Palanque 1


O lançamento do Policiamento Ostensivo Volante (Povo), da Patrulha Escolar Comunitária e da Tarifa Social da Sanepar pelo governo do Estado, ontem em Curitiba, parecia mais o início de campanha eleitoral que ato do Poder Executivo. Antes do governador Roberto Requião (PMDB), falaram cinco vereadores da Capital e dois deputados estaduais. Sem medo nenhum de depois serem acusados de crime eleitoral, por estarem montando palanque em cima de atos do governo.


Palanque 2


Entre os vereadores, o mais escancarado foi Celso Torquato (PMDB), que terminou seu discurso com seu slogan de campanha. Entre os deputados, quem falou aliás quem mais falou de todos que discursaram foi o pré-candidato à Prefeitura de Curitiba, Ângelo Vanhoni (PT). Entre os demais, foram elogios, elogios e elogios aos programas do governo do Estado. Aliás, a presença de Vanhoni no palanque do governo veio um dia depois de Requião ter defendido abertamente a coligação entre o PT e o PMDB já no primeiro turno.


Palanque 3


A finalização das falas ficou por conta do governador que, mais escaldado que os convidados, tratou de descaracterizar o evento como de cunho político-eleitoral. Requião disse que os programas de seu governo ''não são para fazer campanha eleitoral''. Tá bom!


Briga 1


A 5 Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJ) negou recurso interposto por Requião e a ação de indenização ajuizada pelo atual presidente da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), João Ricardo Keppes de Noronha, continua correndo no juízo de primeiro grau. Requião alegou que por ser senador à época dos fatos gozaria de imunidade. Os desembargadores da 5 Câmara Cível entenderam que não, já que os ataques que fez a Noronha foram feitos, num programa de tevê, quando o mesmo era candidato ao governo do Estado.


Briga 2


A assessoria do TJ não informa o que de tão grave Requião acusou Noronha. Mas, puxando-se pela memória, a ação certamente diz respeito aos pronunciamentos feitos por Requião enquanto candidato. O governador acusou Noronha de comandar a banda podre da Polícia Civil do Estado. Por quê? Porque dois anos antes das eleições de 2002, a CPI Nacional do Narcotráfico passava por Curitiba e fazia graves acusações. Noronha, o então delegado geral, chegou a ser exonerado com a anuência do então governador Jaime Lerner (PSB), acusado de fazer vistas grossas a denúncias de corrupção na própria corporação.


Xodó 1


O cartorário Felipe Costa, namorado de uma das filhas do chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, é o mais novo xodó do governador. O que o rapaz não tem se sentido muito à vontade é com algumas brincadeiras das quais tem sido alvo. Na recente viagem ao Chile, Felipe integrou a comitiva oficial e num dos eventos foi apresentado publicamente por Requião como ''o Marquês de Rabicó''. Numa referência ao personagem do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato. Pior: o apelido pegou no governo.


Xodó 2


Requião não deveria fazer esse tipo de brincadeira. Para quê incomodar o rapaz que, no futuro, pode estar do outro lado. Como é o caso do filho do ex-governador Mario Pereira, Luiz Fernando Pereira. Para quem não lembra, em 1992, o então acadêmico de Direito, conhecido como Pereirinha, comandou junto com Ricardo Gomyde, hoje na Paraná Esportes, uma invasão na PUC em Curitiba. Os estudantes estavam inconformados com o reajuste abusivo nas mensalidades dos cursos oferecidos pela universidade.


Xodó 3


Requião era o governador na época Mário seu vice e nunca deu ordem para a Polícia Militar (PM) desocupar o prédio de 11 andares da reitoria, apesar de os irmãos maristas terem obtido reintegração na Justiça. O prédio ficou em poder dos estudantes durante 60 dias. Requião adorava Pereirinha e vice-versa. Hoje, o filho do ex-governador Mario Pereira advoga para os proprietários das casas de bingo que tentam reabrir em Curitiba. A amizade pode até continuar, mas que estão em lados opostos estão.


Em Nova York


Enquanto, pefelistas, tucanos, peemedebistas, petistas, pedetistas e demais partidos políticos brigam por espaço nas eleições municipais deste ano, Lerner fez o que mais gosta: passeia pelas ruas de Nova York. Ontem foi visto feliz da vida circulando com a mulher, Fani Lerner, pela Quinta Avenida. De Nova York deve ir direto para o Rio de Janeiro, seu novo domicílio eleitoral e onde sonha ainda em ser prefeito.


TV Assembléia


Não se sabe se isso vai alterar o comportamento dos deputados, mas o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB) informou ontem que pretende iniciar em julho uma licitação para a criação da TV Assembléia. A emissora irá transmitir as sessões e os trabalhos das comissões instaladas na Casa. Alguns deputados mal podem esperar a chegada dos holofotes. Outros, nem tanto.


Campanha


A Justiça Eleitoral do Paraná está solicitando voluntários para trabalharem nas eleições deste ano. Ao todo, para os pleitos nos 399 municípios do Estado, serão necessários cerca de 130 mil mesários, dos quais 15 mil somente em Curitiba, o maior colégio eleitoral do Estado. Se a campanha não funcionar, não vai ter jeito, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) terá que despachar aquelas famosas cartinhas convocando os mesários para o trabalho.


Perguntinha


Todo ato de governo vai virar palanque, de agora a outubro?

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