INFORME FOLHA
Doçura de entrevista
Irônico e indiferente, José Dirceu saiu vencedor de um debate na televisão domingo à noite. Soube aproveitar todas as vezes que a bola lhe fora entregue redondíssima para marcar. E ele marcou muitos pontos. As perguntas ensejavam respostas discursivas, aceitas como verdades absolutas, sem questionamento. Que doçura de entrevista.
No plano das idéias
Para quem está em clima de campanha, o senador Osmar Dias (PDT) anda light. Em reuniões recorrentes e conversas reservadas com dirigentes do PFL, PSB, PP e PSDB, Osmar tem se colocado como pré-candidato ao governo do Estado mas pelo menos publicamente não escancara briga com o atual ocupante do cargo, Roberto Requião (PMDB), de que quem já foi secretário no primeiro governo (1991-94). Osmar que voltou no início do mês de uma licença médica para cuidar de problemas circulatórios tem feito críticas e apontado problemas no Porto de Paranaguá e no tratamento dado à suspeita de aftosa no Estado, por exemplo. Mas jura que suas críticas não são pessoais à cúpula do governo e sim apenas uma questão de idéias e projetos diferentes para a administração pública.
Desconfiados
A postura paz e amor de Osmar Dias tem levado adversários do governo a desconfiar e comentar que, afinal de contas, o senador não parece assim tão distante do governador. Na mesa de negociações, Osmar já avisa que, por enquanto, não quer saber de gente empurrando nome de vices.
Calmo demais
Com Requião em missão oficial na Venezuela, o Centro Cívico anda tranquilo, sem polêmicas e puxões de orelhas. O governador fica fora durante cinco dias.
Aumento do pedágio
Durante sua ausência, o stress no governo está localizado e tem endereço. É no prédio que abriga a Secretaria dos Transportes e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), na Avenida Iguaçu. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) deve se pronunciar nesta quinta ou sexta-feira sobre os pedidos de reajustes das seis concessionárias de rodovias que cobram pedágio no Estado.
Sob análise
Os pedidos de aumento chegaram ao DER na quarta-feira passada e o aumento médio da tarifa apresentado pelas empresas varia de 7,12 % a 18,52% para as 27 praças. Todo final de ano é igual. Conforme o contrato firmado na gestão Jaime Lerner (PSB), as concessionárias têm o direito de pedir o reajuste, que precisa do aval do poder público. Desde que assumiu, Requião, que em campanha prometeu desatar o ''nó do pedágio'', tenta conter os sucessivos aumentos, mas as concessionárias têm conseguido aumentar os preços com base em decisões judiciais.
Abusiva
Os números estão sendo avaliados pela equipe técnica e jurídica do DER. O Departamento tem, segundo o contrato, até cinco dias úteis para se manifestar com relação aos índices apresentados pelas empresas. De acordo com o governo, a majoração das tarifas pode ser classificada de abusiva se for considerada a arrecadação das concessionárias neste ano.
Na ponta do lápis
A oposição já está calculando quanto o pedágio já subiu desde o início do governo Requião. É, obviamente, munição para a campanha.
Indignação
No gabinete de Requião, por volta das oito da manhã de ontem, deputados estaduais resolveram soltar o verbo contra as concessionárias. Antes de viajar para a Venezuela, o governador recebeu um grupo de parlamentares, que chegaram revoltados com os pedidos de aumento. Para Antonio Anibelli (PMDB), as concessionárias ''estão estuprando'' o povo. Já Alexandre Khury (PMDB), que desceu a serra no final de semana, não se conformava em ter desembolsado R$ 9,80 para ir mais R$ 9,80 para voltar a Curitiba. E olha que deputado ganha bem, cerca de R$ 7 mil líquidos. Imagina os comuns mortais.
Pós-dilúvio
Depois de semanas de chuva e trovoadas, os comerciantes do Litoral do Paraná conseguiram lucrar uns trocados neste último sábado e domingo. Curitibanos mofados desceram em clima de procissão para as praias. Mais brancos que nunca.
Sigilo
O advogado Roberto Bertholdo, acusado de fazer escutas nos telefones de um juiz federal de Curitiba, prestou depoimento ontem na 2 Vara Vara Criminal Federal. Ele foi preso pela Polícia Federal no último dia 4 e continua detido no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). A reportagem da Folha foi impedida de ter acesso ao andar onde funciona a 2 Vara.
Panos quentes
No meio de uma saraivada de críticas pela demora na liberação dos resultados sobre a suspeita de aftosa no Paraná, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento anuncia que a Rede dos Laboratórios Nacionais Agropecuários do ministério vai receber R$ 37 milhões em recursos, dinheiro que será usado para a compra de novos equipamentos.
Atraso
Os recursos serão repassados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do ministério. O ministro Roberto Rodrigues diz que a modernização da rede de laboratórios aumentará ''a eficiência, a confiabilidade e a rapidez das análises''. Se não fosse a enrolação para apurar os resultados no Paraná os laboratórios receberiam dinheiro?
Pescados no Norte
O ministro José Fritsch, da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca do governo federal, assina amanhã, dia 16, um termo de cooperação que viabilizará a liberação de mais de R$ 529 mil para a construção de um frigorífico de pescados em Cornélio Procópio. A câmara frigorífica da unidade terá capacidade para 60 toneladas.
Perguntinha
Flávio Arns serve apenas de vidraça e no ano que vem Paulo Bernardo desponta como nome forte do PT?
Maria Duarte e equipe
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