Novo impasse


A briga entre Prefeitura de Curitiba e governo do Paraná acerca do gerenciamento do transporte coletivo na capital e região metropolitana teve mais um round na sexta-feira à noite. Cassio Taniguchi (PFL) convocou os prefeitos da região metropolitana para discutir a proposta do governo Requião, devolvendo à prefeitura o gerenciamento financeiro do sistema. Cassio aceita a devolução, mas quer garantias jurídicas que o governo do Estado não vai voltar atrás, ampliando crise que se arrasta há meses.


Garantia


Na reunião, ficou decidido que a prefeitura vai solicitar à Comec, a coordenadoria da região metropolitana responsável no governo pelo transporte coletivo, novo documento, só que este amparado juridicamente e não com brechas como o apresentado durante a semana.


Memória


O gereciamento financeiro do transporte coletivo da região metropoliana, assim como o de Curitiba, de praxe foi atribuição da prefeitura. Há um mês, irritado com os desdobramentos da discussão entre as partes que tentavam manter tarifa única, o que não foi possível, Cassio desmembrou as planilhas, podendo assim fazer reajustes à revelia do governo que, por lei, tem poder sobre o transporte coletivo nas redondezas.


Sinal-verde


Salvo mudança de última hora, o 1º vice-presidente da Assembléia, Natálio Stica (PT), assume a liderança do governo nesta semana. Requião segundo o Palácio Iguaçu não pretende vetar o nome de André Vargas para a vaga deixada por Stica, como vinha sendo ventilado nos últimos dias e com razão já que o governador já protagonizou pelo menos duas crises com o presidente estadual do PT. Há entretanto, setores do PMDB que ainda torcem o nariz para Vargas.


Desarticulação


O atual líder, Angelo Vanhoni (PT), trabalha sua pré-candidatura a prefeito de Curitiba. Oficialmente ainda não se desligou da liderança, mas não tem dedicado tanto tempo da agenda para os problemas do governo em plenário. Alguns assessores de Stica já se mudaram para o gabinete da liderança. A base aliada, apesar de bem maior que a oposição que tem apenas seis dos 54 parlamentares , já dá sinais de desarticulação. Quem tem respondido aos ataques da oposição no plenário é o líder do PMDB, Antonio Anibelli. O Palácio Iguaçu já percebeu o problema.


Candidatos


Dois candidatos, além de Vargas, estão de olho na vaga que será deixada por Stica: Ratinho Júnior (PPS) e Augustinho Zucchi (PDT). Este é segundo vice-presidente da Casa e já integra a mesa executiva.


Reunião


Stica disse na sexta que pretende se reunir com os líderes dos partidos amanhã, para definir quem fica em seu lugar. Se houver acordo, ele promete renunciar no dia seguinte.


No aguardo


O líder do PMDB, Antonio Anibelli, estava em Clevelândia. Disse que vai reunir a bancada após ouvir Stica, e só então fecha a posição do PMDB. ''O cargo é do PT'', não tem dúvidas. Já o líder do PPS, Marcos Isfer, estava em São Paulo ontem, em um encontro de seu partido. ''A princípio temos um candidato do nosso partido (Ratinho Júnior). Vamos esperar a reunião'', declarou Isfer.


Escrutínio


Se não houver consenso, o presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), já avisou que o próximo primeiro vice será escolhido no voto.


Carta aberta


Depois de mais de um ano enfrentando o governo estadual, a Associação Brasileira das Concesionárias de Rodovia (ABCR) decidiu mudar sua estratégia de combate. Em vez de limitar-se a rebater as acusações do governo de irregularidades nos contratos de concessão do pedágio, a ABCR decidiu atacar também Requião em uma carta enviada ao presidente Lula e aos jornais estaduais durante a semana.


Novo tom


Na carta, a ABCR afirma que ''a generalizada agressão às parcerias com a iniciativa privada tem provocado prejuízos incalculáveis à economia no Paraná (...) e já são evidentes a descrença e a relutância dos investidores nacionais e estrangeiros em aplicar recursos no Estado''.


Aliados


Aparentemente, a ABCR cansou de enfrentar sozinha o governador, e busca agora o apoio de outras empresas que tiveram contratos rescindidos ou foram atacados pelo governador. ''Na verdade, a carta retrata um sentimento que é comum ao setor empresarial no momento. Não estamos conversando formalmente com outras entidades nesse sentido, mas a carta pode ser interpretada como uma conclamação para que outros setores se manifestem. Essa vocação estatizante retrógrada do governo não é capaz de gerar empregos, como já se foi comprovado em outras ocasiões. O que o governo quer ao agredir a iniciativa privada?'', pergunta Chiminazzo.


Nada contra


O diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Rogério Tizzot, discorda das acusações de Chiminazzo. ''Não temos nada contra a iniciativa privada, e continuamos firmando contratos com empresas particulares para a manutenção das estradas do Estado. O que não podemos aceitar são contratos que claramente ferem o interesse público, como é o caso dos contratos do pedágio'', afirmou Tizzot.


Serviço


Quem quiser fazer ou transferir o título de eleitor em Curitiba tem os finais de semana para resolver o problema. Como está próximo o prazo final 5 de maio , uma central de atendimento está atendendo os eleitores aos sábados e domingos das 13 horas às 17 horas.


Perguntinha


O que está por trás desta oferta do governo devolvendo à prefeitura o gerenciamento financeiro integral do transporte coletivo na Grande Curitiba?

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