INFORME FOLHA
Quem manda é...
O assessor de imprensa do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ele foi a figura do dia, ontem, na inauguração da indústria Hexal, em Cambé, e ainda guardou munição para o almoço-palestra-entrevista coletiva realizado em um bufê de Londrina, pouco depois. Numa demonstração de que companheirismo é artigo raro nesses dias, o assessor que não quis revelar o nome negou qualquer entrevista de Palocci antes da agenda estabelecida diante da insistência dos, digamos, colegas de profissão.
Nem o Palocci
Boa parte dos jornalistas chegou às 9 horas em Cambé para cobrir o evento. Cinco horas depois, na saída pelos fundos da Hexal, o ministro até cogitou falar à imprensa. Presidentes da indústria intervieram, o prefeito de Cambé, José do Carmo (PT), tentou em vão, mas o assessor foi irredutível. Já em Londrina, o próprio Palocci aceitou falar antes do almoço e da palestra, mas ''Marcelo'', o assessor sem sobrenome, não deixou.
Confinamento
O tratamento vip à imprensa não foi dispensado com exclusividade por ''Marcelo''. Confinados em uma sala após a entrevista com os presidentes da Hexal no Brasil e na Alemanha, jornalistas de Londrina, da região e até de outros estados ficaram literalmente presos no local enquanto o governador Roberto Requião (PMDB) chegava à sede da empresa. Quem quisesse sair topava com dois seguranças na porta impedindo a passagem.
Cretinice
Indefensável, o autoritarismo (ou seria saia-justa?) tentou achar uma razão nas palavras de assessoras de imprensa pouco à vontade com os próprios argumentos: ''É para vocês não dispersarem, gente''. Verdade. Alguém poderia mesmo ter pensado em andar os 300 mil m2 da Hexal e enfrentar as dúzias de seguranças.
Dois gumes
O PT de Curitiba, na verdade, quer mais ajuda logística de Requião, e seu governo, que manifestações de apoio pessoais. O assunto não é tratado abertamente, para não magoar. O staff da campanha de Ângelo Vanhoni (PT), a prefeito, já sentiu que a presença do governador no palanque é uma faca de dois gumes. Na mesma proporção que agrega votos, traz problemas para a campanha.
Saia-justa
Dois exemplos de celeumas criadas por Requião em apenas um showmício que participou, na semana passada. Primeiro: com base no discurso de Requião, a campanha de Beto Richa (PSDB) conseguiu proibir na Justiça Eleitoral veiculação no site ou em outros materiais de campanha a expressão: ''Vocês lembram que Beto Richa é o vice-prefeito do caixa dois de 32 milhões?''. Segundo: Osmar Bertoldi (PFL) está interpelando Vanhoni, sob a alegação de que o governador disse que só haverá integração da segurança, entre Curitiba e Estado, se o PT vencer o pleito.
''Comadres''
Os candidados a prefeito de Curitiba, Rubens Bueno (PPS) e Mauro Moraes (PL), parecem mais aliados do que adversários no debate eleitoral promovido na última terça pelo Sindicato dos Trabalhadores em Instituições de Ensino Superior do Paraná (Sinditest). Antes do debate, os dois, que foram os únicos a participar, discutiam amigavelmente os absurdos econômicos das campanhas dos adversários em comparação com as suas. Durante, eram elogios para os dois lados.
Centro de estudos
O coletivo do mandato do deputado estadual Tadeu Veneri (PT) lança hoje o Centro de Estudos Ernesto Che Guevara. O economista César Benjamin é o convidado para a conferência inaugural do Centro, que começa seus trabalhos discutindo ''O que é ser esquerda, hoje?''. A proposta muito boa é criar um espaço suprapartidário de formulação de políticas públicas, de debates sobre os partidos políticos, os movimentos popular e sindical e que possa atuar como um centro irradiador de conceitos e projetos.
Laços de família
A impugnação da candidatura de Neusa Pessuti Francisconi (PMDB) à Prefeitura de Jardim Alegre, pelo TSE, por pouco não abriu uma crise em família. Se não fosse o jogo de cintura do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), em explicar direitinho de quem é a culpa, a coisa teria ficado preta.
Memória
Para quem não lembra, Neusa Pessuti tornou-se inelegível aos olhos da Justiça porque o irmão foi forçado pelo governador Requião a assumir o Palácio Iguaçu durante uma de suas viagens ao exterior. A legislação eleitoral permite que parente de vice concorra, mas desde que o mesmo não assuma, mesmo que interinamente, a chefia do Poder Executivo.
Interino
Meus Deus, as notícias da corte são mais rápidas que a coluna. Já avisaram dona Neusa? Requião viajou ontem para o Uruguai e o irmão Pessuti assumiu mais uma vez o governo. Requião lidera missão empresarial e volta nesta sexta-feira para o Paraná.
Perguntinha
Palocci e Requião que se odeiam fingiram muito ontem na inauguração da Hexal?
Leandro Donatti
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