INFORME FOLHA
Impunidade à vista
Oito meses se passaram e nenhum dos acusados foi sequer citado. Levando-se em conta a velocidade com que o processo está tramitando, o crime envolvendo a compra de créditos indevidos pela Copel da Olvepar é forte candidato à prescrição. A ação civil pública interposta pelo Ministério Público, apontando um prejuízo de R$ 106,9 milhões aos cofres públicos, foi ajuizada no dia 27 de fevereiro. Até ontem, ninguém havia sido citado. Dentre os acusados de irregularidades na operação, figura o ex-secretário de Estado da Fazenda Ingo Hubert. O prazo para prescrição, que é de cinco anos, corre normalmente. Incomodada com a morosidade, a procuradora geral de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, convoca os jornais para uma coletiva hoje, às 10 horas, na sede do Ministério Público na Capital. Não quer ser responsável por uma impunidade que se desenha.
Depoimento
Tadeu Veneri, subrelator da CPI da Copel para contratos de compra e venda de créditos tributários, foi ao Rio ouvir o depoimento do sócio-gerente da Mix Trade Comércio Internacional Ltda., Rogério Figueiredo Vieira. O depoimento estava marcado na 19 Vara Criminal, às 14 horas. A Mix Trade aparece em duas frentes de investigação da CPI da Copel: na compra de créditos da Olvepar e nos serviços de consultoria prestados pela Associação dos Diplomados em Administração e Economia da Universidade de São Paulo (Adifea).
Corredor
Circulou ontem pelo Calçadão de Londrina cópias de uma sentença antiga da Justiça Eleitoral que impugnou a candidatura do hoje deputado estadual Barbosa Neto (PDT), em 1998. A candidatura teria sido indeferida porque Barbosa Neto, quando se filiou, ainda estava com os direitos políticos suspensos, devido a uma condenação transitada em julgado por um atropelamento.
Analogia
Aproveitando o caso de Barbosa Neto, o documento insinua agora que o ex-prefeito Antonio Belinati (PSL), que teve o mandato cassado pela Câmara de Vereadores em junho de 2000, também poderia ter sua eventual candidatura à prefeitura impugnada, porque na data de sua filiação ainda estaria inelegível.
Não procede
O advogado de Belinati, Antonio Carlos de Andrade Vianna, afirmou que no caso do ex-prefeito não há uma condenação transitada em julgado e que a inelegibilidade não afetaria os direitos políticos de Belinati. ''Ele só não pode se eleger, mas pode se filiar a partido político e votar normalmente'', afirmou.
Consulta
Conforme o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), contestação sobre a eventual candidatura de Belinati somente poderia ser feita após o registro na Justiça Eleitoral. O período para registro de candidaturas para 2004, é de 1º a 5 de julho.
Alfinetada
Ao participar, ontem, da Conferência Internacional Indicadores de Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida - Icons 2003, o governador Roberto Requião (PMDB) sugeriu que o encontro deveria ter sido realizado nos Estados Unidos. ''É onde está o maior problema'', declarou, referindo-se ao desequilíbrio ecológico provocado pelo desenvolvimento econômico. ''Os Estados Unidos são os maiores predadores do mundo'', atacou. Requião também foi enfático ao declarar que as políticas de sustentabilidade devem partir do poder público e não atender apenas interesses empresariais.
Imbróglio
Doático dos Santos continua no comando do PMDB de Curitiba. A convenção não terminou no domingo por causa de uma briga judicial entre o grupo de Doático e o do outro candidato, o diretor do Detran, Marcelo Almeida, que tem o apoio do presidente estadual, Gustavo Fruet. Mas Doático disse que não vai nomear presidente provisório porque a convenção ficou em aberto, ou seja, não foi concluída. O TRE é o fiel depositário das 13 urnas de votação. Até a liberação do escrutínio pela Justiça, não será conhecido oficialmente o novo presidente.
Tô nem aí
Pelo menos ontem, Fruet não estava preocupado com o PMDB. Tinha festa de aniversário de sua mãe, dona Ivete, que não quer nem saber de política na mesa do jantar.
Tudo igual
A macarronada do líder do governo na Assembléia, Angelo Vanhoni (PT), não surtiu efeito. O PL, que rompeu politicamente com o governo Requião, continua bancando o independente. O recado foi dado ontem pelo presidente do partido, deputado federal Oliveira Filho, ao petista, durante almoço que era para ser de conciliação.
Repique
Luiz Mussi mandou esclarecimento ao Informe, que, na semana passada afirmou que Tony Garcia (PP), mesmo não sendo mais deputado, continua influente. O secretário de Estado da Indústria e Comércio garante que o poder de Tony Garcia na pasta é a mesmo de qualquer cidadão paranaense. ''A secretaria tem as portas abertas a políticos ou empresários que queiram apresentar projetos ou conhecer os programas que estamos desenvolvendo, independentemente de orientação política.'' Se for assim, o governador Requião agradece.
Perguntinha
Alguém sentou em cima do caso Copel-Olvepar?
Leandro Donatti e sucursais
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