Crise doméstica

A forma como se divulgou o acidente com o navio que derramou óleo na Baía de Paranaguá, anteontem, criou mal-estar entre o superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião, e o secretário de Estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida. Preocupado com a imagem do terminal que administra, Eduardo chegou a classificar, via assessoria, como ''alarmista'' a divulgação feita pela pasta de Cheida. Para o irmão de Requião, num determinado o momento, o vazamento lhe parecia ''insignificante''.

Lenha na fogueira

Outro ingrediente que apimentou ainda mais as relações entre os dois também diz respeito a ato administrativo de Cheida. Assim que soube do vazamento, na região das ilhas da Cotinga e das Cobras, onde inclusive fica a residência de veraneio do governador, Cheida passou a estudar a idéia de baixar uma resolução proibindo o abastecimento de navios durante a noite. Eduardo reagiu de pronto dizendo que a medida é inviável. ''Bomba de gasolina não sabe se é dia ou noite'', disse à Folha ontem.

Pedágio

O TRF de Porto Alegre não acolheu recurso do governo Requião tentando derrubar o degrau tarifário de 8% aplicado pela Ecovia, concessionária que explora o pedágio no trecho Curitiba-Litoral. O degrau tarifário foi instituído entre o governo Jaime Lerner (PSB) e as seis concessionárias em 1997 como forma de compensação gradativa por obras de melhoria nas estradas. O governo ainda não foi notificado.

Suspeita

Uma quadrilha especializada em adulteração de documentos públicos pode estar atuando dentro da Junta Comercial do Paraná. A suspeita é do Nurce, órgão subordinado à Secretaria de Estado de Segurança. Existem indícios de que a suposta quadrilha estivesse atuando na adulteração de procedimentos burocráticos e na alteração de cadastro de empresas.

Quadrilha

A quadrilha seria composta por funcionários da própria Jucepar. O primeiro indício de que os processos estariam sendo adulterados surgiu durante as investigações da alteração do contrato da empresa Village Batel, dona do Bingo Monte Carlo, fechado no mês passado por decisão judicial.

Fatos intrigantes

No caso da Village Batel, os funcionários teriam alterado o contrato original num prazo recorde de três horas. Outro fato preocupante, segundo a polícia, é a falha no sistema de vídeo no dia 9 de julho, quando a alteração processual teria ocorrido. As imagens da entrada e saída de pessoas não teria sido realizada no dia por falha no sistema de segurança.

Acareação

Anteontem, o delegado Miguel Stadler ouviu sete funcionários da Junta Comercial numa acareação para tentar pegar contradições entre eles. Os nomes estão sendo mantidos em sigilo. Pelo menos dois deles estariam envolvidos diretamente com a suposta fraude processual. A suspeita é a de que os funcionários teriam recebido propina para agilizar o procedimento.

Enquadramento

Para quem não lembra, o documento obtido na Junta Comercial teria sido usado no mesmo dia num pedido de liminar para a reabertura do Bingo Monte Carlo no TRF de Porto Alegre. Depois da primeira fase, que termina na semana que vem, Stadler pretende ouvir os diretores do bingo.

Outro lado

O advogado do Bingo Monte Carlo, Michel Saliba, negou que a alteração do contrato tenha sido usada na liminar do TRF. Teria sim sido usada regularmente no pedido de cumprimento da liminar pelo governo do Estado sob pena de responsabilidade criminal. Saliba explicou que a Village Batel não exerece atividade de bingo desde setembro do ano passado. Para o advogado, o governo do Estado está tentando confundir a opinião pública.

Inferno eleitoral

Os candidatos a prefeito e vereador de Fazenda Rio Grande, município da Região Metropolitana de Curitiba, estão abusando com os carros de som e os decibéis usados têm ultrapassado o limite da paciência. A zoeira se estende durante o dia e à noite. A polícia tem recebido nos últimos dias em média de oito a nove reclamações por telefone.

Rosário

As reclamações encaminhadas à polícia são as mais variadas possíveis. Tem uma velhinha de 72 anos que alega em suas ligações que toma 11 comprimidos diários e precisa ficar calma, imune a essa agitação. Outro senhor, que começa a trabalhar às 5 horas da manhã, reclama do horário de circulação dos carros de som. Nesta semana, pediu reforço policial para tirar o carro de som que estava parado em frente a sua residência às 21h45.

Limitações

A legislação eleitoral impõe algumas regras que devem ser respeitadas. Dentre as quais, propaganda sonora somente até as 22 horas e com limite de até 80 decibéis, a proibição de carros de som em frente a escolas, e ainda a exigência de que os veículos dos candidatos circulem permanentemente.

Perguntinha

Degola na Junta Comercial?

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