INFORME FOLHA
Efeito Severino
O deputado federal Severino Cavalcanti (PP-PE) mal assumiu o posto de presidente da Câmara dos Deputados, em Brasília, e já tem vereador de Londrina pensando no efeito que a mudança pode causar por aqui. Na conturbada sessão de ontem à tarde (veja matéria nesta página), nos bastidores, tinha gente defendendo o projeto de resolução lembrando que seria ''muito pior'' um aumento de salário para ''R$ 9 mil ou R$ 10 mil'' este ano. Cavalcanti foi eleito sob a promessa de equiparar os salários dos deputados (R$ 12,8 mil) com os salários no Superior Tribunal de Justiça o que pode elevar o contracheque dos parlamentares para módicos R$ 21,5 mil.
Pesadelo
Prevalecendo a proporcionalidade, deputados estaduais receberiam 75% do novo valor, seguidos de carona pelos amigos vereadores que, em tese, deveriam receber 60% do que fatura um deputado estadual. Sonho para eles, pesadelo para os contribuintes.
Uma língua, dois idiomas
O resultado da sessão de ontem à tarde na Câmara de Londrina mostrou a falta de sintonia entre membros de um mesmo partido. Basta ver a lista dos votos contra e a favor. O PTB é um exemplo. Luiz Carlos Tamarozzi (voto contra) chegou mesmo a afirmar que não, o assunto não foi discutido ''politicamente'' entre ele e o colega Sidney de Souza (voto a favor). ''Falamos como amigos, mas cada um respeitando a posição do outro'', explicou. Entendeu?
Só quinhentão?
Presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), jura que a aprovação de reajuste da verba de gabinete dos vereadores não arranha em nada a imagem do Legislativo. Afinal, pelas contas dele, na entrevista coletiva de ontem, R$ 500 a mais a cada assessor o que significa R$ 2,5 mil a mais rateados entre cinco novos comissionados ''é pouco'' pelo trabalho exercido. Que o trabalhador que sobrevive com o mínimo de R$ 260 não o ouça.
Teixeirinha
Os advogados dos familiares do líder sem-terra Diniz Bento da Silva, que ficou como Teixeirinha, anunciaram ontem que foi protocolado o pedido de execução de título judicial, contra o Estado do Paraná, na 1 Vara da Fazenda Pública de Curitiba. Teixeirinha morreu em um confronto com a Polícia Militar em 1993, durante o primeiro governo Roberto Requião (PMDB).
Indenização
A ação de reparação de danos materiais e morais foi ajuizada em 1994. Oito anos depois, a viúva conseguiu o direito de receber pensão vitalícia para ela e o filho, Marcos. De acordo com o advogado do caso, Sérgio Zandoná, o valor da indenização chega a R$ 682.871,41, incluindo os honorários advocatícios. A pensão para a família foi fixada em 2,25 salários mínimos até o ano de 2.012.
Bingos, de novo
O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, planeja abrir em breve uma investigação contra o advogado Michel Saliba, que fazia a defesa de um bingo em Curitiba.
Filiação
O Gustavo Fruet (sem partido) filia-se ao PSDB na próxima segunda-feira. Fruet deixou o PMDB em setembro do ano passado, decepcionado com o não lançamento de candidatura própria à Prefeitura de Curitiba. Junto com Fruet, outro ex-peemedebista assina ficha no PSDB, o vereador de Curitiba Celso Torquato.
Tarifa do ônibus
O pessoal que anda de ônibus sem pagar, em Curitiba, foi o tema da terceira reunião da Comissão de Estudos da Tarifa, ontem. A comissão discutiu o peso das isenções e gratuidades no preço final da passagem de ônibus (quem tem mais de 65 anos ou foi aposentado por invalidez, por exemplo, não paga).
Continua
As pessoas que não pagam tarifa fazem quase quatro milhões de deslocamentos por mês (15% dos 27 milhões de deslocamentos mensais). O percentual é compensado no preço cobrado dos pagantes. Isso significa que, dos R$ 1,90 cobrados na tarifa, quase trinta centavos servem para cobrir os benefícios. A Urbs não cogita suspender os benefícios. Vai tentar achar fontes para compensá-los.
Petróleo
Adiado para o próximo dia 23 o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade número 3273, do governo do Estado contra a Lei 9.478/97, a Lei do Petróleo. O governo Requião questiona a sexta roadada de licitações de poços de petróleo, que aconteceu há seis meses. O relator é o ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Tsunami econômico
Os industriais do Paraná ficaram indignados com o sexto aumento seguido na taxa básica de juros, a Selic, definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Nas palavras do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, o Copom ''continua míope''. ''Juro alto significa menos investimentos no setor produtivo e mais renda para o sistema financeiro'', reclamou. Rocha Loures disse que o impacto da estratégia do BC pode ser comparado ao desastre na Ásia. ''Vai arrasar nossa economia''.
Juro real
A Selic foi aumentada de 18,25% para 18,75% ao ano. Dados da Fiep mostram que mesmo antes da elevação da taxa básica para 18,75%, o Brasil já pagava o maior juro real do mundo (11,8%). Em segundo lugar está a Turquia, com 7,5%.
Perguntinha
Muito contribuinte revoltado com a festa dos deputados federais?
Maria Duarte e equipe
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