INFORME FOLHA
Falsidade
A repentina veneração de alguns políticos nativos pelos feitos de Leonel Brizola (PDT) lembra bem a frase do escritor Machado de Assis: ''Ele está morto; podemos elogiá-lo à vontade''. Se o caudilho soubesse que tinha tantos admiradores no Estado, teria lançado sua candidatura ao governo aqui também, como fez no Rio e no Rio Grande do Sul.
Memória
O ex-governador Jaime Lerner (PSB) e o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), poderiam ter sido mais moderados nos elogios, ao lamentarem a morte de Brizola. Ambos nunca foram seguidores de Brizola, apesar de estarem filiados no mesmo partido, sobretudo no quesito fidelidade partidária.
Infiéis
Na eleição de 1994, por exemplo, quando Lerner era candidato a governador pela primeira vez e Brizola era candidato a presidente, Lerner e Cassio eram cabos eleitorais declarados do então candidato do PSDB Fernando Henrique.
Curto-circuito
Nereu Moura (PMDB) está furioso com a postura do PT nas alianças partidárias em todo o Paraná. Disse que o PT não sabe negociar alianças quando a cabeça de chapa é o PMDB e quer impor candidaturas. Seria o caso de Curitiba e Ponta Grossa. Em outros municípios, o PT estaria inclusive preferindo apoiar o PFL em detrimento do PMDB. ''Tinha que ser uma aliança fortalecida em todo o Paraná, recíproca.''
Panos quentes
O presidente do PT no Paraná, André Vargas, tentou minimizar a crise. Admitiu ''falhas'' e garantiu que as mesmas estão sendo ajustadas. Prova disso seria o apoio do PT na disputa pela Prefeitura de Lapa, que terá como candidato o atual prefeito do PMDB, Paulo Furiati. O PT, neste caso, indica a vice, que seria a técnica da Emater, Leila Kleink.
Recado
Moura criticou também o secretariado de Requião e disse que espera que as lideranças políticas aliadas, como PTB-PL-PP, sejam contempladas numa troca de cadeiras no Palácio. Ele não quis indicar cargos ou nomes, mas quer que as mudanças sejam feitas antes da campanha. ''Somente isso acalmaria os aliados.''
Mister X
Os deputados da CPI do Porto tentaram convocar, para depoimento ontem, o empresário Maurício Xavier, sobrinho do secretário de Estado da Saúde, Cláudio Xavier, e do assessor jurídico do governo Pedro Henrique Xavier. Maurício foi pelo proprietário da empresa Bandeirantes Dragagem, Ricardo Sudaiha, de utilizar sua influência junto a membros do governo Requião para liberar o repasse de recursos referentes a um contrato suspenso no início de 2003 pelo governador.
Justificativa
A CPI fez várias tentativas para localizá-lo e entregar a convocação, mas Maurício não foi encontrado. Ontem, antes da sessão, os parlamentares receberam uma justificativa por escrito, na qual o empresário pedia adiamento do depoimento para que pudesse organizar os documentos necessários à sua oitiva. Os parlamentares decidiram reconvocá-lo para a próxima terça.
Contra o tempo
A oposição tenta ganhar tempo para evitar a votação da mensagem do governo que autoriza aumento de capital na Sanepar ainda neste semestre. Apesar de estar em regime de urgência na Assembléia, a proposta ainda não recebeu o parecer da Comissão de Finanças. O presidente da comissão e relator, Élio Rusch (PFL), alega que ainda não recebeu todos os estudos e, por esta razão, não tem como dar um parecer ainda.
Indícios
Os primeiros estudos recebidos, cerca de 35% do total encomendado por Rusch, apontam falhas e ilegalidades na fixação dos valores das ações que seriam criadas pelo governo do Estado com o aumento de capital. Apesar de não ter a intenção de dar parecer ainda neste semestre, Rusch foi alertado ontem que terá que entregar o parecer final sobre o tema em 48 horas. Na prática, ele terá até segunda-feira para emitir o parecer e submetê-lo ao plenário da Assembléia, já que as sessões vão até quinta-feira.
Com a barriga
''Na segunda-feira eu defino o que eu vou fazer'', disse ontem o deputado estadual Hermas Brandão (PSDB), presidente da Assembléia, dando clara demonstração que ainda está resistente em colocar o projeto para votação antes do recesso.
O retorno
O ex-general paraguaio Lino Oviedo está em Curitiba, em contato com lideranças políticas, ''para se despedir e agradecer'', como ele define, o apoio recebido durante sua estadia no Brasil. Depois de quatro anos e três meses vivendo no País, Oviedo retorna ao Paraguai, junto com sua mulher, no dia 29. De passagem marcada no vôo da Tam, que decola às 10 horas do Aeroporto de Foz rumo à capital paraguaia, Assunção, o ex-general pretende chegar a seu país em grande estilo.
Comitiva
Oviedo que mostrar que, mesmo estando há tanto tempo longe do Paraguai, tem o prestígio político necessário para voltar à vida pública. ''Vou chegar a Assunção acompanhado de representantes de partidos, governadores, prefeitos, deputados do meu país e também com políticos do Mercosul, Brasil, Argentina e Uruguai, que vão mostrar sua solidariedade viajando comigo.''
Agenda
Ainda não há nomes do Paraná definidos para a viagem. Mas ontem Oviedo reuniu-se, entre outros políticos, com o líder do governo na Assembléia, Natálio Stica (PT); o vereador de Curitiba, Jorge Bernardi (PDT); e, ainda, com o governador Requião. O ex-general saiu do Paraguai em março de 1999, acusado de ter sido o mandante do assassinato do vice-presidente paraguaio Luís Maria ArgaÀa, do Partido Colorado.
Perguntinha
Impressão ou os deputados estão empurrando tudo para depois do recesso?





