INFORME FOLHA
Grande dia
Mais um exercício de cidadania em todo o País. Hoje, 6,9 milhões de paranaenses vão às urnas para escolher os prefeitos e vereadores que administrarão as 399 cidades do Estado nos próximos quatro anos. No geral, o clima não é de muita empolgação, mas é o momento de os eleitores verem o lado bom de uma eleição. Melhor escolhermos nossos governantes que escolherem para a gente, como já aconteceu no Brasil, durante o regime militar.
Tarefa difícil
Por isso a tarefa hoje não é nada fácil. Escolher o menos pior ou aquele que por um instante nos passou confiança durante a campanha pode ser a melhor solução, a opção mais acertada num momento como esse. Anular ou votar em branco pode até ser um sinal de protesto, de revolta, mas num sistema eleitoral como o brasileiro pouco repercute, não decide. Por que não manifestar então o descontentamento elegendo algum dos candidatos e o questionando durante os quatro anos de seu mandato?
Massa de manobra
Talvez, esse seja o grande lance da democracia que ainda não compreendemos. Parte da desilusão com os políticos hoje também é reflexo de nosso comportamento. Elegemos por muitos anos acreditando em salvadores da pátria. Quando descobrimos que não existiam, partimos para um negativismo exacerbado, um deboche sem limite, uma indiferença que, no frigir dos ovos, só nos faz mal. E eles, os políticos, se fortaleceram. Hoje é uma oportunidade para tentarmos mais uma vez, para voltarmos a acreditar não nos políticos, mas na política, oportunidade que temos de mudar as coisas.
Olho clínico
Isso mesmo, vamos às urnas sem nos deixar manipular ou nos envolver em discursos fáceis. A ocasião requer seriedade, apesar de o clima não ter sido nada sério durante os três meses de campanha eleitoral. Temos até as 17 horas para pensar e refletir. Vamos nos vingar dos políticos que odiamos votando certo. Tirando-os do poder, tão efêmero. Renovando, apostando em candidatos competentes, éticos e que não se deixam levar pela rapinagem, falsidade e soberba.
Mais tempo
Os eleitores de Londrina e Curitiba, ao que tudo indicam as pesquisas de opinião que balizaram a campanha deste ano, terão tempo a mais para decidir. Há um segundo turno que se esboça pela frente, uma chance ímpar de compararmos entre dois, e não mais entre dez. Oportunidade para investigarmos com mais propriedade o passado dos candidatos que se colocam e cobrarmos propostas mais viáveis, convincentes. Até o momento nem os de Londrina, nem os de Curitiba mostraram consistência.
Terreno fértil
Encontraram terreno fértil para fecundar suas candidaturas diante de eleitores tão apáticos, avessos ao processo eleitoral, que avalizam pela omissão condutas e idéias antigas. Só o voto certo e consciente dos riscos pode mudar o cenário.
Agora ou nunca
Nos demais 395 municípios paranaenses, a exceção de Ponta Grossa e Maringá que têm número de eleitores suficientes para a realização de um segundo turno, a decisão tem que ser tomada hoje.
Papel da imprensa
A imprensa de um modo geral também tem um papel fundamental em cada processo eleitoral. A do Paraná precisa amadurecer, ser mais agressiva, mais combativa. Esta Folha sempre deu oportunidades para que seus profissionais se colocassem como os defensores dos interesses dos eleitores. Isso se faz mister, para contrapor o discurso vazio de muitos candidatos, que, no horário eleitoral e showmícios, prometem mundos e fundos.
Papel das ONGs
Acompanhei com mais outros quatro jornalistas brasileiros, de 11 de agosto a 5 de setembro passado, a convite do Departamento de Estado, o sistema de prévias nas eleições dos Estados Unidos e descobri, para minha surpresa, que há uma infinidade de ONGs que, em época de campanha, fazem a cobertura da cobertura feita pelos jornais e emissoras de tevê durante uma eleição. O eleitor americano tem mais esse ingrediente para quando ir às urnas, senão melhor escolher, pelo menos votar com mais certeza, esclarecimento.
Perguntinha
Toda a eleição força os mais observadores a refletir um pouco mais: como agir quando o lobo se faz de cordeiro? Como fazer a melhor opção, num quadro político que não permite o surgimento de boas opções?
Resposta
Excepcionalmente hoje com resposta: escolhendo o que para nós é o certo, agindo com seriedade e ética. Esse é o grande lance da democracia.





