Futuro


O mapa partidário não é o mesmo depois do segundo turno. Mas, para o PFL do Paraná, com certeza, o caminho da reconstrução é mais difícil, quase impossível. O partido já vinha aos frangalhos, apesar da sobrevida que ganhou com a presença do ex-governador Jaime Lerner (ex-PFL, hoje PSB). Mas Lerner não alavanca partido, ainda mais depois do revés de 31 de outubro. Lerner é ele mesmo. Agora que o prefeito Cassio Taniguchi (PFL) perdeu a eleição em Curitiba, fica mais difícil juntar os fragmentos.


Refundação


O PFL obteve 12.578.696 votos no País, elegeu 790 prefeitos (mais que o PT, que fez 411) e venceu no primeiro turno no Rio. Tem ainda o vice-prefeito eleito de São Paulo. E agora prepara um congresso de ''refundação'' do partido, após 20 anos.


Sucessão


O nome do senador Osmar Dias (PDT) para a sucessão estadual passou a ser citado nos últimos dias, sem parcimônia e sem preocupação em ferir suscetibilidades, já que o irmão, Alvaro, também é pretendente. Osmar tem força no interior, graças ao perfil municipalista e ao trabalho desenvolvido na Secretaria de Estado da Agricultura. No Senado, toma posições em favor da economia rural.


Remanejamento


Após as eleições, vem aí o que o eufemismo chamaria de ''adequação de funções'' na prefeitura de Londrina. Ocupantes de cargos de confiança no governo Nedson Micheleti (PT) que penderam para o lado de Antonio Belinati (PSL) ficarão à vontade para outras funções.


Fogo cerrado


A Prefeitura de Curitiba anunciou ontem mais um round com o governo do Estado. A administração municipal quer de volta em seus quadros o médico Nizan Pereira, que estava cedido ao governo estadual. Nizan Pereira, aliado do governador Roberto Requião (PMDB), respondia pelos Assuntos Estratégicos do Estado, mas afastou-se para a campanha. Ele foi o vice de Ângelo Vanhoni (PT), derrotado por Beto Richa (PSDB). Marcos Mazoni ocupou o cargo de Pereira no governo, acumulado com a chefia da Companhia de Informática do Paraná (Celepar).


Médico


Nizan Pereira, médico da prefeitura da Capital, foi também secretário da Saúde de Curitiba, quando Requião foi prefeito, na década de 80. Agora a prefeitura quer que ele assuma uma função no departamento de Epidemiologia. Pereira não retornou recado deixado pela Folha para comentar a atitude da prefeitura. A assessoria de imprensa do governo do Paraná comentou apenas que o caso ''é entre o funcionário e a prefeitura''.


Início


A bronca começou em setembro, quando a Procuradoria Geral de Curitiba entrou com uma ação de improbidade administrativa contra o secretário estadual da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, e o comandante da Polícia Militar (PM), coronel David Pancotti. A prefeitura acusou Delazari de ter descumprido uma ordem judicial de desocupação de uma área municipal no bairro do São Braz, invadida em março.


Troco


A Secretaria da Segurança não deixou barato. Na época, anunciou uma representação criminal ao Ministério Público (MP) contra Maurício Ferrante, procurador-geral da cidade, por denúncia caluniosa. A Procuradoria Geral do Município alega que Delazari foi notificado para cumprir a desocupação, mas o secretário negou. Ferrante é advogado do Estado mas estava cedido à prefeitura até dezembro. O governador, no entanto, resolveu chamá-lo de volta. Ferrante ficará lotado na Secretaria de Segurança, sob o comando de Delazari. Ferrante, por enquanto, está em férias prolongadas.


Migração


Solução para a mão-de-obra barata no passado, a imigração hoje já é vista como um problema, especialmente para alguns políticos. Em tom de 'brincadeira séria' ou de piada mesmo, o vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) comentou na sessão de ontem da Câmara que a derrota petista em três das quatro cidades onde houve segundo turno é um perigo. ''Que esse pessoal de Ponta Grossa, Maringá e Curitiba não venha para Londrina, senão não vai sobrar lugar para nós.''


Gente séria


Do outro lado do plenário, o líder do prefeito na Câmara, Nelson Cardoso (PT), fez questão de tranquilizar o colega com um aviso: ''a prefeitura não vai ser boquinha de emprego, mas lugar de gente que saiba resolver os problemas''. Promessa é dívida, vereador!


Imprensa


O prefeito eleito de Curitiba Beto Richa mostrou ontem que pretende ter um bom relacionamento com a imprensa local. Chegou na entrevista coletiva de ontem como se estivesse em campanha. Cumprimentou e chamou pelo nome todos os jornalistas que conhecia. Para os repórteres que não conhecia, sorriu e estendeu a mão.


Secretariado


Beto não conseguiu fugir das perguntas sobre o secretariado e a amizade com o empresário e ex-deputado estadual Tony Garcia (PP). Beto disse que mantém bom relacionamento com o empresário. Os dois praticavam juntos automobilismo. Também foram deputados estaduais. E brincou: ''tenho certeza que ele votou em mim para prefeito''.


Voto certo


Luciano Ducci (PSB), vice-prefeito eleito, também teve um eleitor garantido. Em tom divertido, Ducci disse que o único voto que ele sabia que ganharia nessa eleição era a do ex-deputado estadual José Scarpelini. Com a eleição em Curitiba, Scarpelini assume a vaga de Ducci na Assembléia.


Perguntinha


PT e PMDB rompem até 2006?

Maria Duarte (interina)
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