INFORME FOLHA
Ebulição
O Palácio Iguaçu passou o dia ontem em plena ebulição. A movimentação no governo Requião começou na segunda-feira à noite. Duas decisões de peso agitaram o poder. Uma do próprio governador baixando resolução para tirar a Ferropar do comando da Ferroeste. Outra do presidente da Sanepar, Caio Brandão, pedindo demissão por divergências com o assessor do governo e todo-poderoso Pedro Henrique Xavier. A tendência do Poder Judiciário em revogar o decreto de Requião que excluiu o Consórcio Dominó da Sanepar, baixado no ano passado, também aflorou ainda mais os nervos no primeiro escalão. Não era para menos. Problemas pipocavam de todos os lados. A Copel também passa por um momento delicado. Na semana que vem, o governador vai a Paris para tentar, na Câmara de Comércio Internacional, por fim a uma pendenga judicial com a usina termelétrica UEG Araucária, controlada pela empresa norte-americana El Paso. A UEG pede uma indenização de US$ 850 milhões por quebra de contrato com a Copel, também determinada por Requião.
Gasolina
Nem na Secretaria Especial de Estado para Assuntos da Região Metropolitana, sempre tão pacata, havia sossego. O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), arrebanhou prefeitos da região numa tentativa de jogá-los contra o governo Requião em nome do aumento das passagens de ônibus na capital e região metropolitana. Estratégia que parece não ter surtido efeito, já que a Comec, vinculada à pasta, se diz firme no propósito de não reajustar.
Edital 1
A Associação Paranaense de Engenheiros Eletricistas (Apee) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) estão de olho no edital de concurso público promovido pela Sanepar com a oferta de vagas em diferentes áreas. Para algumas vagas abertas, de acordo com as entidades, a proposta de pagamento está abaixo do piso fixado em lei.
Edital 2
Um exemplo citado na nota distribuída ontem é para os cargos de engenheiro. Pelo edital, para uma jornada de oito horas diárias, a remuneração será de R$ 1.480,95. Pela lei que trata do salário mínimo profissional, o engenheiro formado em curso superior a quatro anos tem direito a receber remuneração pelo menos igual a seis salários mínimos, para uma jornada de seis horas diárias de trabalho. Neste caso o valor seria de R$ 1.440,00 para seis horas, praticamente o valor proposto para oito no edital.
Teixeirinha
Notícia boa para o governador. A 1 Câmara Cível do TJ confirmou decisão de primeiro grau que condenou Joni Varisco a indenizar Requião por dano moral, fixando o desembolso em R$ 14,4 mil mais juros e correção monetária até a data do pagamento. A briga do governador com Varisco, que já foi seu aliado, é antiga. Vem desde 1996, quando Varisco, em uma entrevista a um jornal, imputou ao então senador Requião responsabilidade pela morte de Diniz Bento da Silva, o Teixeirinha. O líder sem-terra foi morto numa ação policial durante o primeiro governo de Requião.
Banestado 1
O Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre negou ontem o habeas-corpus solicitado pelos advogados do ex-diretor de Finanças e Controle do Banestado Alaor Alvim Pereira. Alvim Pereira encontra-se foragido desde o dia 3, quando teve sua prisão preventiva decretada devido a acusações de participação num esquema de lavagem de US$ 1,97 bilhão através de contas CC-5.
Banestado 2
A Polícia Federal (PF) anunciou ontem que continuará as buscas ao ex-diretor. Além de Alvim Pereira, o ex-diretor de Câmbio do Banestado Aldo de Almeida Júnior e o ex-gerente Benedito Barbosa Neto também já tiveram seus pedidos de habeas-corpus negados no TRF e continuam presos na sede da PF em Curitiba. O ex-assessor da diretoria de Câmbio José Luiz Boldrini e os ex-gerentes da agência de Foz Luiz Acosta e Carlos Donizeti Sprícido, que também estão presos na PF, ainda não entraram com pedidos de habeas-corpus no TRF.
Raposão
Quem também tenta deixar a prisão é o empresário João Celso Minosso, conhecido como Raposão. O pedido de habeas-corpus está no STF. A defesa do advogado contesta a legalidade de provas obtidas pela PF em ação instaurada contra Raposão pela Justiça Federal do Paraná. O empresário é sócio-proprietário de uma empresa no Paraguai, que seria responsável pela distribuição de cigarros contrabandeados para quase todo o Brasil.
Besteirol
O prefeito de Bocaiúva do Sul, Elcio Berti (PFL), aquele que proibiu gays na cidade e distribuiu Viagra para engordar o FPM, não se conteve nem na reunião dos prefeitos para discutir a tarifa de ônibus na Grande Curitiba. Berti, que está sob ameaça de expulsão do PFL, apresentou a ''solução'' para o problema, pelo menos para Bocaiúva. Disse que pode usar os ''discos voadores'' que aparecem pela cidade para o transporte da população.
Índios
Cinco testemunhas no caso que apura a posse e propriedade de área ocupada por índios em Piraquara, na região de Curitiba, foram ouvidas ontem na 6 Vara Federal de Curitiba. Três delas apresentadas pela Fundação Espírita, que briga pelo direito de posse, e duas pela Funai. A juíza promete dar parecer até o fim da semana.
Perguntinha
Por que Élcio Berti não aproveita um desses discos voadores que diz haver em Bocaiúva do Sul e desaparece?
Leandro Donatti e sucursais
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