INFORME FOLHA
Na sala com Palocci
Na dura luta por mais recursos da União, o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Luiz Sorvos (PDT), entregou ontem à tarde ao ministro Antônio Palocci (Fazenda) e ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), a pauta de reivindicações dos prefeitos. Eles querem urgência na votação do projeto que eleva em um ponto percentual o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a regulamentação da emenda constitucional que destina 100% da receita do Imposto Territorial Rural (ITR) aos municípios e a liberação de 22,5% dos recursos do Parcelamento Especial às prefeituras. Segundo Sorvos, Rebelo prometeu informar hoje aos prefeitos quando será votada a reforma tributária. Mas o deputado já avisou que os processos de cassação devem complicar a pauta de votações.
Traído
Na aguardada entrevista ao programa Roda Viva, na noite de segunda-feira, o presidente Lula (PT) mostrou-se um tanto irritado com os questionamentos e insistiu na tecla de que foi traído. O apresentador, Paulo Markun, foi direto ao ponto e abriu a entrevista com a pergunta que não quer calar: se afinal Lula sabia ou não da corrupção envolvendo seu partido. Mas o presidente continuou evasivo e disse que é responsabilidade do presidente mandar apurar tudo.
Cinismo
Lula aproveitou para lembrar a dureza das primeiras campanhas. ''Eu sei o que eu andei o Brasil para fazer esse partido. Vendia camisetas para financiar minha campanha e às vezes não tinha dinheiro nem para a gasolina''. Lula não pode reclamar. Hoje viaja num avião presidencial que custou milhões.
Bate e assopra
O deputado estadual André Vargas (PT) escancarou ontem o seu estilo bate/assopra. Criticou os comentários do governador Roberto Requião (PMDB) sobre a entrevista de Lula ao Roda Viva (que não gostou da entrevista e lamentou a falta de espaço para o presidente falar da economia). Vargas disse que Requião é quem devia conceder mais entrevistas coletivas, para só depois criticar. Por outro lado, elogiou a mudança das contas do governo do Itaú para o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Gostinho de campanha
Como era de se esperar, os adversários do PT fizeram um prato cheio das denúncias de corrupção no governo Lula. O programa do PSDB na tevê mostra Lula dizendo que todo mês pediria satisfações a seus ministros, dando a entender que acompanharia cada passo de seus comandados com olhos de lince. Depois dessa declaração de Lula, as notícias de que ele não saberia de mensalão nenhum. A edição foi caprichada, deixando o presidente como, no mínimo, omisso.
In memorian
O ex-governador gaúcho e deputado federal Alceu Collares (PDT-RS) lembrou muito ontem o falecido líder trabalhista Leonel Brizola. Os dois gaúchos são pedetistas e têm o mesmo discurso inflamado. Como se não bastasse o sotaque e os ataques ao governo federal. Collares muda de assunto rapidamente e é quase impossível interrompê-lo durante a resposta a uma pergunta. Ele mesmo confessou. A mulher dele, uma das suas maiores críticas, alertou: ''você está ficando igual ao Brizola!'' Collares disse que ficou satisfeito ao ouvir o início da frase. Já do complemento ''... está falando demais'' , o deputado não gostou.
Como eu ia dizendo...
Collares lembrou que certa vez encontrou Brizola e um casal de amigos. O casal revelou que ligava o rádio sempre, às 20h30, para ouvir o ex-governador gaúcho numa rádio local. Quando acordava, por volta das 3 horas da madrugada, Brizola ainda estava discursando.
Exibido
Num estilo mais do que brizolista, Collares terminou sua palestra com um poema de Che Guevara. Ao final, foi aplaudido pela platéia requianista. Collares não se fez de rogado e confessou que é um ''balateiro'' (no português claro, ''exibido'').
Polícias
O líder do governo na Assembléia, Dobrandino da Silva (PMDB), garantiu ontem que o projeto de lei prevendo reajuste salarial para a Polícia Civil e Polícia Militar entra na pauta de votações de hoje. Os reajustes são reivindicados há anos. Segundo a Secretaria de Estado da Administração e Previdência, a PM deve receber aumento entre 30% e 34%, e a Polícia Civil entre 35% e 49%.
Previdência
A Paraná Previdência, que pretende conseguir na Justiça a liberação do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) como a Folha adiantou ontem , tem como apoio uma decisão de primeira instância favorável ao município do Rio de Janeiro. Como o governo não está taxando os inativos, o certificado do Paraná não foi renovado. O mesmo certificado, porém, foi concedido à Prefeitura de Curitiba.
Necessário
O documento é pré-condição para que estados e municípios recebam recursos da União. Na falta do CRP ficam impedidos acordos, contratos, convênios, compensação previdenciária e financiamentos de bancos internacionais.
Tribunal de Contas
Apesar de não ser mais possível a Assembléia Legislativa alterar o conteúdo da nova lei orgânica do Tribunal de Contas (TC) do Estado, os conselheiros encaminharam sugestões de ajustes à Casa. Eles não querem ser punidos com base na lei dos servidores públicos, pois entendem que são regidos como a magistratura. E não descartam a possibilidade de questionar a constitucionalidade da nova lei orgânica na Justiça.
Perguntinha
Em Paris, caixa 2 era um erro que todo mundo comete. No Roda Viva, virou uma prática intolerável. Por que não questionaram a contradição de Lula?
Maria Duarte e equipe
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