para fazer propaganda dos investimentos do governo Lula no Estado. A cartilha mostra desde UTIs móveis até os investimentos da Petrobras em Araucária. O resumo da ópera que será apresentada ao eleitor é o seguinte, nas palavras do presidente da legenda, André Vargas: ''O Paraná estaria melhor se estivesse em sintonia com o governo federal''.

Sem pegar no pé
Vargas jura que o programa não trará críticas diretas ao governador Roberto Requião (PMDB), com quem vive em atrito. Aparecem com destaque no programa a diretora financeira de Itaipu, Gleis Hofmann, Vargas, o prefeito Nedson Micheleti e o deputado estadual Ângelo Vanhoni. Estes dois últimos substituem o senador Flávio Arns, de licença médica por causa de uma trombose na perna.

Audiência?
Requião volta da missão comercial na Venezuela a tempo de assistir ao programa petista se é que o fará. O governador deve chegar a Curitiba no domingo. Por enquanto, Orlando Pessuti (PMDB) anda com a cabeça e a agenda abarrotadas.

Enxaqueca
A dor de cabeça por causa da aftosa não passou, pois o Ministério da Agricultura continua empurrando com a barriga uma posição final sobre a suspeita no Estado. Quanto à agenda dos próximos dias, Pessuti se divide entre a Capital e o Interior, onde terá compromissos em Francisco Beltrão e Maringá.

Punição arquivada
A Comissão de Legislação e Justiça da Câmara Municipal de Curitiba arquivou o polêmico projeto de lei que pretendia punir estudantes eventualmente flagrados ao entrar em ônibus sem pagar a tarifa ou ''praticando algum tipo de vandalismo'' dentro do veículo, terminais ou estações-tubo. A proposta dividiu opiniões no Legislativo municipal e o projeto acabou arquivado por 6 votos a 2. O parecer contrário foi emitido pela vereadora Professora Josete (PT). Os favoráveis ao projeto do Pastor Gilso de Freitas (PL) foram Nely Almeida (PSDB), que acompanhou o voto do relator da matéria, Valdenir Dias (PTB).

Crime
A punição proposta pelo projeto seria a exclusão do estudante flagrado do desconto de 50% na compra de passagens de ônibus. Na opinião de Josete, as condutas previstas no projeto, sendo crime, já fazem parte do direito penal. E o artigo 22 da Constituição Federal estabelece como competência exclusiva da União legislar sobre direito penal. O arquivamento foi comemorado por um grupo de estudantes que assistia à reunião.

Protesto
No final de outubro, cerca de 200 estudantes que reivindicavam o passe livre foram em passeata até a sede da Urbs, a empresa que gerencia o transporte coletivo na cidade. Concentraram-se na porta do prédio, quebraram a porta de vidro e entraram. O tumulto só foi controlado depois de meia hora, com a chegada de reforço policial.

Problema
Reivindicação e passeata mais do que justa. Mas dificilmente violência resolve o problema.

Dinamite
Apesar da exposição negativa, por um lado, ninguém pode dizer que o Paraná não é destaque nas investigações de corrupção, que correm em Brasília. Tudo indica que o Estado terá ainda mais espaço. Com base em requerimentos do deputado Doutor Rosinha (PT-PR), a CPMI dos Correios aguarda cópias de dois autos da Justiça Federal e de depoimentos prestados pelo doleiro Alberto Youssef ao Ministério Público Federal.

Perguntinha
O eleitor se sensibiliza mais com a cartilha ou com as denúncias de mensalão?

Maria Duarte e equipe

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