Fogo cruzado


Situação sui generis ontem no Congreso Nacional. Em uma sala, o secretário estadual de Segurança Luiz Fernando Delazari prestava depoimento na CPI da Terra sobre a atuação de milícias armadas em conflitos fundiários. Ao mesmo tempo, o tenente-coronel Valdir Copetti Neves, acusado de comandar uma milícia armada na região de Ponta Grossa, prestava depoimento na CPI do Tráfico de Armas. Na CPI da Terra, Delazari disparava contra Neves na outra comissão, era o tenente-coronel que incriminava Delazari.


Liminar


Na CPI do Tráfico de Armas, o nível foi lá embaixo em certos momentos. O deputado Alberto Fraga (sem partido-DF) amparou-se na sua imunidade parlamentar para fazer acusações pesadíssimas e sem provas. ''O que a CPI tem que investigar são denúncias graves não contra esse homem (Neves), mas sim contra um secretário de Segurança do Paraná. Denúncias inclusive relacionadas com drogas. Não é com tráfico, mas ele gosta de cheirar um pozinho'', acusou.


A máquina se move


Os secretários de Estado receberam a missão de chamar na chincha todos os ocupantes de cargos comissionados e fazer a rapaziada arregaçar as mangas. O recado é claro: ou se mostra serviço nesse ano e meio antes das eleições, ou não vai ter serviço para ninguém nos quatro anos seguintes. A preocupação é rebater o principal mote da oposição a Roberto Requião (PMDB) a de que o governo apenas destrói e não constrói nada.


Ajustes necessários


A mobilização dos escalões inferiores equivale a cutucar uma colméia. O natural é que na correira aconteçam alguns ajustes no operariado. Resta saber o que Requião irá fazer com os secretários estaduais, especialmente os que andam sob fogo cerrado tento fogo amigo como inimigo. Ou Requião blinda o batalhão que carregou o piano ou deixa pra trás os mais feridos em busca da agilidade da tropa.


Esqueceram de mim


Ficou no mínimo estranho. O Centro Universitário Positivo (Unicenp) trouxe para Curitiba, na última terça-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para dar uma palestra e depois ofereceu um jantar ao político. Porém a recepção foi para poucos. Com exceção do presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), nenhum outro deputado do partido foi convidado. O mesmo aconteceu na Câmara de Vereadores. Apenas o presidente da Casa, Luiz Cláudio Derosso (PSDB), foi convidado. Nos corredores da Assembléia ontem era possível ouvir os buchichos...


Dormindo no ponto


Depois que o líder da oposição da Assembléia, Valdir Rossoni (PSDB), ''lembrou'' na última terça-feira que o governo do Estado não fez a prestação de contas do último quadrimestre de 2004 aos deputados, a apresentação foi logo marcada. ''Houve uma falha na apresentação, mas logo vai ser sanada'', explicou o presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), que já tratou de agendar para a semana que vem. ''Mas a secretaria da Fazenda disse que já entregou a prestação. Mas não vieram apresentar. Eles reclamam que nenhum deputado fica para ouvir, só o presidente'', comentou o líder do governo Dobrandino da Silva (PMDB).


Off


A informação ainda não é oficial. Mas nos corredores da Assembléia Legislativa ontem já parecia confirmado. O empresário paranaense do ramo de supermercados, Joanir Zonta (PTB), deve ser mesmo anunciado pelo governador Roberto Requião (PMDB) como novo secretário de Estado da Indústria, Comércio e Assuntos de Mercosul. O anúncio pode sair junto com o nome que ocuparia a secretaria de Estado de Governo, que deve ser criada para fazer a coordenação política do governo. Quanto a este último nome, o líder do governo na Assembléia, Dobrandino da Silva (PMDB), foi enfático: ''Não pode ser alguém que vá concorrer às eleições em 2006.''


Abandonando o barco


O PSL perdeu seu único representante na Assembléia Legislativa. O deputado Luiz Carlos Martins (sem partido) desfiliou-se da sigla e ainda não sabe para onde vai. ''Tanho convite do PDT e do PSDB. Mas preciso pensar no meu eleitorado antes de decidir'', afirmou. Pensar no eleitorado significa evitar o que aconteceu em 1986 com o próprio deputado: Martins teve 54 mil votos que não foram suficentes para que ele se elegesse porque estava em uma sigla fraca, o PSC.


Muito didático


Fúria na Dominó Holdings, detentora de 34,75% das ações da Sanepar. A reunião de terça-feira do Conselho de Administração da Sanepar deixou os acionistas do consórcio revoltados. A Dominó Holdings perdeu a diretoria de Operações, que pelo acordo de acionistas (atualmente sub-júdice) seria de indicação do consórcio. Mas a dor maior foi no bolso: a assembléia deliberou que os dividendos referentes ao ano de 2004, que somam cerca de R$ 53 milhões, não serão pagos aos acionistas.


Muito didático


E não parou por aí. A Dominó Holdings também perdeu duas cadeiras no Conselho de Administração da Sanepar. Agora, os ''parceiros'' do governo na Sanepar detêm apenas uma das nove cadeiras. E segundo fontes ligadas ao Conselho, a perda das cadeiras deveu-se a uma barbeiragem do consórcio, que não atendeu a uma formalidade necessária para exercer seus votos durante a Assembléia.


Perguntinha


A Dominó Holdings vai pra Justiça ou engole o sapo quieta?

Rodrigo Sais (interino) e equipe
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