INFORME FOLHA
Febre dos grampos
O Congresso ferveu com a tese de que os parlamentares estariam com os telefones grampeados. Os deputados que comandam as investigações de corrupção em Brasília demonstraram indignação e irritação, mas no fundo sabem que não há motivo para tanto espanto, afinal, ninguém pode dizer que grampear telefone seja fato desconhecido nos bastidores da política. Seja como for, o assunto mereceu um pronunciamento do corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP). Para o corregedor, que se confessou preocupado com o elevado número de parlamentares que suspeitam de escutas, isso está se tornando uma ''síndrome''. Síndrome que desperta sintomas violentos como o de querer dar uma surra no presidente.
Grampo das araucárias
O poder no Paraná também já foi sacudido por denúncias de escutas clandestinas. Em 2001, a Assembléia Legislativa montou uma CPI para investigar denúncias de suposto envolvimento de altos funcionários palacianos num esquema de escutas ilegais durante o segundo governo Jaime Lerner (PSB). A investigação ferveu o Centro Cívico, mas foi barrada na Justiça, porque, a princípio, a CPI tinha sido criada para apurar eventuais cobranças indevidas por parte das operadoras e outros problemas com os consumidores.
Sem prazo
Não há previsão para que o deputado federal José Janene (PP-PR) retome suas atividades na Câmara. Segundo a liderança do PP, ele deve ficar em observação por cerca de três meses. Na semana passada, Janene, que sofre de uma doença cardíaca, fez uma cirurgia na Santa Casa de Curitiba para implante de células-tronco no coração. O deputado, que enfrenta processo de cassação por conta das denúncias de pagamento de mensalão a deputados, poderia se aposentar por invalidez recebendo o salário integral, de R$ 12,8 mil, segundo a assessoria de imprensa da Câmara.
OAB processa Soraya
A ex-assessora financeira da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT), Soraya Garcia autora das denúncias que geraram a abertura de dois inquéritos na Polícia Federal (PF), é alvo de pelo menos duas representações criminais por calúnia e difamação. Além do chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Londrina, José Carlos da Rocha, também está processando a ex-assessora.
Em busca de provas
Soraya citou Rocha em uma entrevista concedida à revista ''IstoÉ'' em setembro, acusando-o de receber recursos da campanha petista. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, está interpelando Soraya judicialmente para que ela explique, em juízo, as ilações que têm feito em relação à chegada de recursos para a campanha e à visita de autoridades a cidade.
Volto já
O deputado federal Reinhold Stephanes (PMDB-PR) espera ficar mais uns 10 ou 15 dias na cadeira de deputado e depois disso zarpar de volta ao Paraná, reassumindo a Secretaria de Estado do Planejamento. Stephanes quer acompanhar com olho de lince a votação do Orçamento do Estado na Assembléia Legislativa. Há duas semanas Stephanes assumiu a vaga de José Borba (PMDB-PR), que renunciou para evitar o processo de cassação. Quando Stephanes retornar, quem fica com a vaga de deputado é o ex-secretário do Turismo, Cláudio Rorato.
Mistério
O Tribunal de Contas do Estado deve se pronunciar nos próximos dias sobre as objeções em relação à lei orgânica do TC, aprovada recentemente pela Assembléia Legislativa. Os deputados fizeram algumas alterações no texto, o que gerou polêmica dentro do tribunal. Conselheiros e técnicos se debruçaram sobre a nova lei nos últimos dias, mas ainda estão reticentes em falar. A lei aprovada pelos deputados cria regras mais claras e duras para o trabalho dos conselheiros e demais integrantes do tribunal. A intenção é coibir qualquer viés político que possa haver na análise das contas.
Banestado
Foi pedido parecer do Ministério Público Federal na ação que tramita no Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, em Porto Alegre (RS), contra o ex-presidente do Banestado, Manoel Campinha Garcia Cid (gestão 1997-1999). Por enquanto, não há previsão de julgamento da apelação protocolada em setembro pela defesa de Neco. Ele é um dos denunciados pela força-tarefa CC5 do Ministério Público Federal (MPF), no ano passado, por crime contra o sistema financeiro nacional. Em junho, Neco foi condenado pela Justiça Federal em Curitiba a seis anos de prisão e a pagar 3,7 mil salários de multa. A sentença ainda pode ser mudada.
Reforma política
Os deputados federais do Paraná Osmar Serralgio (PMDB) e Gustavo Fruet (PSDB), ambos da CPMI dos Correios, estarão em Curitiba na segunda-feira para participar de um debate sobre reforma política. O debate é uma iniciativa do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Participa também do depbate o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ). O encontro será no Centro de Eventos do Sistema Fiep (Cietep), às 17h30, com entrada gratuita.
Urgente!
Em função da recente crise política, a Fiep defende a convocação de uma constituinte exclusiva para reformar o sistema político-partidário brasileiro. Na opinião do presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, há um distanciamento entre a ação da representação democrática no Congresso e o povo.
Perguntinha
Os parlamentares continuam soltando o verbo no telefone?
Maria Duarte e equipe





