Mão na roda


Ser líder da oposição na Assembléia Legislativa está sendo um verdadeiro passeio no parque. Que o diga Valdir Rossoni (PSDB). Volta e meia a bancada governista dorme no ponto e abre brechas regimentais para que a oposição impeça a aprovação de projetos de interesse do governador Roberto Requião (PMDB), como aconteceu com o projeto que autorizava a contratação excepcional de funcionários. Isso sem falar em toda a munição contra membros do governo que, pasmem, costuma vir de dentro do próprio Palácio Iguaçu. Rossoni está só tendo o trabalho de coletar e organizar as denúncias, e ainda se dá ao luxo de reservar os temas mais picantes para os dias em que o plenário está mais cheio.


Sugestão


Problemas mesmo, Rossoni só aponta fora da Assembléia. Segundo ele, desde que levou documentos com denúncias contra o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, começou a sofrer ameaças de morte. Para saber se as ameaças são pra valer, só mesmo grampeando o telefone do deputado com o aparelho Guardião.


Segura mais essa


Exemplo de tiroteio desnecessário dentro do primeiro escalão do governo: as declarações do secretário estadual de Justiça Aldo Parzianello à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia ontem. Parzianello foi convocado para explicar as condições desumanas a que estão submetidos os presos na cadeia pública de Paranaguá. Logo que começou a sessão, Parzianello tratou de tirar sua pasta da reta - afirmou que a responsabilidade sobre a delegacia parnanguara era do secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari. Como se Delazari já não tivesse problemas suficientes...


X-9


Quando se exime da responsabilidade dessa maneira, Parzianello comete o que na gíria dos detentos de Paranaguá é conhecido como ''trairagem''. As carceragens das delegacias são de fato responsabilidade da Secretaria de Segurança, e não se pode perdoar o descaso com a ''cadeia do bacilo''. Mas a superlotação em Paranaguá tem dois motivos sobre os quais Delazari não tem controle direto: a demora da Justiça em julgar as ações penais contra os detidos e, principalmente, a falta de vagas no sistema prisonal. E a competência para construir novos presídios é única e exclusiva de Parzianello.


Todos têm culpa


E não adianta o secretário de Justiça argumentar que no final do ano que vem teremos mais 10,4 mil vagas no sistema prisonal. Com um pouco de vontade política os novos presídios já poderiam estar inaugurados há tempos. Parzianello devia ter tido uma postura mais ética e assumido a co-paternidade do problema em Paranaguá, em vez de deixar apenas Delazari com o mico.


'Personal carcerator'


Depois de se eximir da responsabilidade sobre a cadeia de Paranaguá, Parzianello deu um depoimento descontraído. Chegou até a fazer sua gracinha. Ao terminar a sessão, apresentou um relatório de estudantes de Nutrição do Unicemp que teriam feito uma análise da nutrição dos presos da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara. A conclusão: a massa corpórea dos presos é de excelente a boa, equiparada a dos jogadores profissionais de futebol do Coritiba. Basta saber se os coxas vão gostar da comparação. E saber o nome do personal trainer da PCE.


Deu pra cabeça


O governador Roberto Requião (PMDB) perdeu a paciência com José Domingos Scarpellini (PSB), que, desde que assumiu o cargo de deputado estadual no início do ano, vem sendo um dos críticos mais ferinos do governo estadual. Requião pediu ao presidente da Assembléia Hermas Brandão (PSDB) a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra Scarpellini pelo que qualificou como ''acusações levianas'' contra a administração do Porto de Paranaguá. Anexo ao pedido, Requião enviou um ''dossiê'' contra Scarpellini - mantido (ainda) em sigilo para a imprensa.



Bons serviços prestados


Vai ser curioso analisar quem serão os nomeados para ocupar os 143 cargos em comissão criados pela Prefeitura de Curitiba e aprovados pela Câmara de Vereadores. Com pouquíssimas exceções, esse tipo de cargo é usado para acomodar correligionários políticos. E o prefeito Beto Richa (PSDB) deve sua eleição a uma variedade de grupos que o apoiaram, oriundos de vários partidos. Já tem gente que vai ficar de olho no Diário Oficial do município para ver quais os caciques que serão privilegiados com a nomeação de seus apadrinhados. Tem gente apostando que o grupo de Osmar Dias (PDT) leva o filé mignon das indicações.


Muitas bocas


Aliás, se PFL, PDT, e PSDB conseguirem formalizar a aliança que idealizam para enfrentar o governador Roberto Requião, 143 cargos de confiança não vão dar nem pro cheiro.


Perguntinha


Não seria hora de a Associação Comercial de Londrina (Acil) fazer algo contra a insegurança e outros problemas da cidade?

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