INFORME FOLHA
Mobilização
A falta de infra-estrutura para o escoamento da economia brasileira está em pauta. Dois grandes eventos no Paraná, um encerrado ontem em Foz do Iguaçu e outro que acontece nesta segunda-feira em Curitiba, revelam o descontentamento do setor que está cobrando melhorias. No evento de Foz, organizado pela Associação Brasileira dos Transportadores de Cargas (ABTC), a tônica foi a malha ferroviária. No evento de Curitiba, das federações das indústrias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, aeroportos e ferrovias.
Carta aberta
Os transportadores brasileiros decidiram adotar uma posição ainda mais firme em relação aos problemas de infra-estrutura e logística enfrentados pelo setor e que por consequência afetam toda a cadeia produtiva e econômica do País. Ao final do congresso, aprovou-se a A Carta de Foz do Iguaçu onde se lamenta ''o descaso com que vêm sendo tratadas questões como o péssimo estado de conservação da malha rodoviária brasileira e os verdadeiros gargalos em que se transformaram os principais portos brasileiros, emperrando o processo de escoamento e exportação da produção nacional''.
Mais verbas
O documento recomenda investimentos no sistema de transporte do País. A categoria também criticou a forma de condução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Os transportadores cobram do governo federal a correta aplicação dos recursos arrecados com essa contribuição, que ''pode até não resolver, mas com certeza pode amenizar o estágio de depreciação das estradas brasileiras''.
Prioridades
Outras prioridades eleitas pelos transportadores: Mercosul, Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), Organização Mundial do Comércio (OMC) e à Comunidade Européia. Bem como a potencial integração sul-americana via corredores para o Pacífico, proposta que representa um aumento na competitividade dos produtos brasileiros nos mercados orientais (leia-se China e Rússia).
Desenvolvimento
Já as federações das indústrias e parlamentares da Região Sul reúnem-se pela terceira vez. O Fórum Industrial-Parlamentar Sul, criado para incentivar o desenvolvimento regional e ampliar a mobilização para melhoria da infra-estrutura regional. As federações, que vão cobrar dos parlamentares mais empenho na hora de sugerir emendas ao orçamento federal, já têm um cálculo: R$ 2,8 bilhões precisam ser investidos na modernização de ferrovias e nos aeroportos da região.
Modernização
No Paraná, o maior investimento ficaria para as ferrovias. Levantamento da Fiep aponta que são necessários mais de R$ 1,1 bilhão para a construção de novos trechos e modernização da malha existente. Para a modernização dos aeroportos paranaenses, os recursos seriam menores: R$ 172,1 milhões, para equipamentos, expansão da estrutura e criação de novas pistas de pousos.
Desproporcional
O fórum industrial reclama ainda do rateio de verbas desproporcional entre as regiões brasileiras, tomando-se por base o que cada uma recolhe aos cofres da União. Entre 1999 e 2002, a Região Sul repassou ao governo federal R$ 80,87 bilhões. Também contribuiu com US$ 20 bilhões para o superávit da balança comercial brasileira. Em contrapartida a região recebeu R$ 1,14 bilhão para obras de infra-estrutura, enquanto que o Nordeste recebeu R$ 3,54 bilhões, Sudeste obteve R$ 1,98 bilhão e o Norte do Brasil ficou com R$ 1,13 bilhão.
Sem confirmação
Até ontem, os senadores do Paraná não tinham confirmado presença no seminário. Enquanto isso, toda a bancada parlamentar de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, senadores inclusive, já tinham.
Santa Filomena
O delegado Alessandro Luz, que investiga a morte do sem-terra Elias Gonçalves de Meura, 20 anos, no início da ocupação da Fazenda Santa Filomena, no noroeste do Paraná, esteve ontem na área para fazer vistoria e levantamento técnico do local. Foram encontradas marcas de projéteis em veículos e árvores da fazenda. Os técnicos do Instituto de Criminalística do Paraná fizeram fotografias que deverão ser periciadas num prazo de até um mês.
Retirada
Na segunda-feira, o delegado pretende ouvir o proprietário da área, Francisco Carvalho Gomes, conhecido na região como Chicão. Caso ele não compareça para depor, Luz deverá ir ouvi-lo em Paranavaí. Chicão tem 74 anos e sofre de pressão alta. Ontem, foram retirados os 1,2 mil cabeças de gado que estavam ainda no poder dos sem-terra. Ainda permanecem no local 650 pessoas acampadas.
Providências
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR) de Palmas, Raul Silveira Boeno, quer que o Ministério Público (MP) federal apure as denúncias publicadas em matéria da Folha de S.Paulo, no último dia 4 de julho, sob o título ''Sem-terra são suspeitos de negociar invasão''. De acordo com a reportagem, um grupo dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estaria ''comercializando'' invasões no município de Laranjal (170 km a oeste de Guarapuava). Políticos do município também são acusados de envolvimento.
Sem contato
O reajuste no preço dos combustíveis 30% no álcool e de 12% na gasolina praticado na bomba surpreendeu os consumidores, sobretudo os de Curitiba. A diretoria do Sindicombustíveis sumiu ontem. O presidente da entidade, Roberto Fregonese, está no Maranhão há uma semana. Os vice-presidentes da entidade simplesmente não atendiam celulares nem em suas empresas.
Perguntinha
Claro que senadores do Paraná vão comparecer ao evento das federações, ou não vão?





