Jogo de forças


Alvaro Dias (PDT) está apostando na infidelidade partidária para neutralizar os apoios políticos já anunciados em favor de Roberto Requião (PMDB) dentre os quais o do PPS, do PT, do PV e mais recentemente do PL. Alvaro tem dito que ''sigla não dá voto'' e que, apesar de as executivas estaduais terem formalizado adesão à campanha do adversário, tem o apoio de muitos filiados ao PPS, PT, PV e PL. Chegou a citar o caso do deputado estadual Chico Noroeste que está na contramão da orientação do PL. Ontem, Alvaro participou de um evento conjunto com o PSB, em Curitiba. O partido de Severino Nunes Araújo, candidato ao governo derrotado em 6 de outubro, manifestou apoio ao pedetista.


Barganha


As negociações correm nos bastidores, mas a fonte é quente. Para atrair o PFL, que está liberado para optar no segundo turno, os candidatos ao governo estão montando um balcão de negócios. Um candidato já teria oferecido Fundepar e Serlopar. O outro estaria prometendo manter intacto alguns negócios do Estado que favorece lideranças pefelistas, principalmente na área de seguros do patrimônio público.


Reengenharia


O serpentário está em estado de alerta. O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), planeja uma ampla reforma de secretariado. O prefeito está se armando para o ano que vem, quando não terá mais o suporte do governador Jaime Lerner (PFL) no Palácio Iguaçu.


Apoio


Aliás, está mais clara do que nunca a tendência do prefeito em pedir votos para Alvaro Dias, com quem mantém uma relação de relativa amistosidade, apesar de sempre terem estado em lados opostos. Há quem garanta que Cassio já gravou inclusive depoimentos para Alvaro, que podem ser levados ao ar no horário eleitoral gratuito da tevê. Cassio não suporta a idéia de ter que relacionar-se com Requião, caso o mesmo se eleja governador.


Sapos


Muitos estão engolindo sapos nesta eleição. Seja o PT por ter que apoiar Roberto Requião. O mesmo que criticou Ângelo Vanhoni nas eleições de 2000, ao defender o irmão Maurício Requião como o melhor nome para assumir a Prefeitura de Curitiba. Seja Alvaro Dias que tem de fingir que é petista desde criancinha e ignorar Serra. Ou ainda o PFL que, depois de naufragado o sonho de manter-se no poder, está se vendo forçado a apoiar os inimigos do governo Jaime Lerner.


Visita


A informação é do PT estadual. Luiz Inácio Lula da Silva desembarca em Curitiba no dia 23 próximo. A visita, segundo o partido, foi confirmada pelo secretário nacional de Organização do PT, Sílvio Pereira, em contato telefônico mantido com Padre Roque Zimmermann. O candidato do PT a presidente pretende ficar em Curitiba das 14 às 17 horas. Tempo suficiente para Alvaro Dias e Roberto Requião se digladiarem.


Na trave


Algaci Túlio (PSDB) vai ter de se conformar. A Justiça Eleitoral indeferiu o pedido de transferência de votos solicitado pelo deputado estadual que não conseguiu a reeleição em 6 de outubro. Túlio queria que os 20.162 votos computados em favor de Aparecido Custódio da Silva (PSB) fossem registrados em seu favor. O tucano alega que Custódio forjou colinhas eleitorais usando indevidamente a imagem de Túlio para conseguir votos. Cabos eleitorais de Túlio descobriram um lote de colinhas com a foto do deputado mas o número de Custódio.


Inveja


Piada que circula no Centro Cívico. Alvaro e Requião estão roendo as unhas de inveja de Saddam Hussein que deve ter 100% de apoio nas urnas.


Debates


Dois debates entre Requião e Alvaro estão agendados. Na TV Bandeirantes será nesta sexta-feira às 22 horas. O debate será transmitido em rede estadual. O SBT de Paulo Pimentel (PMDB) também pretende confrontar os dois candidatos. Salvo mudança de última hora, o debate será neste sábado, às 22h30. A transmissão do debate também será para todo o Estado, como o da Band. Para confirmar presença, a assessoria de Alvaro exigiu que o debate ficasse restrito a discussões em torno de programa de governo.


Apelo


Requião pediu ontem encarecidamente para que Beto Richa convença o PSDB a apoiá-lo oficialmente no segundo turno.



Maré baixa



Eleição não é um tema que tem sido muito agradável ao prefeito-cassado Antônio Belinati. Ontem ao depor no Forum de Londrina sobre os desvios de dinheiro público da prefeitura, entre outras coisas ele foi instigado pelos repórteres a comentar sobre o fracasso do filho, o deputado estadual Antonio Carlos (PSL), que fora candidato a reeleição. Desconfortável, Belinati foi lacônico: ''O Antônio Carlos foi eleito, na Bahia''.




Perguntinha


Depois de sempre estar na frente, com uma diferença de sete pontos, alguém acredita que Alvaro Dias ficou feliz com o empate técnico apontado pelo Ibope anteontem?

Leandro Donatti e sucursais
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