Idas e vindas


O publicitário Sérgio Reis desde ontem já se apresentava aos jornalistas como o novo secretário de Comunicação de Curitiba. Deve assumir o cargo na semana que vem e definir novas equipes de divulgação e marketing. Hoje é dia de limpeza nas gavetas do jornalista Deonilson Roldo, que já foi secretário de Estado da Comunicação no governo Jaime Lerner (PSB) e homem-forte de Cassio Taniguchi (PFL). A permanência na função mostrou-se insustentável nos últimos dias. Deonilson trombou de frente com a mulher do prefeito, a primeira-dama Marina Taniguchi que o teria acusado, entre outras coisas, de ter articulado com o vice-prefeito Beto Richa (PSDB) a suspensão do aumento do ônibus em Curitiba de R$ 1,65 para R$ 1,90. Deonilson, que não quis comentar o assunto ontem, teria inclusive criticado o aumento na surdina pretendido por Cassio, dias antes de seu embarque à Europa.


Currículo


Sérgio Reis foi diretor de Comunicação do extinto Bamerindus por 24 anos. Paulista, não conta a idade. Brinca dizendo que já tem uma ''boa quilometragem''. Saiu do Bamerindus em 1994 e foi para São Paulo, onde respondeu pela vice-presidência da Editora Abril. No primeiro mandato de FHC, foi secretário de Comunicação Institucional. Serviu ainda ao ex-governador de São Paulo Mário Covas, até 1998.


Retorno


O novo secretário da Comunicação de Cassio voltou para o Paraná em fins de 1998. Foi durante três anos diretor de Marketing do Grupo Positivo, cargo que entregou em agosto do ano passado. Nos últimos meses, apesar de não ter dito na entrevista que concedeu à Folha ontem, tem de certa forma prestado consultoria ao vereador de Curitiba Osmar Bertoldi, adversário de Beto Richa na briga pela sucessão municipal. Oficialmente, assume avisando que foi chamado para ajudar o prefeito de Curitiba ''a, no último ano de mandato, prestar contas de seu governo à população''.


Mal-estar


A manutenção de Yára Einsenbach como presidente da Urbs também tornou-se difícil, apesar de a mesma ter sido indicada ao cargo por Bertoldi e manter uma boa relação com o prefeito. A crise em torno da tarifa de ônibus e os interesses políticos a derrubaram. Ontem, às 19 horas, negava qualquer pedido de demissão. Trinta minutos depois mudou de idéia. Ou teve que mudar.


Sem reação


Beto Richa nem surpreso deve estar com tudo o que está se articulando. Desde que tomou posse como vice de Cassio, em 2001, nunca viu o prefeito de fato empenhado em lhe fazer sucessor. Espera o anúncio completo da reforma que pode demorar por conta do vazamento para ver que rumo toma. Por ora, fica a imagem de que foi Beto o responsável pela suspensão do aumento, ao que tudo indica tão desejado por Cassio e seu grupo.


Eminências pardas


O prefeito não pensa sozinho a reengenharia com Marina Taniguchi e o filho, Gustavo, que sequer tem cargo na prefeitura mas manda mais do que muito secretário. Paulo Henrique Munhoz da Rocha, presidente da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), e Carlos Carvalho, secretário de Finanças, ambos Osmar Bertoldi de carteirinha, estariam envolvidos até o pescoço nas mudanças.


Corda-bamba


Com Deonilson Roldo, devem sair vários jornalistas. Frisson geral num mercado que já não anda nada bem.


Efeito dominó


A fonte é quente, mas não conta detalhes. Está na iminência de estourar mais uma bomba como foi a quebra da Parmalat na Itália. Outra multinacional de peso, com representatividade no Brasil e no Paraná, não estaria mais conseguindo manter maquiagens contábeis.


Troco


O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), quer dar o troco para os donos de cartórios de protesto que tentam o impedir de assumir um em Curitiba. Brandão diz que está pensando em criar um projeto de lei reduzindo as custas dos cartórios de protesto os mais rentáveis em até 70%. A redução seria por meio do estabelecimento de um valor único para protestos e para a retirada de certidões nos distribuidores e não mais nos cartórios, como acontece hoje.


Atrevimento


A polícia prendeu um homem acusado de furtar e receptar equipamentos de informática no Tribunal de Contas (TC) do Paraná. Segundo a delegacia que cuida do caso, o gatuno bem apessoados já agia há dois meses, nos prédios das varas da Fazenda Pública e do Ministério Público (MP) estadual.


Novos ares


Foram transferidos para o Centro de Triagem do Penitenciária do Ahú, em Curitiba, os cinco ex-funcionários do Banestado que estavam presos na sede da Polícia Federal (PF), desde a semana passada, acusados de fazer parte de um esquema de remessa ilegal de US$ 1,97 bilhão para o exterior através das chamadas contas CC-5.


Perguntinha


Não que Beto seja coitadinho, mas se José Richa estivesse vivo, o amigo Cassio faria mudanças que por ora são interpretadas como fritura à campanha do vice a prefeito em 2004?

Leandro Donatti e sucursais
[email protected]

mockup