INFORME FOLHA
Estratégia
A reforma administrativa anunciada pelo prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), anteontem, mais que acomodar aliados do governador Jaime Lerner (PFL), tem por objetivo ampliar a base política do prefeito. Cassio, que agora não conta mais com a proteção de Lerner, quer eleger o sucessor em 2004 fazendo oposição ao governo Roberto Requião (PMDB) nos últimos dois anos de seu segundo mandato. Para isso, precisava dar uma nova roupagem a setores estratégicos e de visibilidade. Tudo avalizado pela sua base de apoio na Câmara Municipal, que promete coro às críticas que o prefeito pretende formular contra governo do Estado.
Mudança
O ex-líder de Jaime Lerner na Assembléia Durval Amaral (PFL) saiu carregado do pomposo gabinete da liderança do governo. Levou a geladeira e a máquina de café capuccino que pertenciam a seu gabinete parlamentar e que foram cedidas durante o seu mandato. Angelo Vanhoni (PT), o atual líder, providencia nova mobília.
Cutucada
Requião tem aproveitado todas as oportunidades que surgem para criticar Lerner e especialmente algumas atitudes tomadas pelo governo anterior já no período de transição. Segundo Requião, um dia depois de sua diplomação, Lerner assinou decreto adiando para 2011 o pagamento de uma dívida de R$ 198 milhões que a Sanepar tem com o Estado, e que vencia no dia 28 de dezembro. Requião disse que gostaria de utilizar esse dinheiro para comprar mais ações da empresa novamente para o Estado, reduzindo assim a participação do capital estrangeiro na Sanepar.
Má gestão
O secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, afirmou ainda, através da agência de notícias do governo, que o rebaixamento das ações da Sanepar, anunciado na semana pela Moodys, tem tudo a ver com o gerenciamento da estatal. De acordo com o secretário, o rebaixamento é fruto de má administração. ''Como é possível comemorar uma economia de R$ 22 milhões, quando, na verdade, a empresa contraiu dívida de R$ 198 milhões?'', questionou Caíto.
Aviso
Vai se dar mal quem tentar fazer ponte entre Requião e Cassio Taniguchi, quando eles tiverem que trocar idéias. O governador já avisou que todo e qualquer assunto com o prefeito é da sua alçada. Sem interlocutores intermediando.
Posse
Maristela Requião assumiu ontem a direção do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), dando sequência a tradição das primeiras-damas de assumirem funções em órgãos de ação social. Único representante do PT no primeiro escalão de Requião, o secretário do Trabalho e Ação Social, Padre Roque Zimmermann, compareceu à posse, no seu primeiro evento oficial após recuperar-se de uma cirurgia de hérnia.
Lobby
O secretário municipal de Planejamento de Londrina, Marcos Defreitas, passou os últimos dois dias em Curitiba tentando tirar do papel a lei estadual que criou a Região Metropolitana de Londrina, reunindo oito cidades, cerca de 600 mil habitantes. Defreitas teve audiências com os secretários de Planejamento, Eleonora Fruet; e de Assuntos da Região Metropolitana, Edson Strapasson. Saiu com a promessa de que haverá injeção de recursos públicos em prol do desenvolvimento integrado.
Tudo na mesma
A intenção dos lerneristas, de transformar três gabinetes de lideranças de partidos que ficam atrás do plenário da Assembléia em salas para receber secretários e fazer reuniões, naufragou. Agora que o PMDB e o PT mandam na Assembléia, as lideranças vão ficar onde estão. Mesmo porque uma delas é a do PMDB de Requião. PFL e PPB, que apoiavam a mudança, vão ter de engolir.
Adiamento
Ainda não tem uma data acertada para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) decidir se acata ou não auditoria feita pelo próprio órgão apontando irregularidades na Prefeitura de Matinhos, no Litoral. A auditoria, que diz ter detectado irregularidades administrativas, sugere o afastamento do prefeito Acindino Duarte (PMDB). Os auditores acreditam ter descoberto um esquema de falsificação de certidões, bem como desvio de receita tributária e utilização indevida de veículos oficiais e motoristas a serviço de uma empresa particular, todos negados pelo prefeito.
Referendo
Se o TCE optar pela cassação do prefeito de Matinhos, a Assembléia tem que votar e aprovar o parecer dos conselheiros antes da cassação. E isso só vai acontecer depois do dia 15 de fevereiro, quando recomeçam as sessões ordinárias. A possibilidade de convocação extraordinária é remota.
Licença
Adiantando-se ao desgaste que com certeza enfrentaria auditores do TCE sugeriram seu afastamento o prefeito entrou ontem com pedido de licença médica. Acindino Duarte alegou motivos de saúde.
Perguntinha
Não era o prefeito de Curitiba que, meses atrás, negava com veemência reforma na equipe?
Leandro Donatti e sucursais
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