INFORME FOLHA
Excluídos
Requião parece não estar muito preocupado com as críticas feitas pelos ruralistas de que estaria tomando partido dos sem-terra no Paraná. Para o governador, a atuação intensificada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) este ano era esperada, já que ''a eleição do governo Lula despertou a esperança de se viabilizar uma reforma agrária no País''. Requião afirmou também que, hoje, o MST não reúne apenas sem-terra, mas também os ''despossuídos''. ''Excluídos pela carestia, que estão tendo que sair de suas casas e estão se acumulando nas estradas'', denominou o governador. Só no Paraná, segundo o Requião, são 2 milhões de pessoas vivendo abaixo do nível de renda. O governador, ao mesmo tempo e para não ser acusado de parcialidade, mandou um recado ao MST. Disse que, ao mesmo tempo que defende os movimentos sociais, não pode deixar de respeitar o direito de propriedade. Logo, tudo tem um limite.
Falou demais
A declaração pode se voltar contra o próprio governador, assim como foi com o presidente Lula ao colocar um boné do MST, em público recentemente. ''Sou o militante número 1 (do MST) do Paraná'', disse o governador, em resposta ao presidente do Sinapro, Narciso da Rocha Clara, que declarou recentemente que Lula seria o militante número 1 do MST e Roberto Requião o número 2.
Autocrítica
Requião se auto-rotulou, ontem, como revolucionário e conservador. Referência a algumas de suas ações administrativas, segundo ele, implementadas para preservar ''valores e instituições consagradas'', dentre as quais a Copel. ''Entretanto, (para isso) o governo não preservou pactos anteriores, viabilizados para a delinquência.''
Novos tempos
O governador deu ainda o tom do governo e do que espera de sua equipe. Disse que o neoliberalismo deve ser encarado como coisa do passado e que o momento político é outro. Citou como exemplo conversa que diz ter tido com um ''grande companheiro da Copel'' que o questionou sobre o não reajuste das contas de luz, que no Paraná, será concedido em forma de desconto.
Convencimento
O governador disse que seu ''companheiro'' manifestou um pouco de resistência à proposta de não reajuste, argumentando que acionistas da companhia poderiam não gostar e que a medida poderia até ocasionar um boicote de doações ao Fome Zero, programa do governo federal. Requião diz ter argumentado que mais que agradar aos acionistas, seu governo quer garantir que empresas de médio porte que sofrem com os altos custos de energia mantenham suas portas abertas. ''Estamos trilhando um outro caminho'', reafirmou.
Expectativa
O ex-vereador de Curitiba e ex-deputado estadual Aparecido Custódio da Silva (PTB) continua tentando sair da prisão, onde está desde outubro do ano passado. Novo pedido de habeas corpus, protocolado no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná no último dia 2, aguarda despacho. O caso está nas mãos do presidente, desembargador Oto Sponholz. Custódio é acusado pelo MP de se apropriar de parte dos salários de seus assessores, quando era vereador em Curitiba.
Estresse
Ontem foi a vez do secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, defender a decisão do governo em nomear sargentos para substituir os delegados calça-curta. Requião quer que sargentos e tenentes assumam funções administrativas em delegacias do Interior. Em alguns municípios menores isso já acontece há anos. A decisão causou o maior forrobodó. O Sindicato dos Delegados da Polícia Civil (Sidepol) e a Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) distribuíram nota chamando os responsáveis pela Segurança Pública no Paraná de ''amadores e irresponsáveis''.
Abafa
O secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, já disse que a nomeação de militares seria provisória, até que seja feito concurso para delegados. Ontem, Caíto disse que a Polícia Civil não ficará subordinada à Polícia Militar (PM). ''Pelo contrário, os sargentos e subtenentes é que estarão diretamente subordinados ao delegado da comarca, onde correrão os inquéritos policiais'', afirmou. Resta saber se a PM vai se submeter a isso.
Perguntinha
A exclusão dos senadores Alvaro e Osmar Dias, do PDT, da reunião semanal promovida por Requião, pode ser encarada como um rompimento entre governo e o novo PDT?
Leandro Donatti e sucursais
[email protected]





