INFORME FOLHA
O retorno
O Paraná começa 2003 em novo estilo. Depois de oito anos com Jaime Lerner (PFL) à frente do Palácio Iguaçu, mudam o discurso e a forma de administrar o Estado. O novo governador Roberto Requião (PMDB) prometeu, durante a solenidade de transmissão de cargo ontem no Palácio Iguaçu, uma gestão construtiva, mais informal, voltada para os pobres e com a parceria das igrejas. Apesar de não poupar críticas a Lerner, manteve um clima de cordialidade, com direito a abraços, sorrisos e comentários ao pé-do-ouvido na despedida entre os dois. Requião deu sinais de que está mais ''light'' do que em sua primeira gestão como governador, de 1991 a 1994. Ele mesmo brincou, dizendo que o novo Requião é ''low profile'' e, por isso, não pretende tirar a cerca em frente ao Palácio Iguaçu, nem contestar as informações do discurso do ex-governador Jaime Lerner imediatamente. Para isso, dará o prazo de 10 ou 15 dias, depois de um levantamento concreto da situação do Estado. ''As cercas não serão destruídas, serão retiradas organizadamente. Seria deselegante retirá-las hoje''. O novo Requião, que seria mais discreto e elegante, até chorou no discurso de posse na Assembléia Legislativa, ao se referir aos seus pais Wallace e Lucy. Sua emoção surpreendeu muita gente.
Requião lá
Requião não poupou elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seus discursos. Não bastasse, fez três vezes o sinal do ''L'' da campanha de Lula, com o polegar e o indicador esticados. Mas o ponto alto foi quando o jingle do programa eleitoral do presidente foi executado pela banda da Assembléia Legislativa do Paraná. Faltou só vestir a camiseta vermelha.
Sobras
Para aqueles que ficaram de fora da composição da nova equipe de governo, Requião deu ontem mais uma esperança. Disse que a partir de hoje quer o PT, o PPS, o PV e o PL no seu gabinete, ''ajudando a construir o novo Paraná, fazendo um governo plural''. Vale lembrar que PV e PL ficaram de fora do secretariado.
Nem tudo é festa
Nem mesmo a capacidade oratória de Requião conseguiu incendiar alguns dos deputados estaduais presentes na cerimônia de posse do novo governador. Além de muitos já estarem instatisfeitos por não receberem o jetom de R$ 16 mil pela convocação extraordinária (os deputados foram apenas convidados), o evento, às 9 horas, após uma noite de Réveillon, deixou sua marca no rosto abatido de alguns parlamentares.
Vaias
A claque que foi aplaudir o novo governador durante sua posse não poupou Lerner da última saia justa de seu mandato. Os simpatizantes de Requião vaiaram Lerner quando este fazia um balanço de seu mandato, afirmando que as contas do Paraná estavam equilibradas. Na saída do Palácio, militantes do PMDB voltaram a carga, criticando o pedágio e puxando um coro de ''já vai tarde''. Nada elegante.
Aplausos
Aplausos mesmo, Lerner só recebeu no final do seu discurso, quando se referiu à primeira-dama Fani Lerner. ''À Fani, meu amor, o reconhecimento do quanto ela faz por mim e pelo Paraná. Tenho certeza que o povo do Paraná endossa esse registro de entusiasmo'', disse. Além dos aplausos, a frase arrancou lágrimas de sua mulher.
Poesia
Para explicar sua relação com Requião, Lerner citou um diálogo do escritor Mário Quintana, em que um propõe a outro uma troca de idéias e a resposta é: Deus me Livre. A resposta veio em seguida, no discurso improvisado por Requião, quando Lerner já havia deixado o Palácio Iguaçu. Numa referência também a Mário Quintana disparou: ''Atrapalharam nosso caminho. Eles passarão, nós passarinhos''.
Da casa
As solenidades de posse e de transmissão de cargo do novo governador foram transmitidas ao vivo por três emissoras de televisão. A TV Tarobá, de Londrina, O canal 21, de tevê a cabo em Curitiba, de propriedade do secretário de Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Luiz Mussi, e a retransmissora do SBT no Paraná, canal 4, do presidente da Copel, Paulo Pimentel.
Perguntinha
Será que o novo governador Roberto Requião está mesmo mais ''light''?
Mônica Kaseker (interina) e sucursais
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