INFORME FOLHA
Efeito Requião
Requião vibrou com o noticiário canadense. Em viagem oficial até o dia 16, o governador devorou as matérias sinalizando a suspensão, pela Monsanto, da produção de sementes de trigo transgênico. A decisão da multinacional rendeu até brincadeirinha: bastou o governador pisar em território canadense para a Monsato recuar. A piada não tem efeito no Paraná, onde a Monsanto, pelo que os paranaenses têm visto, não se rende à guerra encampada pelo governo do Estado, entre outras coisas, contra seus agrotóxicos.
Corpo fora
O secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, que também está no Canadá, afirmou via assessoria à Agência Estado que as opiniões de seu assessor Hasiel Pereira sobre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), expressas em uma carta enviada ao presidente Lula, são ''particulares e não refletem a posição do governo do Paraná''. Semana passada, o assessor da Casa Civil encaminhou documento onde faz pesadas críticas à atuação da Anvisa na área dos transgênicos. Em um dos trechos, refere-se à agência como integrante de uma ''corja''.
Versões
Além de desaprovar o texto, Caíto desmentiu que Pereira seja coordenador político. Na nota, o secretário afirma que Pereira ocupa o cargo de assessor. O secretário disse ainda que, se soubesse da intenção de Pereira em enviar a carta, teria recomendado que ele se identificasse como cidadão para não envolver a Casa Civil do Paraná. Pereira garantiu à Agência Estado na sexta-feira passada que, antes de mandar a carta marota, levou o texto para a leitura de Requião, que teria gostado da ousadia.
Sem sentido
Pito em funcionário do governo que faz tudo para agradar? Essa não dá para entender. Se for juntar tudo o que o Requião e o primeiro escalão do governo já falou mal do governo Lula e companhia, por conta dos produtos geneticamente modificados, daria um livro. Bem mais picante que a carta de Pereira, que se bobear, corre o risco de perder o emprego.
Pauta quente
Um jornalista da revista Época baixou em Curitiba e levanta com riqueza de detalhes o dia a dia do Poder Legislativo no Estado. Uma espécie de matéria especial reunindo numa edição só informações palpitantes divulgadas pelos jornais do Estado nos últimos meses. Na pauta de Época, desde o uso de carros pelos deputados estaduais, o aumento da verba de ressarcimento autorizado em Diário Oficial da Casa, até denúncias envolvendo procuradores fantasmas, que recebem salário sem dar expediente. Pode sobrar até para as mulheres dos nobres parlamentares.
Esclarecimentos
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), promete encaminhar ao Tribunal de Justiça (TJ), nos próximos dias, informações sobre a sessão do último dia 4. A bancada de oposição protocolou anteontem no TJ mandado de segurança, com pedido de liminar, que tem como objetivo anular a sessão plenária. O desembargador Angelo Zattar pediu mais informações à Casa antes de tomar uma decisão.
Memória
Na sessão do dia 4, foi aprovada, por 29 votos a zero, a mensagem do governo do Estado que pede carta branca aos deputados para mexer em até 9% do total do orçamento estadual, sem precisar do aval da Assembléia, como de praxe. Exemplo, a previsão para este ano é que o orçamento do Estado feche em R$ 12 bilhões. Se a mensagem virar lei, até 31 de dezembro de 2004, Requião poderá remanejar ao bel prazer R$ 1,1 bilhão.
Pauta trancada
Para embasar o pedido de anulação da sessão, a oposição argumenta que a pauta da Assembléia está trancada, porque ainda não foi votado o veto de Requião ao plano de cargos e salários dos professores da rede pública, como manda o regimento. O prazo para votação do veto é um mês a partir do recebimento, caso contrário a pauta fica obstruída. O veto chegou à Casa no dia 15 de março, e ainda não foi votado.
Sem quorum
Para agravar ainda mais a situação, ontem, não teve quorum para a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), quando o deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB), que pediu vistas na semana passada, devolveria o veto.
Risco
O empurra-empurra envolvendo o veto dos professores é uma faca de dois gumes ou ainda, para quem vê maldade em tudo, uma estratégia minuciosamente articulada por algum deputado que na frente bate palmas para Requião e pelas costas fala mal.
Hipótese
Se o veto não for liberado da CCJ para o plenário e o TJ, por infelicidade de Requião, decidir pela anulação da sessão, a carta branca não existe e sua validade pode ser questionada também judicialmente.
Ampulheta
De acordo com a legislação eleitoral, a partir de 3 de julho, o Estado não pode fazer transferências voluntárias de recursos aos municípios, nem com nem sem aval dos deputados.
Indenização
A 1 Câmara Cível do TJ condenou o Estado do Paraná ao pagamento de R$ 100 mil ao empreiteiro Luiz Carlos Alves Brites. No dia 25 de fevereiro de 2000 (governo Lerner), Luiz parou para abastecer seu Fiat Tempra no Posto Saguaru, às margens da BR-277, quando um policial, que perseguia assaltantes em veículo semelhante, deu voz de prisão, por engano. Ao levantar as mãos para o alto, de costas para o policial, foi atingido por um tiro que perfurou seu intestino, ocasionando lesões que o levaram a submeter-se a seis cirurgias e utilizar, até hoje, bolsa de colostomia.
Perguntinha
Qual a tiragem da revista Época?





