Divisão Panzer


Depois de ter sido obrigado a empurrar goela abaixo a vitória do pernambucano Severino Cavalcanti, o Planalto ficou com pavor de repetir a experiência da derrota e entrou de sola para emplacar o ex-ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), na presidência da Câmara. O rolo compressor passou com tudo. Mesmo assim, Rebelo foi eleito com uma diferença mínima, de apenas 15 votos sobre José Thomaz Nonô (PFL-AL). Três ministros foram ao Congresso pressionar os deputados a votarem em Rebelo. Essa forma de fazer política, atropelando a democracia com um 'rolo', tão criticada por quem está na oposição, é característica dos governos quando a situação aperta. A incerteza traz o jogo duro. Em qualquer governo.


Prós e contras


Aldo Rebelo tem bom trânsito no Congresso e no Executivo. Isso, somado ao fato de ser um nome fora do PT (portanto com menos cara de vidraça), fez dele um candidato relativamente palatável nos corredores da Câmara. Por outro lado, os deputados contrários a Rebelo entendem que ele não é o presidente adequado porque não tem isenção, está obviamente vinculado ao governo federal. Deputados lembraram que Rebelo participou da tentativa de abafar a CPMI dos Correios e foi testemunha de defesa de José Dirceu, duas posturas que lhe renderam críticas na Casa.


O derrotado


Uma das avaliações correntes sobre a derrota de Nonô é que ele atuaria mais como uma espécie de 'magistrado' no comando da Casa, com um perfil menos comandado pelo Planalto.


Day after


Pior que engolir a vitória de Rebelo foi assistir de camarote à passagem do rolo compressor, na avaliação de alguns. O deputado Eduardo Sciarra (PFL-PR) disse ontem à Folha, por telefone, que a cooptação de votos ''foi coisa nunca vista''. ''Houve intervenção direta do Executivo no Legislativo e foi ostensiva'', reclamou o pefelista. Já o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, classificou a eleição de ''novo show de fisiologismo''.


Pizza gigante


Até os vereadores de Curitiba ficaram indignados com o resultado da eleição em Brasília. Na opinião do vereador Reinhold Stephanes Júnior (PMDB), agora os processos de cassação vão demorar para tramitar e ''muitos vão se safar''. ''Não vai ser uma pizza brotinho, vai ser uma pizza gigante'', disparou. ''Assisti pela TV Câmara e vi que entre os primeiros a aplaudir (a vitória de Aldo) estavam o José Dirceu e o João Paulo Cunha, do PT'', falou.


Metropolitanas


Ao lado de Londrina e Maringá, mais uma cidade vai tentar emplacar uma região metropolitana. O deputado Jocelito Canto, do PTB, apresentou na Assembléia Legislativa a proposta de criar a região metropolitana de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Quem sabe juntas as três cidades têm mais força. A briga para criar as RMs no Norte se arrasta há anos.


Cidadão do Paraná


O ex-prefeito de Londrina e ex-secretário de Saúde do Estado, Dalton Paranaguá, recebe hoje, em Londrina, o título de Cidadão Honorário do Paraná. A sessão solene de outorga do título será realizada na Câmara Municipal, às 20 horas. A homenagem será concedida pela Assembléia Legislativa, por projeto da deputada Elza Correia (PMDB) e do deputado Barbosa Neto (PDT).


Obras


O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Adylson Motta, entregou ontem de manhã ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a relação de obras públicas fiscalizadas pelo TCU este ano, com o propósito de ajudar o Congresso na votação do Orçamento de 2006. Entre as obras que teriam indícios de irregularidades, na visão do tribunal, está uma no Paraná, na BR-487 (Porto Camargo - Campo Mourão).


Fiscalização


Entre março e julho deste ano foram auditadas 415 obras em todo o País. Desse total, foram identificados indícios de irregularidades graves em 72 empreendimentos, para os quais o tribunal recomenda a paralisação da execução orçamentária, física ou financeira. O volume de recursos fiscalizados soma aproximadamente R$ 20 bilhões, pelos cálculos do TCU.


Alto custo


O ministro Valmir Campelo, relator do processo, destacou que o elevado custo das obras públicas continua sendo o principal problema a ser enfrentado pelos órgãos de controle. Segundo ele, as ocorrências de sobrepreço e de superfaturamentos respondem por 21% do total de 228 irrregularidades graves com paralisação identificadas nos diversos contratos dos programas de trabalho fiscalizados.


Sem-terra


Dois trabalhadores rurais sem-terra foram absolvidos por unanimidade esta semana num julgamento em Guarapuava. Ademir Veigas e Marciano Zanrosso eram acusados de tentativa de homicídio e porte ilegal de armas. Veigas ainda responde outro processo por homicídio. O segundo julgamento está marcado para o dia 17 de outubro.


Orçamento


A Comunicação Social do governo terá à disposição cerca de R$ 35 milhões no ano que vem, conforme a previsão orçamentária que ainda será votada na Assembléia Legislativa.


Emendas


A última proposta orçamentária do Estado recebeu cerca de mil emendas dos deputados. O deputado Marcos Isfer (PPS), relator da Comissão de Orçamento, disse ontem que espera número igual ou maior para este ano.


Perguntinha


Com Aldo Rebelo no comando, o que o eleitor pode esperar dos processos de cassação na Câmara?


Maria Duarte e equipe
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