Segunda época
O governador Roberto Requião (PMDB) estava mal humorado ontem e não escondeu a irritação. Na ‘‘escolinha’’ semanal, no Museu Oscar Niemeyer, ele não poupou críticas ao secretário estadual de Turismo, Luiz Caron, que apresentou um vídeo institucional sobre as belezas naturais do Paraná. Numa escala de zero a 10 – analisou o governador – a nota para o vídeo seria 2,5. Resultado: o secretário está bem abaixo da média...

Cabeça cheia
Depois da espinafrada, movimentação intensa de assessores para descobrir o porquê do ‘‘azedume’’ de Requião. Muitos apostaram que os motivos estariam dentro do prédio da Assembléia Legislativa, onde os bastidores estão em polvorosa devido a denúncias contra o secretário de Segurança Luiz Fernando Delazari. As fontes continuam as mesmas: o desafeto preso Valdir Copetti Neves, oficial da PM. A mais bombástica é a que acusa o secretário de empurrar para debaixo do tapete uma investigação contra seu irmão, Carlos Emiliano, acusado de tentar entrar, em 2002, com drogas no presídio do Ahu, em Curitiba.

A vida imita a arte
A versão oficial para a apreensão é a de que Carlos Emiliano visitava o traficante Celso Eduardo Mendes para negociar a venda de um imóvel. Carlos Emiliano teria feito uma gentileza para a família do preso e levado roupas para Celso, e numa dessas peças foi encontrada cocaína. O irmão de Delazari teria sido usado então como um laranja – assim como a personagem Sol da novela das oito, que sem suspeitar também foi usada como ‘‘aviãozinho’’ no capítulo de segunda-feira. Mas Sol acabou atrás das grades.

Não mete o irmão no meio
Delazari nunca foi unanimidade dentro da Assembléia Legislativa – nem mesmo entre os deputados que integram a base aliada. Mas como as denúncias contra o secretário adquiriram cunho pessoal, muitos dos críticos decidiram mostrar apoio a ele. É uma espécie de código não-escrito de ética dos parlamentares: quando as denúncias passam por membros da família dos políticos, cria-se uma espécie de solidariede orgânica entre a classe.

Peru de fora
Se na Assembléia Delazari nunca foi muito bem quisto, entre seus comandados o secretário também padece de suspeições. Muitos policiais civis e militares não se conformaram até hoje com o fato de algúem de fora da carreira assumir o comando da Segurança Pública paranaense. Delazari veio dos quadros do Ministério Público (MP) Estadual, onde desempenhou a função de promotor até maio de 2003.

Cai ou não cai?
Aliás, a licença concedida pelo MP para que Delazari exerça suas funções na secretaria expira em três semanas. Muitos alcoviteiros do Palácio Iguaçu sugerem que o momento é mais que perfeito para que Requião troque o comando da pasta por alguém menos polêmico e que possa pacificar as polícias nesse final de mandato. O MP, porém, já anunciou que não teria problema nenhum para renovar o afastamento de Delazari a pedido de Requião.

Questão de indicação
O presidente estadual do PTB, deputado federal Alex Canziani, marcou uma reunião hoje para decidir quanto ao apoio ao governador Roberto Requião (PMDB). Mas o empresário Flávio Martinez, inicialmente indicado para a Secretaria de Indústria e Comércio, disse ontem que seu sobrinho, o diretor administrativo da rede de televisão CNT, Rodrigo Martinez, é quem vai assumir o cargo pelo partido. Certo mesmo, por enquanto, só a saída do atual secretário, Luiz Mussi.

Situação insustentável
O deputado estadual Luiz Nishimori (PSDB) denuncia: não é só culpa de São Pedro o drama vivido pelos agricultores de todo o Estado. Embora a estiagem tenha sido um golpe duríssimo para os produtores paranaenses, o tucano alerta para a existência de um verdadeiro cartel entre as empresas que fornecem insumos para os agricultores. ‘‘O que se vê é um monopólio, um abuso do poder econômico das empresas fornecedoras. São poucas as empresas que controlam o mercado de insumos, cobram muito alto pelo repasse e pagam pouquíssimo ao agricultor, que tem que se submeter a este absurdo’’, alertou.

De mãos dadas
A romaria de políticos parananeses ao gabinete do ministro do Planejamento Paulo Bernardo parece não ter fim. Ontem, o senador Osmar Dias e deputados federais e estaduais pediram para o ministro agilizar o início das obras no trecho de 82 km da BR 153, que liga Ventania a Tibagi. A rodovia chamada de Transbrasiliana vai do Pará ao Rio Grande do Sul, mas está interrompida no Paraná. ‘‘Os benefícios alcançam não apenas a população dos Campos Gerais, mas de todo o país. A inclusão de verbas para o trecho foi feita pelo próprio governo federal, que tem interesse logístico em ligar a região Sul ao resto do país’’, relembrou o deputado federal Eduardo Sciarra (PFL).

Haja paciência
Uma das pragas mais irritantes decorrentes da expansão da internet é a multiplicação dos spams – e-mails não solicitados que podem conter propagandas, informações falsas e até mesmo vírus. Que o diga uma dona de casa de Curitiba. Ela tem o mesmo número de telefone do serviço Justiça Volante, de Brasília. O serviço consiste em uma van do juizado de Pequenas Causas que vai até o local onde ocorreram acidentes de trânsito para mediar o acordo entre os motoristas. Só que o e-mail alardeando o serviço corre a web sem o DDD do Distrito Federal, e sem mencionar que o serviço está disponível apenas na capital do país. E a pobre dona de casa não agüenta mais atender telefonemas de motoristas desesperados.

Perguntinha
A Segurança Pública no Paraná é um caso de polícia?

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