INFORME FOLHA
Carta
Mais um mal-estar entre o governo estadual e o governo federal, que por incrível que pareça se dizem aliados políticos. Desta vez o pivô da discórdia foi o deputado federal José Genoíno. Já foram tantos. Como presidente nacional do PT, partido do presidente Lula, Genoíno, numa entrevista ao site do partido, fez críticas à forma como Requião conduziu a recente paralisação de seis dias do Porto de Paranaguá. Pois bem, o governador mandou uma carta para Genoíno, que foi lida no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, ontem, pelo deputado federal do Paraná, Gustavo Fruet (PMDB), não se sabe se a pedido de Requião ou não.
Cobrança
Na carta, Requião diz que Genoíno deu declarações ''irrefletidas'' e ''imprudentes''. ''Em circunstância como esta, não esperava, como aliado do presidente da República, ser transformado em alvo de suas disparatadas observações'', cobrou. ''O senhor, pelo que vejo (...), mantém-se absolutamente ignorante do que aconteceu no Porto de Paranaguá'', segue a carta de uma lauda.
Discurso
''Não tivemos lá uma greve e sim um locaute. Acredito que, como presidente do Partido dos Trabalhadores, o senhor saiba distinguir uma coisa de outra. Contrariei em Paranaguá poderosos interesses, daí a reação. Os responsáveis pela paralisação estão respondendo a inquérito policial e serão todos enquadrados na Lei de Segurança Nacional'', promete o governador. Sobre o porto, foi isso que constou na carta.
Alfinete
O restante é uma mistura de ironia com ressentimento. ''Sendo assim, livre desta pendenga (paralisação no porto), coloco-me à disposição para ajudá-lo a resolver as greves da Polícia Federal, do INSS e paralisações outras que atazanam a República. Do mesmo modo, aproveito a ocasião para sugerir mudanças na política econômica federal. Os seus efeitos deletérios respingam sobre nós, os aliados. E nem por isso estamos a dizer tolices ao ou do presidente da República.''
Gasolina
A ala do PMDB que apóia Gustavo Fruet como candidato à Prefeitura de Curitiba em outubro não tem dúvidas: a troca de farpas entre o governador do Paraná e o presidente nacional do PT engrossa a tese de candidatura própria, sem uma coligação com Angelo Vanhoni (PT) já no primeiro turno.
Adesão
Aliás, o filho de Maurício Fruet está buscando apoios no comando nacional do PMDB para sair candidato. Sabe que Rafael Greca (PMDB), depois da passagem pelo Ministério do Esporte e Turismo no governo FHC, não tem o mesmo trânsito para pedir apoio ao projeto, de também concorrer à sucessão de Cassio Taniguchi (PFL). Eleito terceiro vice-presidente do PMDB nacional, há 15 dias, Gustavo e alguns peemedebistas, dentre os quais o presidente estadual do partido Dobrandino da Silva, estavam coletando assinaturas de líderes peemedebistas para fazer coro à tese de que uma aliança com o PT em Curitiba não é vantajosa, a não ser para o PT.
Troca
O grupo diz ter conseguido a simpatia do deputado federal Michel Temer, que vai mesmo concorrer à Prefeitura de São Paulo, não coligando com o PT de Marta Suplicy como se chegou a se especular. No próximo dia 17, haverá um ato oficializando a candidatura de Temer. ''O que isso significa (o lançamento pelo PMDB de candidato em São Paulo)? Um ponto a mais para tese de candidatura própria em Curitiba'', comemorava ontem o vereador Paulo Salamuni (PMDB), cabo eleitoral de Gustavo.
Xis da questão
O que faz tanto Gustavo Fruet e Rafael Greca se auto-afirmarem, sempre que podem, nessa briga pela sucessão em Curitiba? A imprevisibilidade de Requião, a maior liderança do PMDB no Estado. Em determinados momentos, o governador sinaliza que quer ver seu partido coligado com o PT no primeiro turno. Requião não esquece que o PT foi fundamental na briga pelo governo em 2002, quando disputou com Alvaro Dias (PSDB). E por isso mantém com algumas lideranças, como Vanhoni; seu futuro líder na Assembléia, Natálio Stica; e o diretor brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, excelente relacionamento.
Veto
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Hermes Fonseca (PT), indicou Antonio Anibelli, líder da bancada do PMDB, para relatar na comissão o veto de Requião ao plano de cargos dos professores, que não dá aumento retroativo à categoria. Os professores que souberam que Anibelli deixou escapar dia desses, numa entrevista a jornalistas, ''Graças a Deus não sou professor'', numa prova de que a categoria vive um momento difícil, estão aguardando um parecer pela derrubada do veto. Podem aguardar sentados!
Fundo de aval
Os deputados estaduais aprovaram ontem, em primeira discussão, a mensagem do Poder Executivo que institui o Fundo de Aval, para fomentar agricultura familiar. O fundo terá o aporte inicial de R$ 2 milhões, que sairá do Tesouro estadual. A mensagem precisa passar por mais duas votações na Casa, e depois segue para sanção do governador.
De olho
Fernando Carli (PP) está de olho no Diário Oficial do Estado e ontem acusou o governo Requião de conceder benefícios fiscais a seis empresas, totalizando R$ 461 milhões. ''O governador precisa vir a público e esclarecer essa questão com urgência. De hoje em diante o governador não pode mais criticar (como fazia contra Lerner) benefícios fiscais em nenhum lugar do Brasil. Ele perdeu a condição moral de fazer qualquer tipo de crítica aos incentivos fiscais'', disse Carli.
Beneficiadas
Os incentivos, de acordo com o Diário Oficial do dia 5 de março, lido por Carli, beneficiam empresas já instaladas no Paraná, como é o caso da Sercomtel, Dixie Toga, Elevadores Atlas/Schindler, Berneck, Hexal do Brasil e Companhia Brasileira de Bebidas.
Perguntinha
Até quando Lula vai permitir os ataques de Requião ao PT?
Leandro Donatti e sucursais
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