INFORME FOLHA
Patrocínio
Os paranaenses nem ficaram sabendo, mas o governo Roberto Requião (PMDB) foi um patrocinador de peso do Tribunal Internacional Popular sobre Transgênicos, realizado no dia 11 de março em Porto Alegre. Aquele tribunal que ouviu peritos especialistas da área, cinco testemunhas e ao final um corpo de jurados que condenou a Empresa Monsanto S.A. e a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) como ''responsáveis pela disseminação ilegal das sementes transgênicas, colocando em risco o meio ambiente, a biodiversidade, a saúde da população, o patrimônio genético agrícola existente e a economia brasileira''.
Verba
A Secretaria de Estado da Comunicação Social fez dois empenhos, um de R$ 10.903,51 para ''um anúncio de três colunas por 21 centímetros'', e outro de R$ 20.614,58 para ''projeto, montagem, desmontagem e coordenação geral do evento, incluindo a produção de camisetas, bonés, equipe de panfletagem, distribuição de brindes, locação de van, entre outros''. Na discriminação dos empenhos, o patrocínio ao tribunal antitransgênicos é classificado como ''ações do governo Requião''.
Sigilo
O governo não divulgou que estava patrocinando, por isso que apesar de ser o inimigo número 1 dos transgênicos muita gente estranhou a participação de Requião no tribunal. Naquela oportunidade, o governador do Paraná fez duras críticas sobretudo à Monsanto, com quem briga inclusive tentando suspender o uso de seus herbicidas no Estado.
Informações
O deputado estadual Plauto Miró Guimarães (PFL) ficou sabendo nos bastidores do patrocínio e formulou um pedido de informações, aprovado pela Assembléia Legislativa quatro dias depois do evento, no dia 15 de março passado. O pedido de informações passou pela Comunicação Social e foi remetido de volta para a Assembléia através da Chefia da Casa Civil.
Repercussão
Além do jornal O Sul, o site da Assembléia Legislativa de Rio Grande do Sul deu nota sobre o assunto. Parece que o deputado gaúcho Jerônimo Goergen (PP) não gostou da história.
Greenpeace aqui
O navio Greenpeace, que está no Rio Grande do Sul e que circula por todo o mundo protestando em defesa do meio ambiente, desatraca em Paranaguá próximo dia 20. A idéia é ficar dez dias em território paranaense, apoiando as ações do governo Requião e convencendo a população parnanguara, sobretudo, dos malefícios dos produtos geneticamente modificados.
Indignação
O ex-secretário de Governo de Lerner José Cid Campêlo Filho não gostou nada da repercussão do trocadilho feito anteontem por Requião, numa solenidade pública com a presença de autoridades e prefeitos. Requião disse que só havia entendido o significado da expressão ''cadeia produtiva'' na semana passada, quando os ex-secretários da Fazenda Ingo Hubert e Campêlo Filho foram presos.
Processos
Campêlo Filho já começou a elaborar ação de reparação de danos morais por calúnia e difamação contra jornalistas, jornais, e contra o próprio governador. ''É abuso de autoridade. Não existe nenhuma ação me condenando'', reclamou o ex-secretário. Campêlo Filho prometeu que vai limpar sua honra, nem que para isso tenha que entrar com várias ações. Avisa que vai processar caso Requião cumpra o que prometeu e mande fazer cartazes do ex-secretário na cadeia para distribuir pelo Paraná.
Não aprende
Ontem, em Londrina, o governador voltou a detonar, quando questionado sobre a denúncia feita pelo MP sobre a possível ilegalidade da compensação tributária feita pela Copel ao governo do Estado. ''Estou construindo em Londrina uma penitenciária para 900 pessoas e vai ter lugar para o pessoal que meteu a mão no ICMS, que meteu a mão na Copel e no dinheiro público. São 900 novas vagas, uma cela para cada um'', declarou em voz alta.
O articulador
Bem mais simpático que o titular, o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) pode deixar a Secretaria de Estado da Agricultura nas próximas semanas, para ficar mais livre. Uma ala do governo o defende como um articulador político, fundamental em ano de eleição. Pessuti é o que mais tem trânsito dentro do primeiro escalão. Trânsito com gente simples, os que decidem uma eleição.
Recuo
O protocolo 570980/03, aquele que promove funcionários do TC sem concurso público, o que não é permitido pela Constituição, não foi votado ontem pelos conselheiros porque não houve reunião de conselho.
Amizade antiga
O ex-presidente da Urbs Fric Kerin foi nomeado pelo prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), para o cargo em comissão de ''assessor do prefeito''. Quem achou a nomeação no Diário Oficial do município do último dia 9 de março foi o gabinete do vereador Adenival Gomes (PT). Feita por meio de decreto, a nomeação é retroativa a janeiro deste ano.
Memória
Apontado pelo MP como responsável por um rombo superior a R$ 5 milhões dos cofres da Urbs, Kerin responde a ação na Justiça. Motivo: o perdão de pelo menos 37 mil multas de trânsito emitidas por radar contra os ônibus de empresas de transporte ligadas à Urbs.
Moção de apoio
O secretário de Estado da Segurança, Luiz Fernando Delazari, assinou anteontem moção de apoio ao secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, que enfrenta a onda de violência nas favelas da cidade. Quem assina moção de apoio a Delazari?
Perguntinha
E para a vinda do Greenpeace, o governo também colabora?
Leandro Donatti e sucursais
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