Pressão
Não é nada fácil ser governo e tentar pensar com a própria cabeça. Ontem à tarde, um dia depois da conturbada primeira votação da mensagem que autoriza a Copel a assumir o controle acionário da Elejor Centrais Elétricas do Rio Jordão, a bancada do PT foi chamada para uma singela reunião no gabinete do líder do governo, Natálio Stica (PT). É que dois integrantes da bancada Tadeu Veneri e André Vargas, presidente estadual do partido se abstiveram de votar a mensagem, por não concordarem integralmente com a operação de compra da parte da Triunfo na Elejor. O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, participou da reunião. Ele foi dizer aos deputados que a compra vale a pena. A Copel tem 40% da Elejor, a Triunfo 30% e a Paineiras outros 30%. A Elejor é formada por duas usinas, Santa Clara e Fundão, que estão em construção na região de Guarapuava.

Afinados
Os petistas saíram da reunião comprometidos a votar com o governo, mas não necessariamente convencidos e felizes. Stica disse que a bancada agora está unida. ''Vamos votar favoráveis, alguns com azia, tomando Engov, mas vamos votar'', disse.

Rícino
''Engov é pouco, tem que tomar é óleo de rícino'', reclamou Tadeu Veneri. Na opinião do deputado, esse tipo de decisão da bancada significa ''caminhar para o matadouro.''

Mais energia
O líder da bancada do PT, Elton Welter, saiu com esta ao final da reunião: ''O Paraná vai vender mais energia''. Resumo da ópera: a mensagem que autoriza a Copel a assumir o controle acionário da Elejor foi aprovada em segunda discussão, pouco depois. Deve seguir para sanção do governador Roberto Requião (PMDB) nos próximos dias.

Crítica
A oposição capitaneou as críticas ao compromisso de compra da participação da Triunfo na Elejor. O deputado Fernando Ribas Carli (PP) alega que, com a operação, a Triunfo ganha 100% do que investiu na obra. Segundo ele, no final de 2003, a Triunfo tinha gasto com a Elejor R$ 21 milhões. Mas com a venda dos 30% de participação para a Copel, ganha 100% do que investiu. Para que a compra se concretize, são necessárias autorizações da Assembléia, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ligado ao Ministério da Justiça. A Aneel deu sinal verde recentemente. E agora a Assembléia. ''As autorizações deviam ser prévias'', reclamou André Vargas.

Presente
Nem na Assembléia a gente vê tanto deputado. Ontem pela manhã, na reunião semanal do secretariado do governador, no auditório do Museu Oscar Niemeyer (MON), a presença dos parlamentares foi maciça.

Mais longa
As reuniões do secretariado começam às 8 horas e normalmente terminam perto das 10 horas. Ontem, foi até meio-dia. O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, bem que tentou apressar cada um dos procuradores que fizeram exposição de seus trabalhos. Não deu muito certo. E Botto também falou bastante, quando chegou sua vez. O presidente da Copel, Paulo Pimentel, emendou dizendo ser prolixo é um problema comum entre advogados. ''Peço desculpas, seu governador, em nome dos advogados e entre os desculpantes incluo Vossa Excelência, por pertencer à nossa classe'', disse, arrancando risos da platéia.

Estressados
A diretoria da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) promete encaminhar ofício à presidência da República e ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pedindo que o governo federal reveja a decisão de não liberar recursos previstos na Lei das Diretrizes Orçamentárias para a realização do censo demográfico do ano que vem. O corte ainda não foi oficializado, mas já deixou muito prefeito estressado. Isso porque o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) é a principal fonte de receita de nada menos que 80% das prefeituras do Estado. E o repasse é definido com base no número de habitantes de cada cidade.

Sanepar
A Procuradoria da Assembléia analisa a possibilidade de a Casa votar um decreto legislativo com o objetivo de invalidar o pacto de acionistas firmado com a Dominó Holdings. O pacto foi firmado na gestão Jaime Lerner (PSB), e Requião quer anulá-lo. Na tentativa de retirar a Sanepar do controle do grupo privado, Requião baixou decreto, no início do ano passado, cancelando o pacto. A Justiça, porém, devolveu o controle à Dominó Holdings. A oposição já adiantou que vai votar contra o decreto legislativo, apesar de não ter número suficiente para derrubá-lo. É que a oposição vê o decreto legislativo como mera ferramenta protelatória, que também será revertida na Justiça.

CPI da Sanepar
Para fazer um pente-fino no pacto de acionistas da Sanepar, foi até protocolado ontem um pedido de abertura de CPI na Assembléia. Jocelito Canto (PTB) ficou estarrecido com a situação da Sanepar, contada por Requião na reunião do secretariado. ''Resolvi então montar a CPI. Por lei, a Sanepar não pode ser minoritária. Podia vender parte das ações, mas não entregar o controle'', disse. A comissão deve ser instalada no dia 10 de setembro e presidida por ele mesmo.

Em suspenso
Detalhe: por causa das eleições, três CPIs estão congeladas na Assembléia. As CPIs do Porto, da Terra e das Universidades só voltam a funcionar depois de 3 de outubro.

Perguntinha
A Sanepar é um nó mais apertado que o do pedágio?

Maria Duarte (interina)
[email protected]

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