Mordaça


O ex-delegado-geral da Polícia Civil João Ricardo Képpes Noronha conseguiu na Justiça decisão que proíbe o candidato do PMDB ao governo, Roberto Requião, de vincular seu nome à CPI Nacional do Narcotráfico. Noronha perdeu o cargo de delegado-geral em 2000, quando a CPI o acusou de irregularidades. Noronha, que hoje responde pela vice-presidência da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), alega que não é justo o acusar de pertencer à banda podre da polícia, como Requião tem feito, uma vez que não foi afastado da função de delegado. O juiz que deu a decisão em favor de Noronha foi Carlos Eduardo Andersen Espínola, da 18 Vara Cível de Curitiba. Hoje, o advogado Luiz Antonio Figueiredo Bastos, que defende os interesses de Noronha, promete entrar com outra ação, na tentativa de impedir que Requião teça comentários sobre a Adepol. O candidato do PMDB ao governo classificou de ''molecagem'' a decisão judicial, e avisou que não tem a menor intenção de cumpri-la. ''Eu vou ignorar. Ele (o juiz) esqueceu que eu sou um senador, e tenho imunidade material, posso manifestar a qualquer hora minhas opiniões.''


Tiracolo


Aonde vai, Alvaro Dias (PDT) tem levado seu irmão, Osmar Dias (PDT), na tentativa de tirar uma lasquinha da popularidade de Osmar, campeão de votos para o Senado. Na reunião da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), ontem, não foi diferente. Osmar chegou, agradeceu os votos que teve e pediu desculpas porque tinha compromisso urgente.


Adesão


A executiva estadual do PL decidiu ontem apoiar a candidatura de Requião. Como o próprio presidente do partido, Pastor Oliveira, já tinha anunciado que gostaria de apoiar Alvaro, decidiu fazer uma votação secreta para definir a posição do partido e assim garantir sua isenção no processo. Por sete votos contra quatro, Requião levou o apoio do PL, que tem cerca de 14 mil filiados no Paraná.


Romaria


Antes da votação, os integrantes da executiva receberam a visita dos dois candidatos ao governo. Pastor Oliveira já havia condicionado o apoio do partido à participação efetiva no governo e a reunião com os candidatos foi o momento em que os candidatos fizeram a oferta de espaço pedida pelo PL. ''Não se trata de querer cargo para empregar alguém e sim de participar da elaboração de políticas que venham a melhorar a condição de vida dos mais de dois milhões de paranaenses que passam fome'', explicou o presidente do partido.


Goela abaixo


Segundo o presidente do PL, não houve nenhuma nominação de cargos que ficarão para o partido. ''Queremos ocupar espaço nas áreas em que temos competência'', explicou Pastor Oliveira, destacando a área social como o principal interesse da sigla. O processo de decisão de apoios acabou provocando sua frustração. ''Não estou gostando de ser presidente de partido'', declarou, salientando que presidente também tem que fazer sacrifício. Segundo ele, a verticalização já lhe obrigou a apoiar Luiz Inácio Lula da Silva e Padre Roque Zimmermann no primeiro turno, enquanto sua vontade era apoiar Garotinho (PSB) e Alvaro Dias. Ainda assim ele garante que vai respeitar a decisão da executiva.


Mudança


A visita de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Paraná, que poderia ocorrer nesta quinta-feira, deve ficar para sexta-feira ou a semana que vem. A equipe de Lula está revendo a agenda, por causa do cancelamento de sua visita a Santa Catarina. O roteiro de Lula no Estado ainda não foi fechado. Os petistas terão que tomar cuidado para não gerar melindres, já que os dois candidatos ao governo querem a atenção de Lula.


Na sua


Alvaro Dias não pretende subir no palanque de nenhum dos presidenciáveis, quando os mesmos estiverem no Estado, apesar dele dizer que está apoiando a candidatura de Lula e ter muitos políticos a seu lado fazendo campanha para José Serra (PSDB). O candidato do PDT ao governo diz que vai respeitar a decisão de seu partido, que decidiu apoiar Lula nacionalmente. Alvaro diz que palanque está aberto para quem quiser apoiá-lo.


Bom humor


Perguntado sobre sua posição nada cômoda uma vez que o próprio Lula já declarou seu apoio a Requião, Alvaro não tem perdido a pose e tem brincado: ''o Lula vota em São Paulo. Não vai votar aqui''.


Plumagem


Requião está às voltas com o alto tucanato. Deve conversar com Euclides Scalco, o secretário-geral da Presidência, nesta sexta-feira, em busca de apoio. Antônio Leonel Poloni, ex-secretário de Agricultura de Jaime Lerner (PFL), também deve engordar a lista de apoios do PMDB, nas contas de Requião. O PMDB calcula ainda ter o apoio de Hermas Brandão (PSDB), presidente da Assembléia, e até de Alceni Guerra (PFL), ex-chefe da Casa Civil.


Visita


O ministro do Trabalho, Paulo Jobim, desembarca em Curitiba, nesta sexta-feira, para a posse da nova diretoria da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap).


Perguntinha


É impressão ou mais um delegado-geral da Polícia Civil do Paraná está na corda-bamba?

Leandro Donatti e sucursais
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