Apressadinho


O deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB), relator da CPI da Terra, parece estar colocando a carroça na frente dos bois. Na última quarta-feira, afirmou à Folha que as cartilhas, supostamente elaboradas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ensinando como fazer uma invasão, seriam encaminhadas ontem para o Ministério Público (MP) federal, o que não aconteceu.


Cautela


Mais comedido, o presidente da CPI, Élio Rusch (PFL), disse que o assunto seria melhor discutido e qualquer deliberação seria colocada em votação entre os demais membros da comissão na reunião de amanhã.


Ataque


O coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, disse ontem, com todas as letras, que a existência dessas cartilhas é uma ''fantasia da CPI''. O líder sem-terra criticou, inclusive, o trabalho dos deputados, afirmando que ''a CPI não tem norte e está desmoralizada''.


Coisa séria


Em defesa, Élio Rusch rebateu que ninguém está querendo brincar de CPI, que o trabalho é sério e em momento nenhum se encaminhou a favor ou contra um ou outro grupo. ''Ele (Baggio) terá a oportunidade de se manifestar'', afirmou. Amanhã, é a vez do coordenador da Ong Terra de Direitos, Darci Frigo, dar seu depoimento à CPI.


Faz-de-conta


O verniz era de civilidade e de tapinha das costas. Peemedebistas e petistas, que no dia a dia falam mal uns dos outros, se reuniram na noite de domingo passado, em Curitiba, para discutir a eleição de outubro. O encontro foi no restaurante Don Carneiro e foi articulado pelo secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano, Renato Adur (PMDB).


Nada muda


Ao final do jantar, a conclusão: fica tudo como está já que ninguém cede. Os deputados Gustavo Fruet (PMDB) e Rafael Greca (PMDB) continuam defendendo que o PMDB deve ter candidato próprio à sucessão do prefeito Cassio Taniguchi (PFL). E Angelo Vanhoni (PT) continua batendo na tecla de uma aliança de oposição com o PMDB já no primeiro turno.


Representantes


Participaram do encontro, além dos três interessados na sucessão, lideranças como o presidente estadual do PMDB, Dobrandino da Silva; o irmão de Requião e árduo defensor da aliança em torno de Vanhoni, Maurício Requião; o presidente do PT municipal, Roberto Salomão, entre outros. Dobrandino quer que o PMDB lance candidato próprio e lembrou que decisão mesmo é só na convenção, em junho. Já Salomão, por razões óbvias, defendeu a aliança.


Outra dissidência


Como se não bastasse o PMDB desgarrado, o PT de Vanhoni conta com outro problema na formação da aliança. O PPS, partido que é considerado aliado, também não pretende ir a reboque do PT pelo menos não no primeiro turno. Rubens Bueno, presidente do partido e um dos diretores da Itaipu Binacional, deixou isso bem claro no jantar de Adur. O PPS vai lançar nome próprio.


Corpo fora


Requião não foi ao jantar. Não quer se comprometer com nenhum dos lados e nem tomar uma posição neste momento, a seis meses da disputa. Muita água pode rolar. Greca pode ficar inelegível, por causa da prestação de contas ao TC como prefeito de Curitiba em 1996. Gustavo pode se convencer que ainda não é sua hora. E o relacionamento com o PT de Vanhoni é uma caixinha de surpresas. Nunca se sabe como será amanhã.


Crítica


''Com esse governo não tem condições!'' Desabafo de Jorge Samek (PT), diretor brasileiro da Itaipu Binacional, ao deputado Bradock, domingo à tarde, durante passeio na ciclovia, em Curitiba.


Carta-branca


O plenário da Assembléia será transformado hoje em comissão geral, para agilizar a aprovação da mensagem do governo que dá carta branca ao Poder Executivo para mexer no orçamento do Estado. A transformação em comissão geral, solicitada pela liderança do governo e aprovada pelo plenário, permite que os projetos recebam pareceres na hora, sem precisar esperar a votação nas comissões permanentes. Na semana passada, a mensagem voltou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), porque recebeu uma emenda.


Impedimento


A partir do dia 3 de julho, conforme a legislação eleitoral, o Estado não pode fazer transferências voluntárias de recursos aos municípios. Daí a pressa em alterar o orçamento.


Muito perigoso


Os deputados oposição e situação consideram que a mensagem original significa dar um cheque em branco ao governo. Até o presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), considera que a Assembléia precisa manter um certo poder sobre o orçamento. A mensagem busca excluir do orçamento a expressão projeto-atividade. Na prática, a expressão significa a construção de uma estrada ou escola, por exemplo.


Plenos poderes


A questão é que o governo tem liberdade, atualmente, para remanejar até 9% do valor destinado a cada um desses projetos. Se a mensagem for aprovada com o texto original, ou seja, retirando essa expressão, o governo poderá remanejar 9% do total do orçamento, que é de cerca de R$ 12 bilhões.


Freio


A emenda assinada por Luciano Ducci (PSB) e Durval Amaral (PFL) fixa em 15% o percentual para os projetos-atividades, mas mantém a expressão. O governo poderá, conforme a emenda, abrir créditos adicionais até o limite de 15% caso haja aumento na arrecadação, 15% também para conversão de fontes (de onde vem o dinheiro).


Perguntinha


De qual governo Samek se referia, ao de Lula ou ao de Requião?

Leandro Donatti e sucursais
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