INFORME FOLHA
Referendo
Prognósticos apontam empate técnico ou vitória do ''não'', o voto de quem é contra a proibição do comércio de armas. A tendência, na véspera da votação, é muito diferente daquela de 20 dias atrás, quando o ''sim'' parecia vencer com larga margem. A campanha pela proibição, a do ''sim'', contava com dois aliados: a desinformação conforme denúncia da revista Veja e os apelos de artistas de uma grande rede de televisão. Por algumas semanas, distorções levaram o povo a confundir que seria um desarmamento. Mas logo chegou-se à conclusão de que o único a ser desarmado seria o povo, que acordou.
Show de incompetência
Os brasileiros estão chocados com as imagens de matança dos animais. Além do cenário, por si só desgradável, há também o desperdício: num país de tanta miséria, toneladas e mais toneladas de alimento nobre são jogadas em vala de três a cinco metros. O governo federal tem dado um show de incompetência em matéria de controle da aftosa. Primeiro, negligenciou no controle preventivo. O aparecimento da doença demonstra relaxo, indiferença. O ministro Roberto Rodrigues não tem como explicar.
Vergonha
Depois do vexame, vieram as acusações: o ministro da Agricultura acusando o ministro da Fazenda, que não teria repassado verbas. Lula recomenda a Rodrigues que não critique Palocci publicamente. Alguns dias depois, os jornais divulgam a distribuição de verbas: algo difícil de explicar, porque Estados como o Piauí receberam os mesmos valores que o Paraná, entre outras distorções. As trapalhadas continuaram e esta semana Rodrigues e o governador Zeca do PT divergiram publicamente por causa de indenizações.
PT é quem defende
Nada mais paradoxal do que essa briga entre o ministro e o governador. O governador, que é do PT, defende indenização de quem teve o gado abatido. Já o ministro que teoricamente representa os produtores acha que a indenização deve ficar condicionada à comprovação da vacina. Ora, se interessa ao governo manter o rebanho sadio, devidamente vacinado, por razão econômica, a exigência da vacinação deveria ter ocorrido na época ideal, logo após as campanhas, como rotina. Não devendo ter nenhuma relação com indenizações. A penalidade para quem não vacinou não deve ser negociada diante de circunstâncias e sim deve ser aquela naturalmente prevista em lei.
Paraná
Exatamente cinco anos e cinco meses depois de receber o reconhecimento da Organização Internacional de Epizootias (OIE) como área livre de aftosa com vacinação e a menos de duas semanas da segunda etapa de vacinação, a partir de 1º de novembro , a pecuária paranaense foi sacudida ontem com suspeita da febre aftosa no Estado. Péssima notícia para o agronegócio estadual.
Coxias do palco político
Corre nos bastidores a seguinte tese: o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PMDB) que cobiça uma das 81 cadeiras de senador , poderia sair como vice do governador Roberto Requião (PMDB) em 2006. A simples menção da idéia está tirando o sono de muitos políticos no Paraná. Por enquanto, nada de concreto, mas sempre vale a máxima de que, em política, tudo é possível.
Cinco Conjuntos
Devem começar na próxima semana as obras de duplicação na Carlos João Strass. Segundo a Secretaria dos Transportes, além da duplicação serão construídos um viaduto, três passarelas e uma ciclovia. A empreiteira responsável é a Ferreira Guedes, de São Paulo. As obras contemplam 4,2 quilômetros e custarão R$ 11,3 milhões.
Bola de Cristal
Durante palestra em Curitiba, no Intertrading 2005, na tarde de quinta-feira, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega exercitou seus dons de futurologia e traçou projeções para o ano que vem. Quanto à política, traçou cenários possíveis. 1) Vence o PSDB. Na opinião do ex-ministro, isso tem 45% de probabilidade de acontecer. 2) Lula (PT) se reelege, o que teria 40% de chances de se concretizar. 3) Lula não disputa (10% de chance). E 4) Impeachment de Lula. O ex-ministro calcula 5% de probabilidade.
Traído?
Sobre o presidenciável Anthony Garotinho, o ex-ministro avaliou que que ele será traído. É provável. O PMDB não morre de amores por ele. Muito menos o PMDB do Rio de Janeiro, em tese a sua casa.
Inflação campeã
A economia, na visão do ex-ministro, andará muito bem no ano que vem. O que Maílson da Nóbrega não disse mas que muito brasileiro lembra é que nos idos de 1988 a inflação no ano subiu de 366% para cerca de 930%. Uma excrescência.
Balanço geral
Requião encomendou um balanço das escolinhas (que acontecem toda terça-feira) e também dos programas de treinamentos e qualificação dos funcionários públicos. Dependendo dos resultados, os subordinados, desde secretários a bagrinhos, correm o sério risco de ser escrachados em público.
Dízimo
O Ministério Público Federal oficiou o PT, a Procuradoria Geral de Justiça do Paraná e a Procuradoria Geral da República a respeito do dízimo cobrado de filiados do partido que ocupam cargos e funções de confiança. O MPF sustenta que uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considera esse tipo de cobrança ilegal.
Perguntinha
Quem será escolhido bode expiatório da aftosa no Brasil?
Maria Duarte e equipe
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