Aglutinação


A entrada do senador Alvaro Dias no PSDB, para alguns analistas políticos, reforça a tese de que tucanos vão se unir novamente ao PFL, hoje comandado de fato pelo prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, nas eleições municipais do ano que vem. Alvaro conseguiu vencer a resistência do presidente estadual do PSDB, o vice-prefeito de Curitiba Beto Richa, com a ajuda mesmo que involuntária do prefeito. Nas eleições ao governo do Estado, em 2002, Cassio e Alvaro já se davam bem. Na quase obrigação de fazer oposição ao hoje governador Roberto Requião (PMDB), o prefeito declarou voto e fez campanha em favor de Alvaro no segundo turno das eleições. Agora, a relação entre Alvaro e Cassio fica mais clara, já que tucanos e pefelistas agem como aliados.


Xadrez


Outros observadores da política estadual apostam que a filiação de Alvaro, se efetivamente confirmada, tende pelo menos num primeiro momento a afastar Osmar Dias, que permanece no PDT, do PFL e PSDB. A mudança partidária e repentina de Alvaro, que se viu isolado no PDT, pode render dividendos para ele mesmo. O irmão, mais para frente, pode precisar do PSDB e, por tabela, do PFL se quiser ser o sucessor de Requião em 2006.


Marcha lenta


Enquanto Alvaro Dias tem pressa em conquistar terreno, como sempre fez, o ex-governador Jaime Lerner (PFL) age com lentidão. Deixou nas mãos do ex-diretor brasileiro de Itaipu Euclides Scalco, que ainda mantém laços com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, as articulações para o seu ingresso no PSDB, sonho antigo. Mesmo erro cometido em 1996, quando tentou entrar pela primeira vez no ninho.


Memória


Quando Lerner achava que, por apoiar Fernando Henrique, estava com seu ingresso garantido foi surpreendido por uma barreira montada por Alvaro Dias, na época recém-empossado como integrante da executiva do partido. Scalco e o ex-governador José Richa, pai de Beto, foram vencidos na reunião tucana que vetou a filiação do então governador. Lerner ficou sem partido durante meses, filiando-se mais tarde sem opção no PFL.


Troco


Para o senador Jorge Bornhausen, o encontro de amanhã da executiva nacional do PFL em Curitiba vai ter gostinho de vingança. Mais que discutir idéias e se posicionar diante do governo Lula, o senador vai ter a oportunidade de se defender das acusações feitas, na semana, pelo procurador da República, Luiz Francisco de Souza, durante depoimento à CPI do Banestado. Luiz Francisco insinuou que Borhnausen e Lerner foram coniventes com o esquema de remessa de dólares via contas CC-5.


Ventríloquo


Palpite de quem cobre política: apesar de a Justiça ter suspendido e invalidado as atividades das equipes de auditoria e avaliação do pedágio, comandadas por Pedro Henrique Xavier, e o governo Requião ter anunciado que os trabalhos passarão a ser de responsabilidade do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), Xavier ainda continuará, mesmo que nos bastidores, à frente de tudo. Tem interesse no tema. Interesse acima da média, aliás.


Na prisão


O vereador de Curitiba Paulo Frote (PSC) continuava preso até o início da tarde de ontem, fechamento desta edição. Ele foi detido sob acusação de cometer os crimes de concussão e peculato e teve prisão preventiva decretada pelo juiz da Central de Inquéritos, Marcelo Ferreira, requerida pelo Ministério Público. O movimento no Centro de Triagem, onde se encontra o vereador, foi grande ontem de manhã, com a presença de seu advogado, mulher, assessores e outros vereadores.


Excesso


O presidente do PSC, Giovani Gionédis, considerou a prisão um excesso. ''Ele tem curso universitário, é vereador, residência fixa, não havia por que decretar a preventiva'', disse, argumentando que Frote poderia responder ao processo em liberdade. Para Gionédis, a decisão teve caráter ''muito mais político do que jurídico''.


Apropriação


Frote foi preso na sexta, por volta das 17 horas, quando chegava a sua residência, no Pilarzinho, por policiais do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), vinculado à Promotoria de Investigação Criminal (PIC), sendo encaminhado para o Centro de Triagem. Segundo o Ministério Público, o vereador apropriou-se de parte dos salários de servidores que trabalhavam com ele na Câmara Municipal. Durante as investigações, o MP obteve autorização para quebrar o sigilo do vereador.


Perguntinha


Se entrar no PSDB mesmo, assim como em 1996, o senador Alvaro Dias veta a entrada de Lerner no ninho?

Leandro Donatti e sucursais
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