Quadro delicado


A avaliação é de lideranças do próprio PT. A situação do partido em Curitiba é uma das mais delicadas nesta eleição. A candidatura de Ângelo Vanhoni (PT), que prometia tanto, não consegue abrir diferença significativa sobre o adversário do PSDB, Beto Richa. E olha que o Beto não é nenhuma Brastemp!


Armas


Os aliados de Vanhoni não perdem as esperanças, buscam dinheiro para a campanha e apostam numa maior definição dos eleitores. ''O eleitor neste ano está olhando muito, sem sinalizar para que lado vai'', observa um líder petista.


Mão fechada


O empresariado não está abrindo a mão para as campanhas, pelo menos não como fazia em outras eleições. Em Curitiba, por exemplo, quando o fazem, os empresários têm preferido doar para os dois principais candidatos, para não se vincularem a um em especial.


Apoio retórico


Tem petista que não esconde a sua decepção com o governo Requião. As campanhas de Vanhoni e de Péricles Holleben de Mello, em Ponta Grossa, apostavam na ajuda da máquina. Não reclamam abertamente porque seria crime.


Recuperação


De acordo com a análise de petistas, as campanhas de Nedson Micheleti, em Londrina, e de João Ivo Caleffi, em Maringá, tendem a salvar a lavoura. Ambos, que não estavam com números muito animadores, têm mostrado recuperação nas últimas pesquisas e devem empurrar as eleições para segundo turno.


Jantar


A crise na campanha do PT em Curitiba seria discutida ontem, num jantar oferecido por Requião, na Granja do Canguiri. Secretários e deputados aliados do PMDB, PT e PTB foram convidados. A intenção seria acertar os ponteiros para a campanha e criar empolgação entre os peemedebistas.


Ausências


Muitos não iriam e avisaram de antemão. Rafael Greca (PMDB), por razões óbvias: perdeu para Vanhoni o direito de concorrer. Nereu Moura (PMDB) iria para o interior. Carlos Simões (PTB) iria, mas sem o irmão Iris Simões, deputado federal e presidente do partido no Estado.


Taxativo


Dos que não confirmaram presença no jantar de Requião, o presidente estadual do PMDB, Dobrandino da Silva, foi o mais taxativo. ''Não pertenço a esta campanha.'' Dobrandino, assim como Greca e Gustavo Fruet (hoje sem partido), defendeu lançamento de candidatura própria em vez de apoio ao PT.


Descompasso


Para Moura, está sendo mais difícil do que se esperava ajustar PT e PMDB na campanha.


Corvos e defuntos


Greca alega falta de tempero na campanha. ''Corvo não come corvo.'' Segundo o deputado, nenhum candidato fala mal abertamente do outro. ''É um desfile de defuntos.''


Gazeta


A Assembléia fez ontem a última da semana. Os deputados estão enforcando a sessão que deveria ocorrer hoje.


Pode aumentar


Em tese, os funcionários da Urbs, companhia de urbanização de Curitiba, poderão ter já os salários reajustados em 5,6%. Os juízes do TRE anularam por unanimidade a sentença do juiz Dartagnan Serpa Sá que suspendeu o reajuste para que não fosse desrespeitada a Lei Eleitoral que impede aumentos salariais durante campanha. O TRE se julgou incompetente para julgar o caso.


No limite


O Sindiurbano, sindicato da categoria, argumentou no recurso acolhido pelo TRE que o reajuste estaria dentro do limite máximo fixado pela legislação, que é 13,45%. O acordo coletivo com a Urbs foi firmado antes de iniciar a campanha.


Cota em concurso


Na esteira do sistema de cotas da UEL e da UFPR, o vereador Nelson Cardoso (PT) está com projeto de lei que reserva vagas para afro-brasileiros em concursos públicos municipais e cargos de administração direta e indireta. O projeto enfrentou resistência na sessão de ontem da Câmara e acabou retirado de pauta.


Para quando?


Outras duas polêmicas foram empurradas para um momento mais oportuno: o projeto de lei que obriga Londrina a oferecer vacinas anti-gripais para todos os servidores e outro que autoriza associações de moradores a perfurarem poços artesianos em áreas públicas. Ambos já foram aprovados em primeira votação e foram adiados pela segunda vez consecutiva.


Olho no olho


Requião e o ministro da Fazenda confirmaram presença na inauguração da Hexal, empresa farmacêutica alemã, hoje em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Oportunidade ímpar, se não pipocar, para o governador finalmente detonar, só frente à frente, a política econômica do governo Lula. Nos últimos meses, a orelha de Palocci ficou vermelha. Muito por causa de Requião.


Perguntinha


Não era de se esperar a inércia do PMDB nesta eleição?

Leandro Donatti
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