Reflexos
A rigidez da moratória baixada pelo governador Roberto Requião (PMDB) está engessando a máquina pública. Escritórios regionais de várias secretarias estão enfrentando problemas com falta de combustível, corte de telefone, suspensão de serviços de segurança e limpeza. Na área da saúde já faltam medicamentos nos postos de saúde. Nas fazendas experimentais da Secretaria da Agricultura não há mais alimento para o gado. Até a DHL, empresa de consultoria que fornece uma espécie de consultoria para o Estado na contratação de empréstimos externos, está sem receber desde novembro do ano passado. A única forma de conseguir liberação de recursos vem sendo através de despacho pessoal com o governador, onde o gasto de cada centavo precisa ser explicado.

Abrigo
Secretários do governo passado estão procurando abrigo em partidos que apoiaram a eleição de Requião no segundo turno. Renato Follador, da Previdência; e Augusto Canto Neto, de Obras Públicas, por exemplo, são os mais novos filiados do PPS, o partido de Rubens Bueno, que pode ainda acomodar o deputado estadual eleito Rafael Greca.

Em família
Está nas mãos do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Henrique Naigeboren, a decisão sobre mais uma denúncia contra o governador Jaime Lerner (PFL), seu cunhado. Em 1995, a extinta Suceam, atual Superintendencia de Desenvolvimento de Recuros Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), contratou uma empresa de consórcio, a Autoplan, para executar a limpeza do Litoral durante a Operação Verão. O pagamento foi impugnado pela 2ªInspetoria do TCE e o processo foi a plenário na última quinta. No final da votação, houve empate: três a três. Ao cunhado de Lerner cabe voto de minerva.
Urgência
O abandono da construção de dois hospitais regionais – Santo Antônio da Platina e Quedas do Iguaçu – será tema de reunião, amanhã na Secretaria de Obras. Um deles tem 80% das obras construídas e, o outro, cerca de 40%. O novo governo quer solução imediata para as obras, já que também os equipamentos médicos que foram doados por entidade internacional estão ao tempo.
Mordaça
Os promotores e procuradores que estão investigando possíveis desvios de verbas e corrupção durante o governo Lerner, diariamente denunciados por Requião, foram desautorizados pela procuradora geral de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, a dar declarações. Ela lembrou, durante o encontro de magistrados que debateram a ‘‘Operação Mãos Limpas’’, na sexta-feira, que vai autorizar a divulgação dos inquéritos apenas quando as investigações forem concluídas e as ações forem ajuizadas.
Escaldada
A procuradora disse que está tomando essa precaução porque acredita que é necessário separar os casos concretos de crime, das denúncias provocadas pelo impacto da chegada de um novo governo. Maria Tereza disse que está alarmada com as denúncias feitas pelo governo Requião, mas destacou que muitas dessas denúncias ainda não foram oficialmente encaminhadas ao Ministério Público. Esse é o caso da operação de compra de créditos de ICMS da Olvepar pela Copel. O governo vem denunciando que a operação embute evasão de recursos, mas ainda não enviou documentação ao MP para investigar o caso, afirmou a assessoria de imprensa da procuradoria.
Mistério
Na verdade, a operação ainda não foi devidamente explicada nem pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), que está denunciando, nem pelos procuradores encarregados da investigação. À primeira vista a operação tributária tem respaldo legal, uma vez que trata de créditos de ICMS, perfeitamente negociáveis. Entretanto, há algo mais grave por trás das investigações, que ainda não pode ser revelado. Algo que pode ter inclusive conexão com políticos.
Corpo fora
Diante da repercussão do assunto, funcionário de alto escalão da Receita Estadual, da gestão anterior, garante que a autorização para que a operação de compra de créditos fosse formalizada veio de superiores, ou seja ou o ex-secretário de Fazenda Ingo Hübert ou o ex-governador Jaime Lerner (PFL). O funcionário insiste que a operação não foi recomendada pelos técnicos da Receita.
Sem valor
O parecer emitido pelo conselheiro do TCE, Heinz Herwig, avalizando a operação da Copel envolvendo ICMS, no final do ano passado, não passou pelo plenário. Portanto, não tem valor legal, caso representantes do governo anterior venham a usar o parecer para referendar a operação financeira investigada pelo atual governo.
Cortesia
Requião recebe amanhã Olivier Orsini, presidente do grupo francês Vivendi, uma das empresas que integra o Consórcio Dominó e que ficou prejudicada com o rompimento do pacto de acionistas durante a semana. Orsini quer oferecer ao governo transferência de tecnologia na área de saneamento básico, setor que o grupo francês tem 150 anos de experiência. A visita, de cortesia, vai ser teste de nervos. Requião vem criticando o grupo, assim como a Andrade Gutierrez e o Opportunity de terem tomado de assalto o controle da Sanepar.
Perguntinha
As transações da Copel envolvendo ICMS, feitas pelo governo anterior, têm tirado o sono de muitos políticos?


Leandro Donatti e sucursais
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