INFORME FOLHA
Repúdio
Produtores rurais do Paraná divulgaram ontem moção de repúdio à proposta da Ouvidoria Agrária Nacional e da Secretária de Estado da Segurança, que determina que os proprietários cedam suas áreas invadidas aos invasores, em regime de comodato, por um período de três anos. A proposta foi feita em dezembro e desde então os representantes dos sindicatos rurais do Paraná estavam entalados, tentando buscar mecanismos para evitar sua concretização. Ontem, em reunião realizada na Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), os produtores decidiram divulgar uma carta de repúdio à proposta, considerada por eles ''um ato de violência''. O documento foi aprovado por unanimidade pelos delegados de mais de 120 entidades rurais presentes à assembléia realizada na Faep.
Momento-emília
O vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), teve ontem seu momento de Emília Belinati (PFL). Esclarecendo: o filho de José Richa suspendeu o aumento da tarifa de ônibus autorizado por Cassio Taniguchi (PFL), antes do embarque do prefeito de Curitiba para Portugal, gerando um mal-estar político tão surpreendente quanto os criados pela vice de Jaime Lerner (PSB), quando da ausência do então governador.
Memória
Para quem não lembra, Emília deixou o governo praticamente rompida politicamente com Lerner. Os jornalistas ficavam atentos a cada interinidade, sobretudo quando as diferenças não tinham mais como ser maquiadas. Emília não compareceu à solenidade de posse que marcou o início de seu segundo mandato como vice de Lerner, em janeiro de 1999.
Repercussão
A postura assumida por Beto ontem vai ter repercussões políticas. O vice de Cassio não esconde para ninguém seu projeto ambicioso de virar o prefeito de Curitiba. O que não se sabe ao certo é se a desautorização foi planejada, com a anuência do prefeito, ou se foi momento de insubordinação.
Respaldo
Ao que tudo indica foi mesmo uma postura política rara assumida pelo vice, com medo de ter seu projeto político ameaçado. Assim que bateu o martelo e suspendeu o aumento de R$ 1,65 para R$ 1,90 o diretório do PSDB em Curitiba reuniu-se extraordinariamente e aprovou moção de apoio à iniciativa do prefeito em exercício, ''na certeza de que (Beto) está defendendo os interesses dos usuários do transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana''.
Toda-poderosa
A presidente da Urbs, Yára Eisenbach, que definiu com a equipe técnica o aumento do ônibus, ontem, só faltava desautorizar Beto Richa. Yára deixou transparecer várias vezes que não há como voltar atrás aos R$ 1,90 e que o aumento agora suspenso era a decisão mais apropriada. Pela segurança, lembrava até Giovani Gionédis, ex-titular da Fazenda do Paraná, hoje presidente do Coxa, quando o então secretário era o big boss no governo Lerner.
Geléia geral
Beto já fez a sua parte. Só falta agora Orlando Pessuti, interino que está no lugar de Requião, em viagem à Índia, se insurgir.
Acerto
De grão em grão a galinha enche o papo. Enquanto Beto Richa (PSDB) mostra que não é vaquinha de presépio de Cassio, o deputado Angelo Vanhoni (PT), também pré-candidato à prefeitura, busca ampliar a aliança PT-PMDB, quase consolidada em Curitiba apesar da chiadeira de Gustavo Fruet (PMDB), abrindo-a ao PCdoB. Vanhoni reúne-se com representantes da sigla nanina hoje à noite durante jantar.
Prazo esgotado
Terminou ontem o prazo para que as secretarias municipais de Educação fizessem o pedido de recebimento do salário-educação. A partir deste ano, a verba, repassada para atender as escolas de ensino fundamental, será distribuída diretamente às secretarias sem passar pelo governo estadual. O objetivo é diminuir as chances de desvio de recursos enquanto o dinheiro transita entre a União e as escolas.
Brecha
Mesmo com o fim do prazo, as secretarias municipais que não pediram o repasse direto do salário-educação ainda podem requerer o benefício. A verba, porém, só será liberada a partir do próximo mês, acrescida da parcela de janeiro que não foi repassada pelo governo Lula.
Cofins
A Federação Nacional das Empresas de Asseio e Conservação (Febrac) manda representante hoje em Curitiba para discutir com empresários os reflexos do aumento da Cofins, de 3% para 7,6%. Lílian Oliveira de Souza, assessora jurídica da entidade, vai esclarecer as mudanças baixadas pelo governo Lula no final do ano passado. A palestra será na Federação do Comércio, às 8h30.
Perguntinha
Para não ficar mal para ninguém, vão dizer que o prefeito não sabia do aumento quando embarcou para a Europa?
Leandro Donatti e sucursais
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