INFORME FOLHA
Ricos e pobres
Veneninho que corria ontem na primeira reunião de secretariado da nova gestão do prefeito Nedson Micheleti (PT): as duas salas reservadas para as confabulações seriam, na verdade, uma divisão entre a ''ala rica'' e a ''ala pobre''. Na primeira, os presidentes de companhias como CMTU, Codel e Sercomtel dividiam a mesa com os titulares de Obras, Meio Ambiente e Agricultura. Na salinha da misericórdia, ficaram os secretários da Saúde, Assistência Social, Educação e Cultura, além do presidente da Acesf.
Não entendeu
Ao ser questionado no serpentário para qual sala iria, o presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca, respondeu com bom humor. ''Me deixaram no meio dos ricos, mas eu não entendi porquê.''
Dura realidade
Um dos maiores desafios dos governos é reduzir as desigualdades sociais e garantir condições mínimas de vida às famílias carentes. As grandes cidades estão rodeadas por áreas de invasão, favelas ou até mesmo bairros pobres em infra-estrutura onde crianças morrem de diarréria em pleno século XXI. Provavelmente muitas mães nunca ouviram falar em soro caseiro. As crianças que sobrevivem caminham descalças até as avenidas e pedem ''umas moedinhas''.
Contraste
A Folha publicou ontem uma reportagem mostrando a realidade de famílias de Londrina que (sobre)vivem com o esgoto na porta de casa. Hepatite, verminoses e esquistossomose viraram rotina. Enquanto isso, os cachorros das madames tomam banho com xampu importado e passam o feriado em hotelzinho.
Decisão
O deputado federal Gustavo Fruet (sem partido) decide até o final do mês em qual partido vai assinar ficha. O bolão de apostas está entre o PSDB e o PDT desde que ele pediu desfiliação do PMDB, em setembro do ano passado. O deputado quer definir sua filiação antes do início do ano legislativo, no mês que vem.
Decepcionado
Gustavo estava no PMDB desde 1991. Decidiu sair depois de ver naufragar seu desejo de lançar a candidatura própria a prefeito de Curitiba.
Papagaios
Os ambientalistas estão preocupados. Durante o verão, época de reprodução do papagaio-de-cara-roxa, é também época de contrabando dos filhotes. Essa espécie pode ser encontrada no Litoral do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Os turistas, compradores em potencial, acabam fomentando a venda ilegal dos filhotes.
Em extinção
Segundo a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), que desde 1997 tenta reverter o processo de extinção da espécie, o número de indivíduos subiu de 3.600 para 4.900.
Ninhos
No Paraná, a ONG monitora os locais de reprodução nas Ilhas Rasa, das Peças, Gamelas, Ilha Grande e Ilha do Mel. Ainda no ninho, os filhotes recebem um rádio-colar e o deslocamento das aves passa a ser monitorado.
Repique
A Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior faz questão de frisar que os hospitais do Interior recebem recursos, assim como os da Capital. Em resposta a notas do Informe, no final de dezembro, sobre o repasse de verbas a hospitais de Curitiba, a Secretaria informa que, em 2004, ''vários convênios foram assinados prevendo repasse de novos recursos''. Para o HU da UEL o valor era de R$ 660 mil R$ 300 mil para o programa Implantação e Consolidação da Rede Paranaense de Terapia Celular (transplante de medula óssea) e R$ 330 para o programa de Equivalência e Bioequivalência de Medicamentos.
Outros
Para o HU da UEM, os repasses somaram R$ 270 mil para o programa de terapia celular já citado, e R$ 900 mil para o programa de Equivalência e Bioequivalência de Medicamentos. Para o HU da Unioeste, R$ 350 mil para o programa de Equivalência e Bioequivalência de Medicamentos e R$ 85 mil para a informatização do hospital. Para este ano estão previstos, para atendimento do programa de terapia celular, R$ 523 mil para o HU da UEL e R$ 228 mil para o HU da UEM.
Isca
No final deste mês, o presidente Lula vai tentar atrair investimentos para o País. A estratégia é simples: aproveitar o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, para reunir altos executivos de multinacionais. Lula vai apresentar números sobre a economia brasileira e usar jogo de cintura para vender o peixe. Tomara que o pessoal acostumado a comer salmão goste de robalo.
Oposição 1
Este ano promete ser de rolo compressor no Poder Legislativo. Na Câmara de Curitiba, apenas uma meia dúzia entre os 38 vereadores fará oposição à gestão Beto Richa (PSDB). Na Assembléia Legislativa, a diferença é gritante. Somente meia dúzia entre 54 parlamentares faz oposição sistemática e declarada ao governo.
Oposição 2
Uma participação tão ínfima de posições e opiniões diferentes da situação, esvazia as discussões. Os adversários acabam muitas vezes falando sozinhos. Em Londrina, a oposição tem, proporcionalmente, participação um pouco maior, mas não chega à metade dos 18 vereadores.
Perguntinha
Por que os blocos de oposição costumam ser tão raquíticos?
Maria Duarte e equipe
[email protected]





