Esqueçam o que eu escrevi


Nada como uma eleição após a outra. Em 2002, o presidente estadual do PFL Abelardo Lupion ficou furibundo com o desempenho da sigla nas eleições para governador, deputado federal e estadual. Disse que a decisão do PFL de se atrelar a candidatura do PSDB de Beto Richa ao governo foi um ''suicídio eleitoral'' e que ''partido que quer crescer tem que ter candidato próprio''. Agora, Lupion mudou radicalmente de idéia. Quer mesmo é ver o PFL desembarcando de mala e cuia na campanha de Osmar Dias (PDT). E defendeu que os pefelistas abram mão de ''projetos pessoais'' para tentarem voltar agarrados em Osmar ao Palácio Iguaçu.


Ronin


O recado de Lupion é voltado para o ex-prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi, que estaria interessado em disputar o governo pelo PFL. Mas nessa empreitada Taniguchi é um verdadeiro samurai solitário. Olha para os lados e não vê quase nenhum dos aliados que lhe cercavam quando ainda era prefeito todos já perfilados ao lado de Osmar. O desrespeito às pretensões de Taniguchi é tamanho que no encontro do PFL de ontem já se plantava a informação de que, além do ex-prefeito, o vereador de Curitiba Fábio Camargo também era um dos pré-candidatos do PFL ao governo. Camargo foi inclusive elogiado pelo mega-empresário Joel Malucelli, nova ''contratação'' do PFL.


Balão de ensaio


O lançamento da candidatura de Camargo pode significar duas coisas: ou é o que se chama no jargão militar de uma ''manobra diversionista'' para barrar Taniguchi ou é puro alívio cômico para baixar o stress pré-eleitoral. Camargo teria mais chances de ser escolhido papa do que de vencer uma eleição contra cobras criadas como Roberto Requião (PMDB), Osmar Dias e Rubens Bueno (PPS). Vá lá que em 2004 Camargo foi um dos vereadores mais votados em Curitiba. Mas dois anos antes não conseguiu nem se eleger deputado estadual. Tem apelo zero no interior.


Acordo branco


Camargo poderia sim funcionar como um plano B caso a verticalização das alianças discutida no Congresso impeça o PFL de se coligar com o PDT de Osmar Dias. O vereador serviria então como um candidato de fachada enquanto a nata do PFL trabalharia por baixo dos panos na candidatura do pedetista. Não seria uma tática nova. Em 2004, Osmar Bertoldi prestou-se a esse papel enquanto o séquito pefelista apoiava o hoje prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB).


É só comigo


O presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Luiz Cláudio Romanelli, quase conseguiu discursar sem ser interrompido. Durante inauguração de casas populares em Rolândia, foi só pegar o microfone para ser cobrado por uma moradora na platéia. Segundo a mulher, que falava alto, ''há meses'' ela não recebe a cesta básica para sustentar o filho doente. ''É sempre na minha vez, sempre'', reclamou Romanelli, enquanto dois seguranças afastavam a ''intrusa''.


Modelo de Goebbels


Estão fazendo com o secretário de Estado da Segurança, Luiz Fernando Delazari, o que Josef Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler, fez com seus adversários. É o que diz uma nota assinada pelo secretário ontem para responder às insistentes acusações de envolvimento com drogas, grampos ilegais, entre outras, que vem sofrendo. ''E que Goebbels ensinava? Ele dizia: repita uma mentira à exaustão, continuadamente, sem trégua, que ela acabará ganhando status de verdade.'' ''Nesses últimos dias eu tenho experimentado os efeitos desse ensinamento'', diz a nota.



Nostradamus


Tem quase tom de profecia a frase do governador Roberto Requião quando ainda era candidato em 2004 e questionava a política de ''Tolerência Zero'' que seu rival Alvaro Dias (PSDB) pretendia implementar na polícia se fosse eleito governador. ''Imagine que seu filho sai de casa num Gol branco, e na mesma hora um banco é assaltado e os marginais fogem num Gol branco. A polícia vai atirar primeiro e perguntar depois?'', perguntou na época Requião.


Alvo errado


Pois situação semelhante à descrita por Requião aconteceu com o comerciante Vilson César da Luz, que foi confundido com assaltantes de caixas eletrônicos no dia 15 de abril. A diferença é que o comerciante dirigia um Doblô quando foi alvejado na cabeça pela polícia. Vilson foi internado na UTI, mas segundo o Hospital do Trabalhador recuperou-se e já teve alta. Vilson estuda a possibilidade de entrar com uma ação contra o governo para reparação de danos.


De mãos dadas


Apesar de ainda não ter sido anunciado oficialmente pelo Palácio Iguaçu, o empresário e vice-presidente nacional do PTB Flávio Martinez é o novo secretário estadual de Indústria e Comércio. A informação foi confirmada por vários deputados estaduais do PMDB. A nomeação sela de vez a aliança entre o PTB e o PMDB para 2006.


Ornitologia


Depois da tarifa de ônibus a R$ 1,00, a ''domingueira'' o prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) lança agora o ingresso a R$ 1. Tem gente que já não sabe se Beto realmente é um prefeito tucano ou um prefeito beija-flor alusão à ave que ilustra a cédula de um real.


Perguntinha


O apoio do PFL para Osmar é bom ou é ruim?

Rodrigo Sais (interino) e equipe
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