INFORME FOLHA
Sugestão
O Dieese do Paraná deve encaminhar à Urbs, a companhia de urbanização de Curitiba, na próxima semana, algumas sugestões de alterações na Lei Municipal Ordinária 7.556 de 1990, que rege a metodologia de cálculo do valor da tarifa do transporte coletivo em Curitiba. Entre as mudanças estariam a forma de reajuste de ganhos das empresas que fazem o transporte, a forma do cálculo de depreciação da frota, a atualização dos gastos de insumos, peças e acessórios, maior periodicidade nos cálculos de variações de preços de todos os insumos e o estabelecimento de metas de produtividade e qualidade para as empresas do transporte coletivo. Para o economista do Dieese, Cid Cordeiro, a legislação de 1990, nesse caso, é desatualizada em vários pontos visto que a situação econômica do País mudou. Cordeiro explica que até o início de 1994 o Brasil tinha índices de inflação altíssimos, porém hoje não chega a dois dígitos. Por isso, entre as mudanças sugeridas pelo Dieese, a principal é que as empresas que fazem o transporte não sejam mais remuneradas toda vez que um insumo sobe de preço. ''Elas devem receber reajuste anualmente, como é o aumento da tarifa. Hoje, toda vez que um item usado no transporte sobe, a Urbs aumenta o valor pago pelo quilômetro rodado. E isso acontece várias vezes ao ano.''
Metodologia
A Urbs paga às empresas um valor pela depreciação da frota que é calculado em cima do preço de um veículo novo. Para o Dieese, esse valor deveria ser calculado de forma proporcional ao valor atual do veículo, pelo tempo de vida do carro. ''A atualização dos cálculos de quanto os ônibus gastam de insumos deveriam ser atualizados com mais frequência. Afinal, os veículos novos têm mais tecnologia e por isso são mais econômicos'', afirma Cordeiro.
Dados velhos
O economista explica que o cálculo de quanto cada ônibus gasta de pneus, por exemplo, é de 1988. O mesmo acontece com as peças e acessórios. O valor desses itens representam um valor fixo de 10% do preço do veículo. Esse índice, diz Cordeiro, já pode ser outro.
Risco
Quanto ao preço dos insumos, que determinam o reajuste, o Dieese afirma que os valores para comparação de preço são pegos pela Urbs em duas datas específicas entre um reajuste e outro. Isso pode causar distorções, defende Cordeiro. ''O ideal é coletar índices mensais e no final fazer a média.''
Premissa
Já o estabelecimento de metas de produtividade e qualidade, de acordo com o economista, faria com que as empresas buscassem maior eficiência e, consequentemente, a concorrência e o menor preço. ''Para calcular uma tarifa justa, seria preciso primeiro adotar esses procedimentos metodológicos na coleta dos dados para os cálculos'', considerou.
Projeção
O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), assume oficialmente que um dos motivos para a troca de Deonilson Roldo por Sérgio Reis, na Comunicação Social, foi seu interesse em ter uma projeção maior. ''Foi uma decisão administrativa. A intenção é dar maior enfoque à divulgação das realizações da prefeitura'', disse.
Telhado de vidro
Para Angelo Vanhoni (PT), pré-candidato à Prefeitura de Curitiba e aliado de primeira hora de Requião, o ideal seria que o aumento da tarifa de ônibus na capital e região metropolitana, aguardado para a semana que vem, fosse assumido apenas pela Urbs como dá brechas a lei em vigor deixando a Comec, que é vinculada ao governo do Estado, bem longe da polêmica. Caso contrário, não vai poder usar o reajuste em seus discursos de campanha.
Ato falho
Eu não acredito, até porque seria burrice, mas tem gente que jura de pés juntos que Sérgio Reis, assim que vazou a informação de sua nomeação, recebeu ligações de peemedebistas parabenizando-o. Detalhe: pensavam que a reforma era no governo do Estado.
Ingenuidade
O secretário de Educação de Curitiba, Paulo Schmit, pelo visto, não entendeu o que aconteceu. Ontem, durante visita a escolas com o prefeito disse que as especulações em torno da reforma do secretariado foram tantas que até ele, que é do PFL, partido de Cassio, também foi incluído na lista dos possíveis substituíveis. Secretário, o critério de troca não era o partido, mas o grau de empenho em relação à pré-candidatura de Osmar Bertoldi (PFL) à sucessão municipal!
Caso Cosmo
Nem assumiu e a indicação de Sérgio Tocchio para a presidência da Urbs, no lugar de Yára Eisenbach, já rende polêmica. Tecchio está entre os dez denunciados pelo Ministério Público (MP) por supostas irregularidades na contratação de mão-de-obra via Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos de Curitiba (Cosmo). O Tribunal de Justiça (TJ) acatou denúncia-crime no início do mês. A acusação é de que a prefeitura driblou a Lei 8.666, das licitações. O gabinete do vereador Adenival Gomes (PT) está fazendo a festa.
Perguntinha
Não é meio estranho Comec e Urbs, que sempre são adversárias, juntinhas discutindo aumento de tarifa de ônibus?
Leandro Donatti e sucursais
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