INFORME FOLHA
Boca de urna
Inovação no tradicional ''cadeião'' das eleições. Este ano, quem fizer propaganda de boca de urna em Curitiba não vai ficar detido muito tempo. Pelo menos é o que pretende a Justiça Eleitoral, que vai colocar juízes e promotores de plantão no dia da eleição, 3 de outubro. A intenção é levar os infratores à presença do juiz e soltar a sentença na hora. A pena normalmente é aplicação de multa ou prestação de serviços à comunidade. A decisão de agilizar as sentenças foi tomada ontem, durante reunião entre o juiz Fernando Ferreira de Moraes, o promotor Armando Antonio Sobreiro Neto, ambos da 175 Zona Eleitoral em Curitiba, e policiais. Sobreiro Neto explicou que a idéia é justamente mudar o conceito de ''cadeião''. ''Não queremos dar chá de banco, começamos o processo na hora'', disse. Em tempo: o eleitor pode ir até o local de votação com camiseta ou boné de candidato. O que não pode é pedir votos, agitar bandeiras ou gritar palavras de ordem.
Multas
Mais lenha na fogueira. O pessoal da Procuradoria Geral do Município de Curitiba encaminhou ontem ao Departamento Nacional de Trânisto (Denatran), em Brasília, um pedido de providências em relação ao Detran do Paraná. É que o Detran está cumprindo a ordem do governador Roberto Requião (PMDB), de licenciar carros sem que as multas sejam previamente quitadas. Conforme o Código de Trânsito, é necessário pagar as multas antes de obter o licenciamento anual dos veículos. No Paraná, porém, Requião não renovou convênio com a Prefeitura, por discordar da instalação de novos radares. O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, deu parecer contrário à renovação do convênio entre o Detran e a Prefeitura. E o impasse perdura.
''Besteira''
Requião tem uma posição muito clara sobre o assunto. ''O governo não vai fazer nada, porque isso é uma besteira. É um convênio, e como é que eu vou ser obrigado a assinar um convênio? Ele só existe quando convém a ambas as partes, e eu acho que o sistema de multas da Prefeitura de Curitiba não convém à população. São armadilhas. Os radares, as lombadas eletrônicas, as multas não são usadas como meio de educação. É uma armadilha para faturamento das empresas e da Prefeitura. E nós não vamos colaborar com isso'', esbravejou o governador, durante a reunião do secretariado, na terça-feira.
Junta Comercial
Tem gente roendo as unhas. Os indiciamentos prometidos pelo delegado Miguel Stadler, do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), devem sair depois do feriado de 7 de Setembro. A suspeita é de fraude processual.
Bingo
O inquérito apura a possibilidade de funcionários da Junta Comercial do Paraná (Jucepar) terem burlado procedimentos burocráticos em uma alteração contratual da empresa Village Batel. Essa alteração, em benefício da empresa, foi invalidada pela cúpula da Jucepar, por suspeita de corrupção de funcionários. A alteração no contrato teria embasado o pedido de liminar apresentado ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, com sede em Porto Alegre (RS). A liminar permitiu, em julho, a reabertura do bingo, fechado posteriormente.
Sanepar 1
Outro capítulo da novela (mexicana) da Sanepar. Ontem pela manhã, na sessão da Assembléia Legislativa, o líder da oposição, Durval Amaral (PFL), disse que o governador ''não pode prejudicar a população paranaense em detrimento de uma briga pessoal com o consórcio Dominó''. Requião anunciou corte no repasse de R$ 1,7 bilhão à Sanepar, enquanto vigorar a decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que determina a permanência do atual pacto de acionistas, firmado na gestão Jaime Lerner (PSB).
Sanepar 2
Amaral, que foi líder do governo de Lerner, saiu em defesa do pacto. ''Não há irregularidades no pacto. Desde que foi firmado o negócio, em todos os anos seguintes a Sanepar teve suas contas aprovadas pelo Tribunal de Contas e por auditores'', disse. O presidente da Sanepar, Stênio Jacob, rebateu. Disse que Amaral foi aliado de Lerner em ''casos de liquidação do patrimônio público.''
Zen
Fora a Sanepar, a pauta da Assembléia foi tranquila. Na sessão de ontem não foi votado nenhum projeto polêmico. Dos nove itens, cinco eram declarações de utilidade pública.
Reivindicações
Os delegados do Paraná encaminham ao governador Roberto Requião, nos próximos dias, uma lista de reivindicações. Em resumo, eles querem que o governo libere dinheiro para comprar papel, tinta para impressora, consertar viaturas, essas coisas. Reclamam também do excesso de jornada e da ausência de reajuste há nove anos, segundo a Adepol. A decisão de mandar a lista ao governador saiu durante assembléia realizada na noite de anteontem na sede da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol).
Tentativas
Em trinta dias, se nada mudar, os delegados cogitam a possibilidade de buscar respaldo da Justiça para conseguir alguma coisa.
Vai um ''Elza Correia''?
A candidata a prefeita de Londrina Elza Correia, do PMDB, promete criar o ''Restaurante Popular'', onde a refeição vai custar R$ 1,00. Pois bem. Nas lanchonetes do centro da cidade, a proposta já virou brincadeira. O cliente chega pedindo um refrigerante ''e um Elza Correia'': o lanchinho de salsicha e molho que custa o prometido pela candidata.
Perguntinha
Muita gente vai para o ''cadeião'' este ano?
Maria Duarte (interina)
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