Cenas de nudez
Na sessão desta quinta-feira (14) a Câmara Municipal de Londrina aprovou um substitutivo ao projeto de lei do vereador Filipe Barros (PSL) que determina a indicação em local visível de faixa etária mínima de 18 anos a espetáculos que têm o apoio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) e contêm cenas de nudez, além de tornar sentenças condenatórias um fator eliminatório de artistas e produtores culturais na busca por recursos públicos. O substitutivo nº 1 pede a adequação do texto a uma portaria do Ministério da Justiça e ao Estatuto da Criança e do Adolescente. "Em reunião foram colocados estes e outros pontos que tanto o Conselho de Cultura quanto a Secretaria de Cultura colocaram, então nós fizemos o substitutivo com base naquilo que nós achamos apropriado para o projeto também não perder o seu objeto", afirma Barros.

Efeito Lava Jato
Em visita à FOLHA, o presidente estadual do PPS, deputado federal Rubens Bueno, se mostrou reticente quando questionado se acredita que os efeitos da Operação Lava Jato e de outras tantas que vêm sendo desencadeadas possam refletir nas eleições para o Congresso Nacional. "Alguns deputados e senadores citados nessa e em outras operações estão lá porque foram reeleitos em 2014. Não sei se há essa percepção. A gente espera que sim, vamos ver." Relator do projeto de lei que regulamenta o teto salarial dos servidores públicos, os chamados "supersalários", Bueno é pré-candidato à reeleição.

De volta à cena
O deputado federal veio à FOLHA acompanhado do presidente do diretório municipal do PPS, Walmir Matos (ex-secretário de Obras de Alexandre Kireeff), e da ex-vereadora Elza Correia, filiada ao partido. Elza disse que vai tentar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Afastada da vida pública desde 2016, ano em que encerrou seu mandato como vereadora na Câmara Municipal, ela será uma dos três pré-candidatos do partido à AL por Londrina. Os outros dois são André Trindade, que se agarrou na bandeira da revogação da lei que revisou o IPTU, e o atual deputado estadual Tercílio Turini.

Não fuja da raia
A ex-vereadora afirmou que diante do atual momento político, com denúncias de corrupção em âmbitos local, estadual e nacional, "não tem como fugir da raia". Elza Correia também disse que as mulheres precisam ser mais representadas no Legislativo. "Mas mais do que representatividade, precisamos de mulheres que façam bons mandatos", defendeu.

Representatividade abalada
Elza Correia abriu mão de buscar a reeleição na Câmara de Vereadores em 2016 por discordar da aliança municipal do então PMDB, partido ao qual era filiada, com o PP para a candidatura de Marcelo Belinati a prefeito. A ex-vereadora sustentou à época que o apoio não condizia com a trajetória política dela. Sua decisão, involuntariamente, acabou determinando a perda de representatividade feminina no Legislativo local. Isso porque as outras duas vereadores daquela legislatura também não foram eleitas. Sandra Graça (PRB) disputou a prefeitura, e a petista Lenir de Assis, mesmo tendo recebido mais de 3 mil votos, não conseguiu a reeleição por causa do coeficiente eleitoral. Daniele Ziober, expulsa do PPS por ter votado a favor da revisão do IPTU, agora é a única mulher no Legislativo municipal.

Abaixo o IPTU
No último dia do prazo para a apresentação de assinaturas no projeto de lei de iniciativa popular que pede a revogação do aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), moradores protocolaram cerca de 600 novas assinaturas. Agora, segundo integrantes do Conselho da Gleba Palhano, já são mais de 30 mil rubricas. Segundo a assessoria da Casa, uma contagem vai ser feita e, se houver um número maior ou igual a 18.299, ou seja, 5% do eleitorado londrinense, o PL vai tramitar normalmente. Além disso, representantes dos movimentos populares transferiram para a semana que vem a reunião para definir o vereador que vai representar o projeto de lei no âmbito do legislativo municipal.

Presidencialismo de coalização
O arranjo político que predomina no Brasil há 30 anos nas esferas municipal, estadual e federal foi o tema da palestra do sociólogo e cientista político Sergio Abranches ontem no Teatro Marista, no 14º ciclo de palestras da CBN Londrina. Antes do evento, em entrevista à FOLHA, Abranches disse que esse modelo de política do "toma lá da cá" ainda deve predominar após eleições de 2018.

Fragmentação partidária
O cientista político vê como certo que o próximo presidente eleito não terá maioria no Congresso. Abranches lembrou que a fragmentação de inúmeros partidos do "centrão" dificulta esse controle nas votações de projeto de interesse do Executivo. "A fragmentação partidária aqui é umas das maiores do mundo, que dificulta a governabilidade porque são muitos partidos heterogêneos e todos com interesse no orçamento e não em política pública."

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