INFORME FOLHA
Encaminhamento
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) encaminhou ontem à tarde para o Ministério Público (MP) estadual auditoria contratada pelo atual presidente da entidade, empresário Rodrigo Rocha Loures, e que detectou desvio de pelo menos R$ 7,5 milhões do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), um dos braços do Sistema Fiep, de janeiro a setembro de 2003. A Fiep na época era comandada por José Carlos Gomes Carvalho, o Carvalhinho, que morreu no final do ano passado, e o IEL por Ubiratan de Lara.
Sem nomes
Na auditoria não acusa ninguém, até porque Rocha Loures quer deixar para o MP a tarefa de denunciar os responsáveis pela malversação de recursos. O desvio só foi possível com a falsificação de documentos como recibos e faturas que eram fraudados dentro do próprio IEL, conforme informou em entrevista à Folha, durante a semana, o superintendente corporativo do Sistema Fiep, Arthur Carlos Peralta Neto.
Apuração ampliada
A auditoria não acabou e não tem prazo para terminar. O presidente da Fiep já autorizou que o pente-fino na contabilidade se estenda para outros exercícios financeiros do IEL, já que Senai e Sesi, também integrantes do Sistema Fiep, são fiscalizados pelo Tribunal de Contas (TC) do Paraná. Numa análise prévia, os auditores já disseram ter detectado problemas e falhas semelhantes nas contas de 2002, o que sinaliza que o rombo pode ser maior.
Sem hipocrisia...
Não houve preocupação alguma nem do governo do Estado e nem da comitiva enviada pelo governo federal em disfarçar o mal-estar gerado com a pressão que está sendo feita em cima do Paraná para que se libere o escoamento de transgênicos através do Porto de Paranaguá. O superintendente do porto, Eduardo Requião, falava grosso com os representantes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) de um lado. O diretor da Antaq, Carlos Alberto Nóbrega, rebatia os representantes do governo Requião do outro.
...nem tanto
Depois das ''gentilezas'', trocadas diante dos jornalistas que cobriam o encontro ontem, em frente ao Palácio Iguaçu, o diretor da Antaq; o diretor do Ministério dos Transportes, Paulo de Tarso Carneiro; e a deputada federal Telma de Souza (PT-SP) subiram para almoçar com o governador Requião como se fossem todos grandes amigos. Como podem?
Alarme falso
Requião, que por pouco não teve um ''antaq'' de nervos, chegou a mobilizar sua segurança para descer para o porto no meio da tarde ontem. O governador iria em companhia dos visitantes de Brasília, mostrar que o governo do Paraná está fazendo a sua parte, apesar da irredutibilidade declarada quando o assunto é transgênicos. Mas, durante o almoço, desistiu da idéia. Melhor não.
Reunião secreta
O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, esteve secretamente no Paraná. Mais exatamente na última sexta-feira, quando conversou com Requião na Granja do Canguiri, onde fica a residência oficial do governador na Região Metropolitana de Curitiba. Assuntos pepinosos não faltaram. José Dirceu estava acompanhado dos deputados estaduais Angelo Vanhoni e Natálio Stica, do diretor brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, e do assessor especial do governo, Daniel Godoy. Todos petistas que mantêm trânsito no governo Requião.
Pauta
Transgênicos entrou na pauta com certeza. A saída de Zeca Dirceu do governo do Estado coincidência ou não dias depois das denúncias de que o filho do ministro usava sua influência em Brasília para conseguir dinheiro federal para Cruzeiro do Oeste, sua base eleitoral talvez. Mas o que se especula é que um outro tema, bastante indigesto não só para o governo federal como para o governo estadual, também foi discutido. Talvez seja isso que una tanto governos imiscíveis como o de Requião e o de Lula num momento desses.
Ofício
Caíto Quintana, da Casa Civil, distribuiu ofício ontem a todos os servidores estaduais informando os prazos para desincompatibilização dos funcionários que venham a ser candidatos nas próximas eleições municipais. O ofício foi encaminhado em regime de urgência.
Prazos
A Casa Civil achou por bem esclarecer publicamente que os servidores comissionados apadrinhados políticos têm de pedir a exoneração do cargo quatro meses antes do pleito quando forem concorrer na eleição majoritária para prefeito ou vice-prefeito. E com seis meses de antecedência quando na eleição proporcional forem ser candidatos a vereador. É o que diz a legislação eleitoral.
Privilégio
Já os servidores efetivos terão o afastamento remunerado 90 dias antes das eleições. Na data limite o ato de desincompatibilização deverá estar publicado no Diário Oficial.
Reforço
Pode ficar tranquilo, pelo menos por ora. A 8 Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região confirmou anteontem o habeas corpus concedido no dia 20 de março pelo desembargador federal Élcio Pinheiro de Castro ao ex-diretor de Câmbio do Banestado Aldo de Almeida Júnior. Ele é acusado de enviar ilegalmente, entre os anos de 1996 e 1997, para o exterior 1,93 bilhão de dólares através de contas CC-5.
Fogo cruzado
O diretor-geral do DER, Rogério Tizzot, mandou nota ontem dizendo que, ao contrário do que o presidente da regional da ABCR, João Chiminazzo Neto, afirmou, o evento para apresentação da cartilha do pedágio às entidades rodoviárias foi ''amplamente divulgado, com convites a mais de 60 entidades e contou com a presença cerca de 100 presenças''.
Perguntinha
Também falou-se do caso Waldomiro Diniz na conversa entre Requião e José Dirceu, sexta-feira?
Leandro Donatti e sucursais
[email protected]





