A culpa é do boi



A Secretaria da Agricultura garante que fez a ''lição de casa'' - no caso da suspeita de aftosa no Paraná. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, também discursou muito - no caso da aftosa em Mato Grosso do Sul. Não convenceu. A imagem que fica é a do descaso. O poder público, nas esferas estadual e federal, é responsável pelo controle da doença. Mas agora ninguém assume. Vão acabar jogando a culpa no boi. Ontem a televisão mostrou equipes vacinando nas regiões ribeirinhas. Mas essas cenas não são comuns.


Caminho das pedras


No aguardo da confirmação de febre aftosa, o Paraná vê ruir um gigantesco trabalho em sanidade animal que foi feito ao longo dos últimos dez anos, período no qual o Estado não registrou ocorrência da doença. Há cinco anos, o Paraná foi declarado área livre de febre aftosa com vacinação. Agora, o caminho é garantir a confiança dos importadores, evitando danos ainda maiores.


Desfavorável


Na avaliação de Carlos Augusto Albuquerque, assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), o Estado foi correto ao avisar sobre a suspeita e interditar as fazendas. Na opinião dele, o cenário hoje, perante os importadores, não é muito desfavorável. Mas a pedra de toque é a confiança do mercado. Isso a pecuária paranaense não pode perder de vista.


Cismepar


A enfermeira e servidora municipal Regina Maria Amâncio protocolou ontem no Ministério Público, um pedido de abertura de auditoria no Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). Nas mais de 70 páginas do documento, Regina questiona o montante de recursos repassados ao Cismepar pela Prefeitura de Londrina, as contratações e os custos dos serviços de consultoria. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público irá analisar o pedido.


Interbrazil


O deputado estadual José Scarpellini (PSB), da bancada da oposição, quer que a CPMI dos Correios e o Tribunal de Contas (TC) do Estado investiguem os contratos da seguradora Interbrazil no Paraná. E quer que o próprio governador Roberto Requião (PMDB) dê explicações sobre isso. A Interbrazil, uma seguradora de menor porte acusada de firmar contratos com estatais após ajudar o PT, conseguiu entre seu rol de seguradas a Copel. Os deputados da oposição armaram um escândalo e começaram a fuçar outros contratos da seguradora.


Pedidos


O gabinete de Scarpellini encaminharia ainda ontem um pedido ao presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), e ao deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), para que eles tomem providências. Na opinião do deputado, o caso da Intebrazil precisa ser apurado ''doa a quem doer e até as últimas consequências''. O TC também vai receber uma cópia do pedido.


Transgênicos


Continua proibido o embarque de transgênicos no Porto de Paranaguá, como reza o governador. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) entrou com uma ação para tentar reverter a determinação, mas um pedido de vistas do desembargador Accácio Cambi adiou o julgamento, que aconteceria ontem, para o início de novembro.


Afastado


O reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior, anunciou seu afastamento do cargo, a partir de ontem, para disputar a reeleição. O afastamento de Moreira Júnior ocorre um mês antes da eleição (23 de novembro). Ele fez questão de ressaltar que, no período de licença, perde o salário de R$ 6,4 mil como reitor e recebe apenas o salário-base de professor. Não há nenhuma exigência legal para seu afastamento. Ele diz que é uma questão ética reconhecendo que precisará do tempo livre para fazer a campanha.


Chapas


Três chapas disputam a reitoria da UFPR. Moreira Júnior, professor de Oftalmologia, encabeça a chapa ''Muito Mais Universidade''. Já a chapa ''Dignidade e Orgulho de ser UFPR'' é encabeçada por Francisco de Assis Marques, professor do Departamento de Química. Na chapa ''Representatividade e Autonomia na UFPR'', o candidato a reitor é Cid Aimbiré de Moraes Santos, professor de Farmácia.


Pós-sirenaço


Depois do 'sirenaço', o 'entregaço'. Há cerca de dois meses, a Polícia Civil fez um senhor sirenaço e buzinaço bem debaixo da janela do secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, como protesto e pedido de melhorias salariais. Amanhã, às 13h30, o governo do Estado cumpre sua parte e entrega ao presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), a mensagem que aumenta os salários dos policiais civis.


Comitiva


Claro que a entrega não será discreta. Delazari e os secretários Maria Marta Lunardon (Administração) e Caíto Quintana (Casa Civil) devem caminhar em comitiva até a Assembléia (é só atravessar a praça Nossa Senhora de Salete) para entregar o projeto a Hermas.



Recado das urnas



O povo não vai sair correndo para comprar armas depois do resultado do referendo. Porque não votou pelo armamento; votou para manter um direito. Votou para mostrar que não quer a tutela do Estado. Uma coisa é certa, o governo sai enfraquecido, ainda que se diga que o referendo estava previsto há tempo. Perdem o governo e a igreja, que fez campanha. O povo está dando um recado claro: quer que o Estado assuma seu papel de garantir segurança; os políticos queriam transferir o problema para o povo.



Perguntinha


O governo está arrependido dos milhões gastos com o referendo?

Maria Duarte e equipe
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