Retaliação


Integrantes do governo Jaime Lerner (PFL) acusam o novo governo de perseguição. Ninguém fala oficialmente, mas os bastidores estão pegando fogo. Ex-secretários de Lerner estão indignados com as informações e medidas assumidas pelo governo Roberto Requião (PMDB). A Resolução 001, que moraliza a contratação de comissionados está sendo vista pelos lerneristas como uma caça às bruxas, para expurgar do governo todos os colaboradores do antiga administração. Outro fato que pegou de surpresa os aliados de Lerner foi o anúncio de Requião sobre a dívida de R$ 5,7 milhões de contas de telefone. Porta-vozes do governo anterior garantem ter feito em dezembro um acordo com a Brasil Telecom, após questinar os débitos. Pelo acerto, o pagamento seria feito em duas vezes. Uma parcela a fonte da Folha não precisou o valor teria sido paga no dia 17 de dezembro, e outra deveria ter sido paga no início de janeiro, assim que entrassem nos cofres estaduais recursos esperados do governo federal.


Resistência


O PMDB está firme contra a decisão de Hermas Brandão (PSDB) de derrubar o espaço destinado às lideranças do partido, do PPB e do PFL, transformando o lugar numa sala de reuniões. Antônio Anibelli voltou a dizer que não arreda o pé até que a mesa executiva da Assembléia não acomode seus assessores em outro gabinete. Anibelli procurava ontem o diretor-geral, Miguel Abib, o Bibinho, para uma explicação. Enquanto isso, a arquiteta que cuida das obras avança. Vai transformar o gabinete que acomoda a liderança do PFL numa cantina.


Vantagem


Na briga pelo comando da CBN no Paraná, o todo-poderoso Mário Celso Petraglia, sócio do Grupo Inepar, leva vantagem. O Sistema Globo de Rádio, na prática detentor da Rede CBN, já autorizou a renovação do contrato de convenção firmado com a Rede Curitibana de Radiodifusão Ltda., de Petraglia e outros. A papelada já está em Curitiba.


Exigência


A renovação por dois anos, entretanto, tem que ser formalizada até o dia 31 deste mês, 30 dias depois do vencimento do contrato, 31 de dezembro de 2002. O sócio-cotista da CBN e ex-Inepar Eudes Moraes dava a renovação de contrato como fato consumado ontem. Pesa ainda em favor de Petraglia uma cláusula de preferência, constante no contrato. Bem como a compra recente, por Francisco da Cunha Pereira, de ações da Rede Paranaense de Comunicação, a afiliada da Globo no Estado. Cunha Pereira nunca escondeu o seu interesse pela CBN, porém por ora a prioridade é honrar o compromisso financeiro firmado na aquisição das ações.


Surpresa


Já o empresário Joel Malucelli, também de olho na CBN e defensor dos interesses da Rádio Globo no Estado, está mudando de estratégia e promete incomodar. A idéia é fazer bom jornalismo com equipe forte.


Falha nossa


O Informe cometeu algumas imprecisões ontem, quando falou da briga entre os empresários pela CBN. O contrato que venceu em dezembro não é de concessão e sim juridicamente chamado de contrato de convenção. Não é ainda firmado com o governo federal. Ao governo federal cabe dar ou não as concessões. O contrato de convenção, que deve ser renovado por Petraglia, é firmado com o Sistema Globo de Rádio.


Força do hábito


Outra falha do Informe diz respeito ao Grupo Inepar, que é colocado nas notas como parceiro do Sistema Globo de Rádio no negócio CBN. Na verdade, entre outros sócios, quem responde oficialmente pela Rede Curitibana de Radiodifusão Ltda., é Petraglia, homem forte dentro do Grupo Inepar. O restante, referente à subserviência a Jaime Lerner (PFL) e à promoção do Clube Atlético Paranaense, está mantido.


Memória


O governo passado sempre foi avesso a economizar telefone. A conta mensal somente em celulares, nos primeiros quatros anos de Lerner, ficava em torno de R$ 100 mil. O Crafe, aquele conselho de secretários de Estado criado para reduzir os gastos da máquina oficial, chegou a fixar que o valor da fatura deveria baixar para R$ 35 mil ao mês. No papel.


Medida urgente


O mês de janeiro está sendo movimentado no Tribunal de Justiça. Até o dia 23, já passava de 900 o número de medidas urgentes encaminhadas para despacho à presidência do TJ. A grande maioria das medidas são de natureza cível e somam 772. Já as de natureza penal chegaram a 134.


Na trave


O Tribunal de Contas do Estado (TCE) desaprovou as contas da Prefeitura de Cambira relativas ao ano de 1996 e as da Câmara de Castro de 1994. Os processos foram enviados ao Ministério Público para providências. Em Cambira, auditoria realizada pelo TCE, com base em denúncia apresentada por vereadores, comprovou irregularidades envolvendo dinheiro público.


Abuso


A desaprovação das contas da Câmara de Castro tem a ver com salários. Os vereadores aumentaram os próprios salários em 160,52% alegando equiparação aos valores recebidos pelos deputados estaduais. A decisão feria legislação municipal, de acordo com o entendimento do TCE.


Perguntinha


E o reajuste salarial da Polícia Militar do Paraná, sai quando?


Leandro Donatti e sucursais
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