INFORME FOLHA
Sem a imprensa
O governador Roberto Requião (PMDB) se trancou ontem no Palácio Iguaçu e mandou a imprensa para casa. A Agência Estadual de Notícias avisou as redações sobre a visita do embaixador do Japão, Takahiko Horimura, que esteve no Palácio Iguaçu conversando com o governador, pela manhã. Os jornalistas foram até lá, na esperança de ouvir Requião sobre o resultado da eleição. Um erro de divulgação, segundo o pessoal do governo. O aviso na agência seria apenas para informar sobre a agenda de Requião, não uma oportunidade de entrevista, como normalmente acontece. Na entrada do Palácio, os jornalistas foram barrados. Apenas a imprensa oficial leia-se rádio e tevê Educativa poderia entrar. Um radialista que conseguiu entrar com funcionários do governo teve que sair.
Eleição, não!
O assessor do governador, Benedito Pires, enfatizou o motivo, que foi gravado pelo repórter: o governador não vai falar de eleição numa solenidade oficial.
Posição
O governador preferiu não se posicionar sobre o resultado das eleições do último domingo. Mas a população, aliados e até opositores esperam algumas palavras. Afinal, Requião defendeu a aliança PT-PMDB e licenciou-se do governo por causa da campanha.
Caíto
Por enquanto, sobrou para o fiel aliado Caíto Quintana, chefe da Casa Civil, comentar a eleição. Quintana respirou fundo e foi até a Assembléia anteontem. Não deu outra. Ele e o presidente estadual do PT, deputado André Vargas, trocaram farpas.
Mesa executiva 1
Com a definição dos futuros prefeitos, as câmaras municipais começam a articular quem serão os novos presidentes dos legislativos municipais. A eleição dos integrantes das mesas executivas ocorre normalmente logo após a posse dos vereadores, no dia 1º de janeiro.
Mesa executiva 2
Em Curitiba, além do atual presidente, João Cláudio Derosso (PSDB), Ney Leprevost (PP) pode lançar seu nome. Em Londrina, o atual presidente, Orlando Bonilha (PL) também tem interesse em se manter no cargo. Porém, nem em Londrina nem na Capital há chapas oficialmente formadas. Londrina, agora com 18 vereadores, teve 12 que se reelegeram. E os mais antigos podem querer disputar a presidência.
Apoio
Segundo o atual vice-presidente da Câmara de Curitiba, Fábio Camargo (PFL), a bancada do seu partido, com cinco vereadores, deve apoiar a reeleição de Derosso que já está no terceiro mandato como presidente.
Para confundir
''Vou manter nos cargos os que não vão sair e vou substituir os que não vão ficar.'' A frase ''esclarecedora'' é de autoria do prefeito reeleito Nedson Micheleti (PT) ao ser perguntado sobre a composição do secretariado para 2005. Por enquanto, como deu para perceber, ele não vai adiantar se haverá mudanças.
Confiar o cargo
No primeiro mandato, Nedson evitou tirar férias para não ter que entregar o cargo. Foram poucas saídas de, no máximo, oito dias. O vice eleito, Luis Fernando Pinto Dias (PT) pode até mudar isso. Nedson já demonstrou que neste ele confia.
Pena
Parte das pessoas que foram flagradas em Curitiba fazendo propaganda de boca-de-urna no domingo da eleição estão agora ajudando a limpar a cidade. Eles foram retirar cartazes de postes, ainda cheios de fotos de candidatos.
Universidades
A CPI das Universidades da Assembléia Legislativa teve mais uma audiência pública em Curitiba. Dessa vez para ouvir o reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Paulo Godoy. A CPI investiga desvio de recursos para uma espécie de caixa dois na universidade. Os desvios aconteceriam através de um sistema de contabilidade paralelo, chamado Hércules. Participaram da audiência os deputados Artagão de Matos Leão (PMDB), Plauto Miró Guimarães (PFL) e Mário Sérgio Bradock (PMDB).
Processo interno
O reitor explicou que o caso do caixa dois já foi encaminhado ao Ministério Público. Antes de a CPI começar a funcionar, a própria universidade abriu processo administrativo para apurar o caso, no ano passado.
'Novembro vermelho'
Passadas as eleições do segundo turno, o Movimento dos Sem Terra (MST) está anunciando nova onda de invasões, a partir da próxima semana, que o líder do MST em Pernambuco, Jaime Amorim, chamou de ''novembro vermelho''. Pergunta-se: caso o anúncio (que intimida os produtores) tivesse sido feito antes das eleições o PT teria conseguido eleger a quantidade de prefeitos (411 municípios) que conseguiu?
Crise no HU
Irritado com o precário atendimento do Hospital Universitário de Londrina (HU), conforme denúncia da Folha, o ex-prefeito Dalton Paranaguá enviou do próprio punho o seguinte recado: ''O dever do Partido dos Trabalhadores (PT) não é engessar o HU e brincar com a vida do povo da região de Londrina. O dever do PT não é engessar a UEL com o blá-blá-blá das quotas''. Dalton Fonseca Paranaguá foi prefeito de Londrina de 1969 a 73.
Perguntinha
Só os hospitais das universidades estão em estado precário?
Maria Duarte (interina)
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