INFORME FOLHA
Tiro no pé
A polêmica em torno das multas de trânsito em Curitiba, desencadeada pelo governo Requião, ao anunciar a suspensão da parceria Detran-Diretran justamente quando a prefeitura instalou 45 novos radares na cidade, pode ser tiro no pé. A oposição ao candidato de Requião, Ângelo Vanhoni (PT), promete ressuscitar acidente de trânsito envolvendo sobrinho do governador. A movimentação no Cetran, o conselho estadual de trânsito, onde o caso foi parar, é grande. Ainda mais que a Diretran tem cadeira no conselho, assim como o Detran e outras secretarias de Estado.
Se virando em dez
O procurador geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, corria ontem à tarde atrás de argumentos jurídicos na tentativa de embasar consulta de Requião sobre a necessidade de quitação das multas aplicadas pela Diretran na hora de renovar o licenciamento anual dos automóveis no Detran. Requião quer acabar com a vinculação.
O retorno
As reuniões semanais do secretariado com Requião, que ficaram conhecidas como ''escolinha'', recomeçaram ontem de manhã. Suspensas desde 8 de junho, as reuniões, realizadas sempre no auditório do Museu Oscar Niemeyer (MON), com a presença não apenas dos secretários mas também de funcionários de cargos de confiança, ficaram conhecidas pelo rigor com que o governador controla a presença obrigatória de todos.
MON lotado
Na primeira reunião do semestre, o auditório ficou lotado para ouvir os secretários de Estado do Planejamento, Reinhold Stephanes, e da Fazenda, Heron Arzua, que apresentaram balanços de suas pastas.
Verbas vinculadas
Os dois secretários apresentaram dados positivos de desempenho da economia, apesar de Stephanes ressaltar a escassez de recursos e dificuldades em administrá-los. De acordo com ele, quase 90% dos recursos existentes têm vinculação, ou seja, por lei devem ser destinados a setores específicos. É o caso da destinação obrigatória de pelo menos 25% do orçamento para a educação, 12% para a saúde, entre outros.
Pente-fino
Seguindo restrições definidas pelo Conselho Revisor, composto pelos dois secretários, o Estado elegeu, de acordo com Stephanes, 106 ações prioritárias. Destas, 45 ''estão com sinal verde'', ou seja, têm recursos suficientes, 45 têm sinal amarelo e 16, vermelho. Entre as últimas, ele citou a construção da Casa de Detenção de Londrina, que está parada porque a União não liberou recursos até agora, e o Fundo de Aval para atender agricultores, que ainda não teve convênio asinado com o Banco do Brasil (BB).
Números positivos
Ainda assim, ele citou a criação, no primeiro semestre deste ano, de 95.540 empregos no Estado e, segundo Requião, de mais 400 mil empregos indiretos. Os números são do governo e há no mercado quem questione. Já o secretário da Fazenda mostrou o crescimento na arrecadação do Imposto de Circulação de Mercadorias (ICMS), que chegou a R$ 3,885 bilhões entre janeiro e junho deste ano, contra R$ 3,280 bilhões no primeiro semestre de 2003 e R$ 2,564 bi em 2002.
Falha nossa
O atual ministro das Relações Exteriores, que desmarcou palestra na retomada da ''escolinha'', é Celso Luiz Nunes Amorim e não Celso Lafer, ex-ministro também das Relações Exteriores, como saiu equivocadamente no Informe ontem.
Gancho para chiar
O deputado estadual Rafael Greca, que organizou a cerimônia de ontem em homenagem aos 150 anos do Poder Legislativo no Paraná, aproveitou a sessão especial, com a presença de Requião e autoridades, para criticar o governo Lula e reclamar que não pôde se lançar candidato a prefeito em Curitiba, pois o seu partido fechou coligação com o PT do candidato Ângelo Vanhoni.
Gravação
Requião deve gravar nos próximos dias sua participação no programa de Vanhoni. O candidato faz o gênero mistério com relação à participação do governador. ''O que ele vai dizer é surpresa'', disse Vanhoni, rindo. Quem conhece Requião já sabe que até o próprio Vanhoni pode se surpreender. O governador não segue roteiros. Atenção marqueteiros para os cortes na hora da edição.
Tédio
Nem o prefeito Cassio Taniguchi (PFL) aguenta mais o tédio nas eleições da capital. A campanha que conta com 13 candidatos , segundo ele, ainda não deslanchou nas ruas. Cassio espera que depois do horário eleitoral, a partir do dia 17, as coisas mudem. Nós também!
Mesmo horário
O presidente da Câmara de Londrina, Orlando Bonilha (PL), disse que as sessões não vão mudar de horário no período eleitoral, a exemplo do que foi feito na Câmara de Curitiba e em estudo na Assembléia. ''O expediente administrativo dos cargos efetivos vai das 13 às 19 horas. Mudar esse esquema poderia trazer custos de horas-extras'', argumentou. Bonilha informou também ter cobrado, reservadamente, o respeito à assiduidade nas sessões, apesar das candidaturas. ''Temos um corregedor do Código de Ética que auxiliará a cuidar dessa questão'', ameaçou.
No Paraná
O ministro José Dirceu, da Casa Civil, que passou o final de semana fazendo campanha para o filho em Cruzeiro do Oeste, confirmou presença, para o próximo dia 9, na posse do novo presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), o empresário Claudio Slaviero. O convite foi feito pelo atual presidente da entidade, Marcos Domakoski.
Perguntinha
Essa é para o prefeito de Curitiba. Um pouco desse tédio eleitoral não é por que os candidatos à sucessão têm pouco molho, inclusive o seu?





