Aumento à vista


O aumento da passagem de ônibus em Curitiba é fato consumado tanto para o prefeito Cassio Taniguchi (PFL) como para o governador Roberto Requião (PMDB). É só uma questão de horas. As diferenças políticas de Cassio e Requião se dissiparam diante das planilhas de custos que vêm sendo analisadas pela Urbs e Comec desde que o vice de Cassio, Beto Richa (PSDB), suspendeu aumento de R$ 1,65 para R$ 1,90 durante sua interinidade. Os passageiros, pelos cálculos que estão sendo fechados, passarão a pagar algo em torno de R$ 1,75. Um reajuste médio de 5%, referentes ao aumento salarial dos motoristas e cobradores de ônibus, fixado em 10%, que pode sofrer variação por conta de outros itens como o preço do diesel e lubrificante, manutenção da frota e custos administrativos. Tudo em nome da manutenção do sistema integrado do transporte em Curitiba, de jurisdição municipal, com o transporte de passageiros na região metropolitana, de competência estadual.


Articulação


Estudantes da capital estão se mobilizando para protestar contra o aumento da tarifa. O barulho está programado para a próxima terça-feira, na sede da Urbs, responsável pelo gerenciamento do transporte coletivo. Um dos diretores da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Jonivan de Oliveira, disse que o movimento estudantil quer participar das negociações entre Urbs e Comec e ajudar a ''desvendar a caixa-preta que são as planilhas de custo do transporte coletivo''.


Isonomia


Os estudantes então têm que se apressar. O anúncio da nova tarifa está programado para acontecer na segunda-feira. Ah, a Urbs não está sozinha na história. A Comec também está avalizando o aumento de ônibus que vem por aí. Tratamento igualitário faz bem.


Bomba mais cara


E não são só os usuários do transporte coletivo que estão em situação difícil. Os curitibanos que precisaram abastecer o carro ontem levaram um susto. Os preços da gasolina na maioria dos postos da capital estão 10% mais caros. O motorista que até quarta-feira pagava em média R$ 2,059 por litro, ontem teve que desembolsar R$ 2,199 por litro.


Efeito cascata


O aumento, aparentemente, injustificado, deve surpreender também os economistas, que não contavam com a pressão dos combustíveis na composição do índice inflacionário de fevereiro. A expectativa, inclusive, era de uma queda no custo de vida do curitibano para este mês. Ledo engano.


Curto circuito


Por pouco o secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano, Renato Adur, não foi demitido por vontade própria. O estresse foi com Requião. Adur teve uma conversa dura com o governador, que fez críticas à forma como sua pasta vem sendo conduzida. Revoltado, Adur pôs o cargo à disposição. O pedido de demissão durou minutos. O secretário voltou atrás depois de refletir.


Monotonia


A irritação de Requião com Adur não é de agora. O governador não aguenta mais avalizar ordens de serviços referentes à pavimentação de trechos com asfalto de construção de praças. Acha muito medíocre para um secretário de Estado que tem liberdade para implementar uma política urbana em todos os municípios do Paraná.


Pivô da discórdia


O estopim da crise com o secretário foi quando o governador descobriu que um projeto elaborado por Luiz Forte Neto e um grupo de arquitetos, implementando um plano diretor em todo o Estado, foi engavetado.


Especulações


A briga entre Adur e Requião vazou e ontem especulava-se no próprio governo sobre uma reforma de secretariado. O almoço do governador com o ex-presidente da Sanepar Caio Brandão, que pediu demissão por divergências com Pedro Henrique Xavier, anteontem, foi interpretado como um sinal de uma possível troca na Secretaria de Desenvolvimento Urbano. O que acabou não se confirmando até a noite.


Tranquilo


Procurado pela Folha, Adur mandou sua assessoria dizer que o mal-estar estava superado. Segundo ele, está firme no governo e na pasta.


Conta-gotas


Dos que ainda estão na prefeitura, há quem garanta que o prefeito de Curitiba decidiu mudar a estratégia da primeira-dama Marina Taniguchi. Vai fazer a reforma de sua equipe a conta-gotas, para não atrapalhar os planos do vereador Osmar Bertoldi (PFL), seu candidato na sucessão deste ano. Hoje demite mais dois, amanhã outros dois...


Balanço


A Tele Celular Sul controladora da TIM Sul S.A. fechou 2003 com lucro líquido de R$ 120,8 milhões, o que representa um crescimento de 83,7% sobre o lucro de 2002. O resultado foi o melhor desde 1999 para a Tele Celular Sul, batendo recorde pelo segundo ano consecutivo.


Perguntinha


Impressão ou Requião quer reaproveitar Caio Brandão no governo, ainda mais que em abril devem se desincompatibilizar os secretários-candidatos?

Leandro Donatti e sucursais
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