Virada

A dificuldade na obtenção de licenças ambientais está emperrando o desenvolvimento da indústria mineral no Paraná. Pela primeira vez as indústrias estão se unindo para solucionar os problemas que impedem a expansão do setor, com a criação do Conselho Temático da Indústria Mineral. O conselho foi instalado ontem, na sede da Fiep, em Curitiba. O setor movimenta cerca de R$ 400 milhões por ano e gera cerca de 10 mil empregos, sendo que as indústrias de calcário e de cerâmica representam 80% do PIB do setor mineral do Paraná. Os outros 20% são representados pelas indústrias de cimento, cal, talco, argila, areia, pedreiras, pedras ornamentais (granito), água mineral e carvão. Com o conselho foram criadas quatro comissões, cujos temas são considerados prioritários para os empresários, como a de Meio Ambiente, Políticas Institucionais, Tecnologia Mineral e Formação Profissional.

No outro lado

Contrariando o slogan ''Sem medo de ser feliz'' das campanhas eleitorais do presidente Lula, o ministro da Agricultura e Pecuária, Roberto Rodrigues, desabafou, ontem de manhã em Curitiba. ''Eu era feliz e não sabia'', disse, brincando, diante de uma platéia de cerca de mil cooperativistas do Paraná. O que Rodrigues quis dizer é que antes ele só cobrava do ministro. ''Hoje eu é quem sou cobrado'', observou.

É São Pedro

Rodrigues divertiu-se, também, ao dizer que o verdadeiro ministro da Agricultura não é ele, mas sim um santo bastante invocado pelos agricultores. ''Se São Pedro ajudar e ele é que é o ministro de verdade , no ano que vem o Brasil vai chegar a produzir 130 milhões de toneladas de grãos'', afirmou. Este ano, o País já bateu recorde de safra, com 122 milhões de toneladas. ''Foram 25 milhões de toneladas a mais do que no ano passado. Só esse aumento significaria uma fila de 25 milhões de caminhões, que daria para encher uma estrada de Brasília até Belém do Pará.''

Auto-reflexão 1

Atendendo a um apelo do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, ministro Maurício Corrêa, os juízes da Justiça Federal no Paraná convocaram na tarde de ontem uma entrevista coletiva para falar sobre a situação do Poder Judiciário no Estado, uma espécie de auto-reflexão pública. No Brasil, todos os magistrados estão fazendo o mesmo, porque no próximo dia 8 é o Dia da Justiça. A intenção do ministro do STF é tornar o Judiciário mais próximo da população.

Auto-reflexão 2

A morosidade da Justiça acúmulo de processos e as filas foi um dos temas abordados. O juiz federal Joel Paciornik disse que o Poder Judiciário não pode levar toda a culpa pela morosidade. Segundo Paciornik, o Poder Legislativo também tem responsabilidade porque não legisla para auxiliar a Justiça, criando mais cargos, por exemplo. E o Poder Executivo também tem sua parcela de responsabilidade, porque cabe ao governo o repasse de recursos. Para se ter uma idéia, em 2001 foram distribuídas 95,7 mil ações, e apenas 49,4 mil foram sentenciadas.

Auto-reflexão 3

O lado bom, de acordo com os juízes federais no Paraná, é que o aumento dos Juizados Especiais está tornando a Justiça mais ágil e acessível para a população. Os Juizados Especiais são mais baratos e menos burocráticos.

Auto-reflexão 4

A reforma do Poder Judiciário, ainda em tramitação no Congresso Nacional, foi outro assunto debatido pelos juízes com os jornalistas. Para a juíza Gisele Lemke, a reforma não está focada na rapidez da Justiça, e se for aprovada como está não vai resolver o problema. O juiz Fernando Quadros da Silva manifestou opinião semelhante. Para ele, o melhor da proposta está na criação da súmula vinculante, aquela que faz decisões de instâncias inferiores seguirem às decisões já tomadas em instâncias superiores. ''Funciona como um filtro para recursos'', disse ele. Os juízes foram unânimes ao afirmar que o número elevado de recursos atrasa o andamento dos processos.

Faxina 1

Mais um flagrante na polícia. O MP protocolou ontem denúncia criminal contra três investigadores de polícia, acusados de suposta exigência de dinheiro de presos para oferecimento de vantagens. De acordo com o MP, os policiais cobravam para permitir que os detentos recebessem visitas íntimas fora do horário previsto. Eles foram enquadrados nos artigos 316 e 319 do Código Penal que trata de concussão e prevaricação.

Faxina 2

Os crimes são passíveis de multa e pena de dois anos a nove anos de prisão. As propinas cobradas variavam, segundo a denúncia, de R$ 50 a R$ 80. Nessas visitas, as mulheres não eram revistadas, o que acabou culminando com a entrada de três armas na carceragem. Os policiais permitiriam ainda o livro uso de tráfico de drogas na cadeia e o uso de aparelhos celulares.

Perguntinha

A Ecovia vai trocar de advogados, depois da decisão da Justiça de Paranavaí?

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