Dor de cabeça


Se depender do governador Roberto Requião (PMDB), o Parque da Ciência, obra monutental construída por Jaime Lerner (PFL) no antigo Parque Castello Branco, na Região Metropolitana de Curitiba, volta a ser parque para exposição de animais. Pelo menos, a dor de cabeça será um pouco menor.


Fatura salgada


Ontem, Requião recebeu um orçamento para fazer funcionar com segurança um aquário cheio de janelas, desenhado para uma das áreas do parque: a bagatela de R$ 470 mil somente em vidro. O governador ficou uma arara. Não pensava que a herança do antecessor fosse lhe custar tanto. A orelha de Lerner deve ter ficado vermelha. ''Gênio da arquitetura'' foi o ''elogio'' mais simpático verbalizado por Requião.


Não suportou


O orçamento foi solicitado pelo próprio governo do Estado, porque os vidros do bendito aquário, até então abandonado, estouraram durante um teste. Há cerca de dois meses, um funcionário resolveu encher a caixa de concreto e vidro com 30 mil lítros de água. Os vidros, de 6 milímetros de espessura, não suportaram o volume de água. Sorte que o aquário fica a céu aberto, fora dos galpões do parque, aonde há mobília.


Depenado


O atual governo também detectou problemas nos filtros e na bomba do aquário. Requião já sinalizou que não pretende desembolsar altas somas para manter a idéia de Lerner em funcionamento. O que era para ser um aquário cheio de peixes para observação não fica muito longe daquela maquete gigante, que traz a marcação dos 399 municípios do Paraná e que custou R$ 700 mil.


Memória


O Parque da Ciência foi a última obra inaugurada por Lerner, no finalzinho de 2002, cerca de uns dez dias depois da entrega do Novo Museu, que no governo Requião passou a se chamar Museu Oscar Niemeyer (MON). A obra custou milhões de reais. Só em projetos culturais, investiu-se R$ 4,5 milhões. Coisa de primeiro mundo, mas que não foi levada adiante pelo sucessor que alega, como no caso do aquário, problemas estruturais. Ao todo são oito galpões voltados para a iniciação científica de estudantes.


Tentativa


Maurício Requião, secretário de Estado da Educação e irmão do governador, até tentou revitalizar a idéia transformando o Parque da Ciência no Complexo Nilton Freire Maia, o que não decolou. Não adianta, entre a criação e a operacionalização a distância é grande.


Sob encomenda


Rafael Greca (PMDB), que sonha em voltar a ser prefeito de Curitiba, está feliz da vida com uma pesquisa eleitoral que encomendou. A sondagem, medindo o voto do eleitor curitibano, lhe confere índice maior que os 5% detectados pelo Ibope, há 20 dias. Greca foi mostrar os números para Requião e disse ter obtido a benção do governador para continuar a sua cruzada em prol do lançamento, pelo PMDB, de candidatura própria.


Almas gêmeas


''Não vou mais brigar com Requião nesta encarnação'', anunciava ontem, feliz da vida. Nem parece que um dia foram inimigos, no tempo em que Greca era ministro do Esporte e Turismo e Requião senador da República. Portanto, não há de se estranhar se daqui a alguns dias Requião e Alvaro Dias (PSDB) passem a trocar, em vez de cartas marotas, cartas de amor. A hipótese também vale para Greca e Lerner.


Jogo duplo


Se Requião de fato deu aval para Greca continuar pleiteando a Prefeitura de Curitiba, mais um motivo de alerta para o ex-secretário de Estado Nizan Pereira, que deixou anteontem o governo com a promessa de que será o vice na chapa de Ângelo Vanhoni (PT). Até as eleições, muita coisa pode rolar. Vanhoni também não deve desligar o radar. Assim como Greca e Gustavo Fruet, outro interessado em concorrer em outubro próximo.


Afastamento


Dentro do prazo para desincompatibilização, o secretário de Administração de Guarapuava, Edony Antônio Kluber, deixou o cargo. Sérgio Augusto Micheliszyn, gerente municipal, vai acumular a pasta. Kluber é do PDT e um dos cotados na cidade para ser vice numa chapa encabeçada pelo deputado federal César Silvestri (PPS), aliado do atual prefeito Vitor Hugo Burko (PL).


Lasquinha


O presidente do PT, André Vargas, provoca. Durante a reunião entre o secretário Maurício Requião e base aliada, nesta semana, não perdeu a oportunidade de dar uma cutucada. Ao saber do erro nos cálculos do impacto financeiro do aumento dos professores (extra de aproximadamente R$ 360 milhões ao ano), aconselhou: ''ficam criticando só o Antonio Palocci (ministro da Fazenda) e a política econômica do governo Lula, trazendo gente para falar mal nas reuniões do secretariado, que acabam descuindando da própria casa''.


Encontro


O PT se reúne em peso neste final de semana em Ponta Grossa, no auditório do Teatro Marista. Foram convidados para o encontro estadual o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o presidente nacional do partido, José Genoino.


Eterno rebelde


O deputado federal Florisvaldo Rosinha Fier (PT) foi o único parlamentar paranaense a se abster na votação da proposta da oposição de elevar o salário mínimo para R$ 275. Disse que tomou a decisão para não respaldar o atual modelo econômico, com o qual não concorda, e por não aceitar as hipocrisias do PFL e do PSDB.


Pau para todos


''Defendo um salário-mínimo maior que os R$ 275 propostos pela oposição. O que o PFL e o PSDB estão fazendo não passa de hipocrisia. Eles ficaram oito anos no governo FHC e não fizeram nada.'' Segundo Rosinha, os R$ 260 propostos pela equipe econômica do governo Lula é uma prova de que não há vontade para mudar o modelo econômico.


Perguntinha


O que estão esperando para fazer uma auditoria no Parque da Ciência?

Leandro Donatti e sucursais
[email protected]

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