INFORME FOLHA
Levante
Os prefeitos do sudoeste do Paraná pensam seriamente na possibilidade de adiar o início as aulas da rede municipal para depois do Carnaval, ou seja no final de fevereiro, como forma de economizar com o transporte escolar. A idéia foi lançada durante reunião da AMSOP, a associação dos municípios da região, e, se levada a cabo, compromete por tabela o início das aulas da rede pública, marcado para o próximo dia 9, já que as prefeituras fazem o transporte de cerca de 50% dos alunos lotados em escolas estaduais. Na reunião em Francisco Beltrão, boa parte dos prefeitos já queria deliberar pelo adiamento. A pedido do comando da AMSOP, decidiram esperar pela reunião de segunda-feira, entre representantes da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e governo do Paraná, antes de formalizar posição mais agressiva. Representantes da Secretaria de Estado da Educação e da Associação dos Municípios do Paraná (AM) tentam por fim à novela. Os prefeitos querem mais dinheiro, como compensação pelo transporte dos alunos da rede estadual. O governo promete fornecer vales-transporte para os estudantes, como forma de reduzir a sobrecarga. O impasse continua e não tem prazo para terminar.
Dia do Fico
O que não faz uma eleição. Prefeito interino, Beto Richa (PSDB) disse que, em nome da manutenção do preço do ônibus na Capital (o que é positivo!), cancelou sua viagem aos EUA. Apesar de Beto jurar que não suspendeu o aumento com segundas intenções, para projetar sua pré-candidatura a prefeito, para o seu séquito a decisão de esperar a chegada de Cassio Taniguchi (PFL), marcada para dia 8, vai ficar conhecida como ''Dia do Fico''. Uma versão bem mais singela do episódio envolvendo Dom Pedro I, quando o mesmo decidiu ficar no Brasil, não retornando a Portugal.
Ligação
Antes de anunciar a desistência, Beto afirmou ter ligado para o presidente da Câmara de Curitiba, João Claudio Derosso (PSDB). O vereador estava com o terno e gravata prontos para assumir. Derosso ficaria no comando da prefeitura até a chegada de Cassio. Por ser unha e carne com o prefeito, Beto corria o risco de ter a sua decisão política, suspendendo o aumento, revista.
Lado bom
Para Derosso, não assumir o poder neste momento é até interessante, haja vista as circunstâncias. Assim, o presidente da Câmara não se queima com ninguém. Derosso é candidato à reeleição. Para Beto, também é um bom negócio. O aumento da tarifa fica em pauta mais uma semana. E isso que ele nem anda de ônibus.
Calibre
Somente quando Cassio desembarcar em Curitiba é que os curitibanos saberão ao certo qual o poder de fogo da presidente da Urbs, Yára Eisenbach, e por consequência do vice-prefeito. Se houver aumento, está confirmado: Yára é a queridinha do prefeito e Beto não terá ajuda alguma de Cassio durante a eleição. Se o preço atual for mantido, está na hora de pensar em remanejamento na Urbs: Yára mostrou-se muito segura com o aumento. Neste caso, Beto tem mais chance de decolar.
Desapontamento
O vereador Osmar Bertoldi, que quer ser candidato do PFL à sucessão de Cassio, deve ter ficado tristinho com a decisão de Beto. Ou não. Ninguém sabe ao certo o que pode acontecer daqui a um minuto.
Fundef
O governo Lula resolveu fazer as pazes com os prefeitos e anunciou um reajuste de 20,5% no valor mínimo do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). O decreto que fixa os valores estabelece que estados e municípios devem investir, no mínimo, R$ 537,71 dos recursos recebidos por aluno matriculado em suas redes de 1 a 4 séries e R$ 564,60 para os alunos de 5 a 8 séries e para os matriculados em cursos de educação especial.
Aumento real
O reajuste representa um aumento real de 11,8%, com base na projeção de inflação do Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGP-DI) medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que foi de 9,3%.
Vapt-vupt
O Tribunal de Contas (TC) do Paraná está batendo recordes na análise de prestações de contas, graças à tecnologia. Em 28 dias, o TC analisou 1,7 mil prestações de contas de prefeituras, câmaras e entidades vinculadas dos 399 municípios referentes a 2002. O trabalho é feito por um ''analisador eletrônico de contas'', que nada mais é do que um programa de computador que tem armazenado dados sobre três áreas fundamentais: orçamentária, financeira e de gestão.
Como funciona
Os técnicos da Diretoria de Contas Municipais (DCM) abastecem o programa com as informações enviadas, também em meio digital, pelas prefeituras e câmaras e a análise é feita automaticamente. Pelo processo antigo, levaria entre dois e três anos para o TC analisar o mesmo volume de processos.
Perguntinha
E se Beto encontrar dados maquiados nas planilhas embasando o aumento da tarifa?
Leandro Donatti e sucursais
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